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Travessia solo do Monte Crista SC – Morro Araçatuba PR – 1

Por Thiago Korb (Clube Trekking Santa Maria)

Nota do editor: Esse relato será publicado no Adventure Zone em 3 partes.

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Muito bem, voltei! E para fazer a famosa e desafiante Travessia do Monte Crista SC ao Morro Araçatuba PR. Detalhe, sozinho, no percurso com mais subida e sem logística de carro.

Planejamento:

Com ajuda do Google Earth, tracei o caminho partindo da Balança da BR 101 em Garuva SC até o pé do Morro Araçatuba. Tentei encontrar informações para sair do Morro Araçatuba para Curitiba, não achei nada. Então pensei comigo, quando chegar lá me viro! Pergunto para algum morador, pego alguma carona ou caminho 23 Km para chegar a Tijucas do Sul PR.

Tracei o roteiro: Balança da BR 101, Balneário do Rio Três Barras, Monte Crista, Pedra do Lagarto, Morro da Antena, Pedra da Tartaruga, Morro Padre Raulino, Marco da Divisa SC/PR, “Inferno Verde”, Baleia e Morro Araçatuba.

Como chegar:

Embarquei em um ônibus de Itajaí SC para Garuva SC às 6:30 na rodoviária, empresa Catarinense ao custo de R$ 25,77. Pedi ao motorista para desembarcar na Balança da BR 101, cerca de 6 Km antes de Garuva.

Para quem vem de ônibus do sentido PR para SC de ônibus desembarque em Garuva SC e pegue um táxi até a Balança da BR 101 ao custo de R$ 15,00 ou R$ 30,00 até o Balneário do Rio Três Barras – Monte Crista. Os motoristas fazem frequentemente este percurso e sabem onde fica.

Quem vai de carro eu penso que é melhor deixar o carro no posto bem próximo a Rodoviária de Garuva. Já que na volta facilita o resgate do carro, bem melhor que deixar no balneário que ainda custa R$ 10,00 por dia para deixar e mais os 15 ou 30 reais para ir até lá.

Orientação e navegação:

Na internet apenas encontrei uma carta topográfica 1:25000, englobando do Monte Crista até a Pedra da Tartaruga. Usei durante a travessia um GPS Garmin e-trex Legend que deu conta do recado. A que interessar posso repassar a carta topográfica e dados para GPS.

Dados Técnicos da Travessia Monte Crista – Morro Araçatuba PR:
Percurso a pé: 71,2 Km da balança da BR 101 até o posto de combustíveis na BR próximo a Represa Vossoroca PR.

Altimetria:

Aclive acumulado: 4082 metros
Declive acumulado: 3212 metros
Inclinação máxima aclive/declive: 42,9% e -42,6% respectivamente.
Média Inclinação máxima aclive/declive: 9,9% e -8,8% respectivamente.
Ponto de menor elevação: 9 metros (Balneário Três Barras)
Ponto de maior elevação: 1673 metros (Morro Araçatuba)

1º Dia – Terça-feira 01/03/2011

Desembarquei do ônibus na balança da BR 101 em Garuva SC às 8h e fiz a caminhada de cerca de 3 Km até o Balneário do Rio Três Barras. Lá é necessário efetuar o cadastro e pagar R$ 3,00 de taxa, provavelmente para manutenção da ponte pênsil.

Tempo nublado com previsão de pancadas de chuvas isoladas para os próximos quatro dias, segundo o CPETEC-INPE. Temperatura amena entre 18 a 25 ªC era o que indicava…
Começando a parte da trilha já dava para ver o Monte Crista. Pensei comigo que finalmente iria conseguir subir até o seu topo de 967 metros.

Apesar das chuvas dos últimos dias o Rio do Cristo estava com seu nível normal e quase deu para passar sem molhar os pés, bem diferente da última vez que passei lá.

A subida do Monte Crista no começo é muito tranqüila, trilha bem erodida, fácil de se guiar e com pouco aclive. Mais a frente quando a trilha começa a ganhar inclinação já começa a aparecer o caminho calçado por pedras, o famoso Caminho do Peabiru. Uns dizem que é um caminho feito pelos Incas para ligar o oceano Atlântico ao Pacífico, outros que os Jesuítas construíram usando a população indígena.

