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A Primeira Descida da Cachoeira da Fumaça - Chapada Diamantina

Eu tinha conhecido o Carlos Zaith quando guiava uma excursão da geologia para o PETAR em 1995, ele guiava outra excursão, como o Zaith era um dos introdutores do canyoning no Brasil e atuava bastante na minha região, Itirapina - Brotas, batemos um papo e ficamos de realizar algumas aventuras mais tarde em cachoeiras que ele não conhecia ainda.

No final de 1995 vejo no jornal que o Zaith e sua equipe iria descer por rapel a cachoira da Fumaça na Chapada Diamantina, peguei o telefone na mesma hora e liguei para ele perguntando se poderia encontrá-lo na Chapada. Ele educadamente respondeu que sim.

Estava pronto o roteiro de aventura para início de 1996, convidei o Ricota para ir comigo, um amigo da geologia-USP. Compramos passagens de ônibus até Feira de Santana pois pretendiamos descer no trevo da BR-242, que passa por dentro da Chapada Diamantina, e pegar carona até Lençóis. Eu já tinha certa prática em caronas pois havia percorrido 7000km de nordeste dessa maneira em 1993.

Chegamos no trevo de Paraguaçu por voltas das 5h da manhã e colocamos o dedão na estrada, por incrível que pareça parou um ônibus, o motorista nos deu "carona" até a entrada de Lençóis, mas nos cobrou pela carona e cobrou caro, nos ameaçou ficar com nossa bagagem se não o pagasse-mos. Pagamos e descemos rapidinho, caminhamos os outros 12km até o centro da cidade.

Em Lençóis nos hospedamos e fomos procurar nosso amigo, que ficamos sabendo já estava na cachoeira, então fomos pegar carona novamente na saida de Lençóis. Conseguimos com o secretário de turismo de Iraquara, cidade das cavernas na Chapada.

Conversa vai, conversa vem, ele nos falou que precisava de geólogos para identificar um fóssil dentro de uma das cavernas de Iraquara, falamos que poderíamos identificar, mas precisavamos estar na cachoeira da Fumaça o mais rápido que pudéssemos, o secretário se propôs a nos levar depois até o início da trilha da cachoeira.

Fomos então para Iraquara, para a Lapa da Umburana, chegando no receptivo da Lapa Doce, nos emprestaram dois capacetes com carbureteira e fomos para a caverna.

Eu e o Ricota já tinhamos uma vasta experiência em cavernas e em espeleo-vetical, participamos de laguns projetos, inclusive internacionais, por isso estavamos na Chapada Diamantina, para também descer a Cachoeira da Fumaça.

A Lapa da Umburana tem uma linda entrada, com bom desnível, tiramos belíssimas fotos e prosseguimos para seu interior. Iraquara possui cavernas amplas e essa era uma delas, mas não andamos muito e encontramos alguns ossos, observamos e encaixamos alguns, o suficiente para indentificar o animal: uma preguiça gigante, o megatério.

Voltamos e contamos para o secretário, que ficou feliz em saber e nos levou para conhecer também a Lapa do sol que apresenta belas pinturas rupestres.

Ainda pela manhã nos levou até o início da trilha da Cachoeira da Fumaça, subimos e finalmente encontramos o Zaith, o Roberto Linsker, alguns fotógrafos tarimbados e pessoal de apoio da pousada no Vale do Capão, o Marcos Philadelphi e a Nicoleta Morachioli já haviam descido, faltava o Zaith e o Linsker, que ficaram sem equipe técnica para coloca-los na corda. Chegamos na hora certa.

Colocamos o equipamento e ajudamos os dois a entrarem na corda, pois a mesma pesava muito, a adrenalina estava a milhão e o dia acabando enquanto eles desciam, vimos que não iriamos completar nosso sonho do grande vertical.

O Marcos Philadelphi voltou para o acampamento por volta das 17h e resolvemos recolher a corda, dois carretéis com 500m de corda cada um. Não se sabia ainda a altura correta da cachoeira, sendo que essa expedição fez a primeira medição tendo como resultado 340m de vertical.

Começamos a recolher a corda por volta das 17:30h até as 21h, eu fiquei somente de shorts e sem camisa na friagem da fumça molhada que sobe da cachoeira. Quando paramos de recolher a corda eu tremia muito de frio e não estava passando bem, senti que estava entrando em processo de hipotermia, vesti uma roupa de neoprene e comecei a descer a trilha. Eu estava em estado de delírio e só o que lembro é que eu xingava muito meu companheiro de descida.

Chegando na base da trilha eu já estava bem, fomos para a pousada onde estava o pessoal, tomamos uma sopa quente e dormi ao aldo da lareira, isso me fez voltar ao normal por completo.

No dia seguinte ganhamos um almoço da equipe por termos chegado a tempo de ajudar e no dia seguinte uma carona para Salvador.

De resto o Roberto Linsker incluiu a aventura em um de seus livros Brasil Aventura e passei a trabalhar como equipe da H2omem e como monitor de viagens com o Marcos por um longo tempo.

Por: Nilson Bernardi Ferreira

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Confira a pontuação dessa história na 2ª Etapa:

  • Criatividade: 65
  • Redação: 64
  • Conteúdo: 66

 
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