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Travessia solo do Monte Crista SC – Morro Araçatuba PR – 3

Por Thiago Korb (Clube Trekking Santa Maria)

Nota do editor: Esse relato será publicado no Adventure Zone em 3 partes. Esta é a última parte.

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3º Dia – Quinta-feira 03/03/2011

Amanheceu com chuva fraca e ventando bastante, tenha vontade de sair assim às 6h da barraca! rsrs

Mas, faz parte né? No café da manhã comi panquecas doces com Nutela, mas poderia ser salgadas também, basta substituir dois ingredientes:
4 colheres (sopa) de farinha de trigo
2 colheres (sopa) de leite em pó
2 colheres (sopa) de queijo parmesão ralado (salgada) ou 2 de sopa de Nescau (doce)
1 pitada de sal (salgada) ou 5 colheres de açúcar (doce)
100 ml de água
2 colheres (sopa) de óleo ou azeite
Você também pode passar geléia, chocolate, queijo Polenghi, mel, margarina ou doce de leite. Vai de sua preferência!

Desmontado o acampamento segui pelas estradinhas no rumo do Morro Araçatuba, Serra da Panduva PR.

arco-iris

No caminho e devido à altitude já começava a aparecer esta taquara típica da altitude, principalmente acima dos 1500 metros. Bastante vista também próximo ao topo do Pico Paraná PR.

taquara vegetação

Agora já dava para ver que o Morro Araçatuba estava mais próximo, o GPS marcava apenas 3 Km. Porém, havia um vale e segundo minhas marcações com atalho eu tinha que subir o morro de mais de 200 metros de altura pelo meio do mato.

FOI UM SUFOCO! Muito inclinado e cheio de taquarinhas que grudam na pele, levei mais de 1 hora para conseguir subir em meio à vegetação muito fechada e que prendia o movimento a toda hora.
No topo do morro ainda tinha que subir muito mais, mas pelo menos já era campo.

frio serra

Levei ainda um bom tempo ainda para chegar no Araçatuba depois de ter subido os 200 metros de aclive vertical da subida da foto acima. O tempo no Morro Araçatuba estava medonho! Era 17h e o vento estava com rajadas de 60 Km/h para mais, garoa, cerração e temperatura ambiente de 12 ºC. Sensação térmica de 6 ºC!

Andei muito rápido morro acima e sem parar, cheguei no topo do Araçatuba (1673 metros), às 17:50 e desci o mais rápido que pude já que não queria ter de acampar em tanta altitude e exposto ao vento e também por que já tremia de frio.

frio tempo ruim

A cada centena de metros que desci ficava cada vez mais confortável e com muita pressa numa trilha cheia de barro em meio ao campo eu cai cada tombo lindo!
Contudo, a paisagem quis me agraciar um pouco!

sol entre nuvens

represa vossoroca

Um pouco depois da repressa Vossoroca é o meu destino final, aqui a vemos de cima.

vista da represa vossoroca

Cheguei às 19h no início da trilha, já começava a anoitecer e não havia ninguém em nenhuma das casas próximas. Caminhei mais adiante e achei um vizinho para o qual pedi autorização para pernoitar no “camping” da entrada do Araçatuba.

Pedi informações sobre como ir dali perto para Curitiba e o morador disse que havia ônibus a partir da BR, localidade de Matulão. Autorização concedida montei minha barraca atrás dos banheiros, próximo ao riacho. Local muito bom por sinal, até deu para tomar um banho de água fria em um chuveiro.

No local não é permitido acampar que se diga, apenas foi me dado uma permissão devido a ser dia da semana. Até mesmo por que os espaços bons para montar adequadamente uma barraca são escassos. No local havia um papel escrito:

R$ 5,00 para motos
R$ 10,00 para carros
Mas, não mencionava o preço por pessoa para subir o Morro Araçatuba. Achei caro os preços da tabela!

Na manhã do dia seguinte desmontei acampamento bem cedo.

barraca azteq nepal

placa da trilha araçatuba

Partir para a BR e ao chegar nela fui pela contramão na direção da Repressa Vossoroca. Logo após ela a direita há um postos de Combustíveis com restaurante bom e barato. Almocei lá por R$ 10,00 um buffet livre de comida caseira delicioso. Só não sei dizer agora se era delicioso, porque a fome era grande.