Há boa oferta de água na subida do Monte Crista, ela é bem cristalina e creio que seja potável até sem tratamento, mas preferi não arriscar e usei hipoclorito de sódio a 2,5%. Como a temperatura nos três dias que estive por lá foi de fria a amena, não vi cobras. Mas, é muito recomendável ter atenção já que é mata Atlântica, úmida e quente no verão, o que facilita a vida das cobras.

Já mais próximo do topo da serra há um local onde há clareiras para barracas (5), com água e cachoeira, chamada de Véu de Noiva:

Chegando ao Platô 900 já bem próximo ao topo do Monte Crista o tempo fechou! Começo uma garoa com nevoeiro e vento e tive que cancelar a subida até o topo do Monte Crista, afinal não iria ver nada além de 10 metros ao redor.

Neste Platô 900 metros é normalmente onde as pessoas acampam quando só vem ao Monte Crista curtir a montanha por mais tempo. Há água em um rio próximo, o Três Barras.
A temperatura já baixou bastante em relação ao pé da serra, já que em média a diminuição de 1 ºC a cada ganho de 100 metros de altitude. Recomendo a todos que mesmo no verão levem um anoraque leve para se proteger do vento ou chuva, evitando também a hipotermina.

Continuando a caminhada pelo Caminho do Peabiru ou dos Ambrósio (uma flor amarela do campo), mais a frente há um belo poço para banhos com uma cachoeira muito legal no Rio Três Barras. Que se diga que com os 16 ºC de temperatura ambiente às 12:15 e chuva, não me apeteceu um banho por lá.

Agora já a cerca de 1200 metros de altitude já estava rumando para a Pedra do Lagarto, sobe e desce de coxilhas. O tempo até deu uma aliviada na chuva e nevoeiro e parei para almoçar 2 sanduíches. Comida prática, energética e que agüenta a falta de refrigeração desde a madrugada.

Ao lado da trilha avista-se algumas cachoeiras, esta abaixo estava com bastante água devido às chuvas.

Infelizmente ao chegar à Pedra do Lagarto não tive a excelente vista panorâmica que tem em dias de tempo bom, mas assinei o “livro do cume” e toquei ficha para o Morro da Antena.

Agora os campos da Serra do Quiriri a partir dos 1300 metros de altitude já se estabilizam e não há grandes subidas e descidas. Antes do Morro da Antena, pegando a direita há a trilha que leva ao Morro Garuva passando pelo Morro Quiriri, esta trilha é um ponto de fuga em caso de tempo ruim, etc.

Com a proximidade da Fazenda Quiriri (foto abaixo), já é possível avistar o Morro da Antena com seus mais de 1500 metros de altitude, a navegação é fácil portanto.

Esta Fazenda Quiriri também é um ponto de desistência, mas a estradinha que leva até ela vem por trás da serra e você poderá demorar mais para chegar até um local com transporte.
A fazenda tem seu dono o Sr. Carlos Frederico que ao procurar na internet sobre a mesma me deparei com o seguinte texto do Globo Rural. Coloco abaixo a transcrição, pois julgo se tratar um exemplo de consciência ambiental:

“O príncipe das nascentes:
Na Serra do Quiriri, rico remanescente de Mata Atlântica ao norte de Santa Catarina, empresário protege incontáveis fontes da água que abastecem a cidade de Joinville, SC.
O que faz um empresário bem-sucedido, um senhor de 77 anos de idade, dono da maior produção de parafusos do pais, ir comprando terras e terras numa serra e concentrar sob seu domínio inúmeras nascentes que alimentam os principais rios de uma cidade de mais de 500 mil habitantes?

Muito provavelmente o fato de ele não ter nenhum parafuso a menos dentro de sua cabeça. Desde 1983, época em que pouco se falava em ecologia, Carlos Frederico Adolfo Schneider vem adquirindo terrenos na Serra do Quiriri para proteger nascentes d’água em Joinville. Testemunha do custo ambiental pago pelo município para se tornar a maior e mais industrializada cidade do estado de Santa Catarina, Schneider lembra-se, com tristeza, de ter presenciado quando jovem a destruição de florestas e rios e o extermínio de animais como macacos e peixes.

