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Travessia solo do Monte Crista SC – Morro Araçatuba PR – 2

Por Thiago Korb (Clube Trekking Santa Maria)

Nota do editor: Esse relato será publicado no Adventure Zone em 3 partes.

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2º Dia – Quarta-feira 02/03/2011

Durante toda noite choveu sem parar e esfriou bastante, felizmente amanheceu com 14 ºC e sem chuva. Levei roupa para esta faixa de temperatura, porém achei que um saco de dormir não serviria… Grande engano, mesmo com uma manta tive que me encolher.

Através do celular soube por meu pai que nesta madrugada havia feito -3 ºC em Urubici na madrugada, rsrs. A frente fria havia passado só agora por lá, então julguei que nos demais dias só pegaria tempo ruim, já que estava bem mais ao norte do estado e próximo ao mar.

Nos pontos mais altos da serra do Quiriri e Panduva há sinal de celular, acredito de todas operadoras. Mas, é bom lembrar de desligar o celular durante o dia para poupar a bateria, já que em caso de urgência você vai querer ter.

Pela manhã apreciei como café da manhã pão de queijo, isso mesmo! Receita fácil de fazer e o melhor que pesa pouco na mochila já que os ingredientes são secos.

1 colher (sopa) de leite em pó
3/4 xícaras. de polvilho azedo
50g de queijo parmesão ralado ou provolone
1 colher (café) de sal
1 colher (café) de fermento em pó
100 mL de água
Mistura tudo e faz na panela de preferência untada com óleo ou antiaderente em fogo baixo. Fica muito bom!

Acampamento desmontado, agora rumo ao outro ponto muito procurado na Serra do Quiriri, o Marco da Divisa SC/PR.

Nessa manhã o tempo já demonstrava pra minha alegria que poderia abrir, afinal tempo bom na serra é uma certeza de paisagens bonitas.
Segui a travessia pela espinha dorsal que leva ao topo do Morro Padre Raulino, com mais de 1500 metros de altitude. Abaixo a vista do morro.

morro padre raulino

A partir desse morro o visual deu uma boa limpada e para o lado de dentro da serra já dava para ter uma vista mais limpa pros lados de Tijucas do Sul PR.

tijucas do sul parana

Subindo e descendo coxilhas a paisagens ao poucos vai indicando que estamos mais próximos as florestas de pinus do lado paranaense. Já há algumas fazendas de criação de gado, porém, não vi nenhum. Talvez por que depois escutei de moradores locais que há onça parda atacando os rebanhos no alto da serra.

travessia araçatuba crista

travessia

Finalmente de longe já avistei o Marco da Divisa. Este construído depois de um acordo de 1916 para apaziguar a briga entre SC e PR por suas divisas. Agora só não me pergunte como é que constroem um negocio desses no meio do nada!

marco da divisa santa catarina

marco da divisa SC PR

Do lado paranaense a paisagem já muda um bocado, logo já avistava as bordas das plantações de pinus.

pinus

plantação de pinus

Já almocei dentro da floresta de pinus, penne com molho de queijo, uma barbadinha de fazer:

- 250 g de massa penne, parafuso ou concha.
- 1 pacote de sopa de 80 g de seu sabor predileto.

Basta colocar a água na panela e todos os ingredientes para cozinhar juntos. Quando a sopa estiver espessa a massa vai estar pronta. Bom apetite!

Adentrei mais o bosque de pinheiros, muitos o chamam de território do “Inferno Verde”, pois são quilômetros a perder de vista de plantações apenas de pinus com inúmeras estradinhas que parecem um verdadeiro labirinto.

inferno verde

inferno verde

Aqui tenho que dizer que mesmo vendo o local no Google Earth e traçando o caminho por ele, me parece que as imagens do local estão bastante desatualizadas e também pode ter certo erro de coordenadas. Já que há algumas imagens sobrepostas sobre outras.

Para evitar de andar muito pelas estradas eu às vezes atalhava por meio dos bosques, nem sempre eles são limpos por baixo, há bastante vegetação especialmente nos bosques mais novos. Atalhei também por dentro de um rio e achei até estradas que não aparecem no Google earth como as fotos abaixo demonstram.

bosques região sul

bosques região sul

Aqui no “Inferno Verde” eu devo lembrar a todos que é uma região bastante complicada para navegação. Já que a visibilidade de pontos de referência é bem menor no vale e nos bosques de pinus ainda mais que estes podem estar com nevoeiro. Também há muito sobe e desce como você poderá ver no gráfico de altimetria desse dia, mostrado mais abaixo.

Então recomendo este trecho para trekkers mais experientes que saibam navegar bem por mapas com bússola e GPS. Lembrando que é bom traçar também uma rota de fuga na direção de alguma casa em Tijucas do Sul.

Entretanto, também há vista bonita nesse trecho, como por exemplo uma cachoeira com mais de 200 metros de altura que vi na encosta da serra.

cachoeira serra

Continuei galgando estradas e bosques serra acima para finalmente achar um local a mais de 1500 metros de altitude que fosse abrigado do vento e que tivesse um ponto de água. Encontrei uma estrada abandonada que tinha um barranco e próximo ao local havia uma gargantinha com água.

azteq nepal

Anoiteceu por volta das 19h, fiz minha janta que foi um cheiroso cozido de batatas com lingüiça calabresa com queijo provolone e ervas finas. Afinal é bom sofrer durante a trilha, mas o almojanta tem que ser bom!

Apesar da chuva durante toda noite, eu dormi bem neste local e de madrugada tive que puxar o cobertor de emergência para esquentar um pouco mais. Também havia sinal de celular já que era um ponto alto.

Neste dia andei um pouco menos por já estar um pouco cansado devido ao sobe e desce constante do dia. Veja o gráfico da altimetria:

altimetria

Distância: 22,1 Km a pé
Aclive e declive acumulados: 1248 m e 1106 m respectivamente.

Abaixo a visão do percurso do segundo dia no Google Earth:
google earth rota

Esse foi o primeiro dia de caminhada, aguardem em breve o relato do terceiro e último dia da travessia!!

Arquivado em: Montanhismo, Trekking Tags: textos de convidados, travessia, trekking montanhismo

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