Final da travessia, dever cumprido em parte. Pois, saindo dali para Curitiba ainda nos próximos dias eu iria fazer o Caminho do Itupava e o ataque ao Conjunto Marumbi.

No último dia andei um pouco mais, porém sem tanta subida e sim com muita descida. Veja o gráfico da altimetria:

altimetria perfil altimetrico

Distância: 24,8 Km a pé
Aclive e declive acumulados: 1208 m e 1766 m respectivamente.

Abaixo a visão do percurso do segundo dia no Google Earth:

google earth travessia

No posto me informei sobre o ônibus para Curitiba. Há ônibus às 12h e às 15h ao custo de R$ 9,00 da empresa Expresso Maringá, linha Guaratuba x Curitiba. Para embarcar no ônibus tem que ficar no canteiro entre o posto e a BR próximo a um tambor amarelo e ficar cuidando muito bem a rodovia. Por que os ônibus da empresa (de cor cinza) sobem a serra com bastante velocidade e se você não fizer sinal o motorista não vai parar. Mais informações sobre a linha ou outros destinos a partir do posto com a empresa: http://www.expressomaringa.com.br/home.aspx

Mesmo com o tempo chuvoso, frio e por fazer a travessia sozinho gostei muito dela! E considero que com um tempo melhor esta travessia deve ser espetacular para trekkers minimalistas que gostem de desafio. No sentido contrário a travessia fica um pouco mais fácil.

Mais fotos desta travessia: http://www.flickr.com/photos/[email protected]/

Chek list dos equipamentos que eu levei para você ter uma referência do que levar:

– Mochila cargueira Deuter Air Contact Pro 70 + 15L (boa devido a suportar bastante peso com conforto).
– Barraca Azteq Nepal (boa pela impearmibilidade do tecido).
– Isolante térmico 6 mm aluminizado (deu conta do recado).
– Fogareiro Primus MF, garrafa de combustível com 300 mL de benzina (bom pela versatilidade de combustíveis).
– Panela Primus Eta Power (boa, pois aumenta a eficiência).
– Prato de Lexan e talheres de policarbonato Sea to Summit (bom, pouco peso).
– Bastão Azteq Carbon (1 apenas, ajudou muito).
– Lanterna Petzl Tikkina (boa, pois é confiável).
– Sacos estanques Sea to Summit: 8, 13 e 35 L (bom, pois deixou tudo seco).
– Reservatório Source 3 L com Thermo Bag (levava 1,5 L sempre, pois tinha água farta no caminho).
– Canivete Suíço e faca Tramontina (depois do filme 127 h levo os dois, rsrs).
– GPS Garmin etrex Legend com 5 pares de pilhas para 6 dias (deu conta do recado).
– Bolsa térmica (manteve a comida seca e o chocolate inteiro).
– Roupas: 2 calções de banho, 1 sunga, 1 blusa e 1 calça thermoskin, um gorro de fleece, 1 jaqueta de fleece, 2 bonés, 2 pares de meia, 2 camisetas dry fit, 1 anoraque leve e 1 camiseta de poliviscose. Levei algumas roupas a mais, pois sem logística do carro e viajando de ônibus não queria parecer feio por ai, rsrs.
– Calçados: Tênis Salomon Sport Amphibian (para caminhar nos trechos úmidos – todos), e tênis Merrell Gore-tex (para os trechos secos e calçado de reserva, acampamento e viagem).
– Comida: pesei e deu 3,5 Kg para 5 dias. Levei comida a mais, pois minha pretensão era fazer a travessia em 4 dias e ter 1 dia de reserva para alguma emergência.
– 20 metros de cordin de 4 mm (só usei para amarrar o plástico do avanço da barraca).
– Plástico de 2 por 5 m (muito útil para poder cozinhar fora da barraca).
– Outros: kit de reparos para mochila e barraca, óculos de sol, artigos de higiene, chaves, dinheiro, documento, fósforos, isqueiro, manta de 1 x 1,5 m, kit de primeiros socorros, tratamento para água, celular, câmera digital, MP3, etc.

* Observação: levei alguns objetos a mais que não precisaria, pois saindo da travessia fui fazer o Caminho do Itupava e Conjunto Marumbi.

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