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Trekking no Aconcagua 2009

Já fazia um tempo que queria saber como é uma expedição de alta montanha, então, no meio do ano passado recebi o convite de uns amigos para fazer uma expedição para o Aconcagua e não pude recusar.

EmJá fazia um tempo que queria saber como é uma expedição de alta montanha, então, no meio do ano passado recebi o convite de uns amigos para fazer uma expedição para o Aconcagua e não pude recusar.
Chegamos em Mendoza já no dia 1º de Janeiro e após o guia checar o equipo, fomos jantar, pois achávamos que seria a última boa refeição até voltar da montanha. No dia seguinte, fizemos a parte burocrática de conseguir o “permisso” e ao final do dia estávamos no hotel na cidade de Penitentes (2.700m). A cidade fica quase na entrada do Parque Provincial Aconcagua. Em nosso 1º trekking fomos para o acampamento de Confluência (3.400m). E para surpresa geral, o acampamento da agência INKA possuía uma ótima infra-estrutura, com barracas do tipo “Domo” e barracas “Comedores”, sem falar no “banho quente” e ótima comida. A essa altitude já é esperado um pouco de dor de cabeça até que o nosso corpo se acostume.
No dia seguinte fomos até o “mirador” de Plaza Francia (4.200m) para mais um trekking (aprox. 6 hrs) de aclimatação. Plaza Francia é o campo base de quem vai para a “Pared Sur”.

EmJá fazia um tempo que queria saber como é uma expedição de alta montanha, então, no meio do ano passado recebi o convite de uns amigos para fazer uma expedição para o Aconcagua e não pude recusar.

Chegamos em Mendoza já no dia 1º de Janeiro e após o guia checar o equipo, fomos jantar, pois achávamos que seria a última boa refeição até voltar da montanha. No dia seguinte, fizemos a parte burocrática de conseguir o “permisso” e ao final do dia estávamos no hotel na cidade de Penitentes (2.700m). A cidade fica quase na entrada do Parque Provincial Aconcagua. Em nosso 1º trekking fomos para o acampamento de Confluência (3.400m). E para surpresa geral, o acampamento da agência INKA possuía uma ótima infra-estrutura, com barracas do tipo “Domo” e barracas “Comedores”, sem falar no “banho quente” e ótima comida. A essa altitude já é esperado um pouco de dor de cabeça até que o nosso corpo se acostume.

No dia seguinte fomos até o “mirador” de Plaza Francia (4.200m) para mais um trekking (aprox. 6 hrs) de aclimatação. Plaza Francia é o campo base de quem vai para a “Pared Sur”.

Entrada do Parque

No 5º dia ficamos no acampamento descansando e nos preparando para o dia seguinte que seria a ida ao campo base da rota normal (Plaza de mulas – 4.200m). O trekking (aprox. 18 Km) até Plaza de Mulas é realmente bastante cansativo, e completamos isso em 7hrs e 40 min, contando o tempo de parada para o almoço. Durante o caminho, a paisagem muda bastante e quanto mais andamos, mais árida fica a paisagem, a única coisa que não muda é o vento … venta e venta muito! Na chegada a Plaza de Mulas, o acampamento impressiona pelo tamanho, e eles realmente sabem o que estão fazendo, a estrutura é realmente fantástica.

Acampamento de Confluencia

Mais um dia de descanso, aliás, merecido descanso. E também aproveitamos para fazer o check-in médico. Havia uma certa correria pelo acampamento e descobrimos que era em função de um resgate. Uma equipe italiana e um guia argentino haviam alcançado o cume no dia anterior, no entanto, com o mal tempo, o grupo acabou se perdendo lá em cima. Enfim, a semana foi bastante complicada, com algumas mortes enquanto estávamos no acampamento e embora isso seja um fato até esperado, acabamos ficando mais abalados, e não tem como não pensar em coisas do tipo “poderia ter sido com a gente”.

Plaza de Mulas depois de uma das nevascas

No 8º dia fomos fazer mais um trekking para nos aclimatar melhor, dessa vez iríamos até Bonete (5000m), porém esse foi meu ultimo trekking montanha acima. Minha aclimatação não estava sendo das melhores e o como não conseguia melhorar o nivel de oxigenação do sangue, o meu corpo não agüentava mais fazer esforços físicos e não tive alternativa a não ser dar meia volta. Para as pessoas que fazem esse tipo de esporte, talvez entenda melhor o sentido de voltar ao invés de tentar a qualquer custo completar sua missão. É extremamente difícil tomar essa decisão, mas eu sei que isso envolvia a minha segurança e também do resto do grupo, pois não queria dar trabalho para eles, nem para o guia. Assim, depois de conversar com o guia, avisei meus amigos de que a minha aventura pelo Aconcagua estava chegando ao fim.

caminho para Plaza de Mulas

O Luis ainda foi ate o campo 1 (acampamento Canadá), porém também se sentiu mal e desceu, e o Aymar conseguiu chegar ate o campo 3 (Cólera), porém o mal tempo não permitiu que ele tivesse a chance de chegar ao cume, uma pena, pois acredito que ele realmente estava em condições de completar com sucesso a árdua tarefa de chegar ao cume do Aconcagua.

Aconcagua

A expedição exigiu muito não só do físico, mas também do psicológico, mesmo já acostumado com uns perrengues, acho que desta vez foi a viagem mais difícil. Mega friaca, isolamento do mundo, aclimatação e muita paciência, posso até chamar isso de viagem pro inferno, mas não seria justo, da mesma forma que passei por vaaaaarios momentos em que me perguntava “ o que estou fazendo aqui?”, também tive várias momentos agradáveis, mesmo com o frio e o vento. Tanto que não diria pra ninguém não ir pra lá, se alguém tem vontade de fazer uma alta montanha, tem que ir pra fazer… mas vá preparado pra sofrer … faz parte da viagem, e tomando os cuidados necessários, volta pra casa bem, e até com saudades de todo o perrengue que só uma montanha como o Aconcagua pode proporcionar. Ah, e vá com bons amigos, o companheirismo na montanha faz muita diferença, se não estivesse com um ótimo grupo, com certeza teria voltado bem antes.

Nosso grupo

Últimas considerações sobre a viagem… nós nos preocupamos muito com o fator frio, e se os sacos de dormir agüentariam. O grupo usou sacos de dormir Deuter Orbit 1100 junto com um saco de dormir Deuter Dreamlite 500. Conforto também foi uma coisa bastante debatida em nossas reuniões em São Paulo, e como eu já tinha experiência de ter usado as mochilas Deuter, mais uma vez as levei comigo e não me arrependo, as costas voltaram inteiras.

Cume visto da Plaza de Mulas

Por último, fizemos uma extensa pesquisa por uma boa agência e optamos pela Agência INKA, que foi extremamente profissional. Em especial, o nosso guia Marcelo Acosta foi perfeito durante toda a viagem, nos alertando sobre condições climáticas e tempo de percurso para que tudo corresse bem.

Cristian Yoshioka

crisyoshioka@hotmail.com

Arquivado em: Deuter, Montanhismo, Trekking, Viagem Tags: Montanhismo, Trekking, Viagem

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