Com saudade, recorda-se dos tempos em que nadava no Cachoeira, o rio que corta o centro da cidade e hoje está poluído por esgoto doméstico e dejetos industriais. Pesando suas lembranças na balança, optou por não lamentar apenas. Quis agir e dar sua contribuição para que gerações futuras possam ainda conhecer o pouco restante da flora e da fauna da Mata Atlântica, e principalmente experimentar nadar em rios límpidos e beber água farta e pura.”
Leia mais em: http://www.ciser.com.br/empresa/globo_rural.asp

Então, por favor, caro trekker que for realizar trilha ou travessia na Serra do Quiriri: traga seu lixo de volta (inclusive papel higiênico), não desmate, não traga plantas, não faça fogueiras, faça o número 1 a pelo menos 70 metros de cursos de água, enterre o número 2 a pelos menos 70 metros de um curso de água e seja educado com a população do local!

Nos campos do Quiriri há diversos trilhos de gado já usados há décadas, sempre levam para algum lugar. Porém, são inúmeros. Subi o Morro das Antenas por um desses, reto morro acima, sem passar pela fazenda ou “estradinha” que tem no local.

Lá no alto havia uma ventania daquelas e frio pegando!

Não fiquei muito tempo e já toquei no rumo da Pedra da Tartaruga. O tempo melhorou um pouco, já que o Morro Garuva já atacava bastante o vento.

Cheguei à Pedra da Tartaruga por volta das 17h já com a intenção de acampar. Pois, no momento já achava que havia caminhado bastante no dia. Com tempo com alguma visibilidade subi a Pedra da Tartaruga para algumas fotos.

Acima a vista do topo da Pedra da Tartaruga para a divisa estadual SC/PR na BR 101. Abaixo a “cabeça” da tartaruga já com nevoeiro.

Para quem vem do Morro da Antena do Quiriri, o vale a esquerda tem uma trilha que desce até a fabrica de Queijo da divisa, assim pode ser usado como último ponto de desistência (que eu saiba).
O local ao redor a Pedra da Tartaruga é bastante propício a acampamento já que é relativamente protegido do vendo, possuí água, é limpo, tem uma trilha que desce a serra e um belo visual para apreciar durante a noite com tempo bom.

Sabendo que poderia chover e especificamente à noite levei um plástico de 2 x 5 metros para fazer um avanço ao lado da minha barraca Nepal. Assim tive um local abrigado e fora da barraca para cozinhar.

Abaixo apresento o resultado do primeiro dia de travessia, mesmo com mochila cargueira pesando 19 Kg com comida para 5 dias (depois explico o porquê).

Distância: 25,2 Km a pé
Aclive e declive acumulados: 1959 m e 670 m respectivamente.

Abaixo a visão do percurso do primeiro dia no Google Earth:

Esse foi o primeiro dia de caminhada, aguardem em breve o relato do segundo dia da travessia!!

Arquivado em: Montanhismo, Trekking Tags: textos de convidados, travessia, Trekking

4 Comentários em "Travessia solo do Monte Crista SC – Morro Araçatuba PR – 1"

  1. Pedro disse:

    Olá Colega,

    No site rumos: http://www.rumos.net.br , há o tracklog da Travessia Pedra da Tartaruga x Monte Garuva; Monte Crista e Araçatuba e muita informaçao sobre esta travessia, idealizada por Elcio Douglas, de Curitiba e repetida por ele diversas vezes. Uma delas, junto com o Arlindo de Joinvile, foi feita e menos de um dia.

  2. Tiago Korb disse:

    Coloquei o kml completo desta travessia no link abaixo:
    http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=1536255

  3. adalberto disse:

    morro proximo a balança na br 101,seu ponto de partida. Ja estive varias vezes no monte crista ,mas não conheso todos estes pontos fotografados, gostaria de receber referencias (latidude, longitude ou outros pontos de ref.) para visita-los. Parabens pela sua aventura.

  4. felix disse:

    cara e legal ja subi 9 vezes o monte crista ate o plato 900 um dia ainda querro subir mais alto
    voce conhece o pico do jurape? [email protected]

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