A música “Domingo” dos Titãs diz: “É dia de descanso / Nem precisava tanto / É dia de descanso / Programa Sílvio Santos”.
Dia de descanso? Só para as pessoas “normais”, porque para um grupo de Audaxciosos, tivemos tudo, menos descanso!
O dia começa cedo, despertador toca as 04h30min. Banho, café da manhã, últimos ajustes nas bicicletas, faróis, leds e tantos outros pirilampos. Enquanto prendíamos as bicicletas no carro, noctívagos chegavam das baladas. Dois grupos antagônicos se encontram. Uns que madrugam na farra e outros que madrugam para o esporte.
Cruzamos a ponte em direção a Niterói. A largada seria as 06:30. Chegamos, a poucos minutos. Nem nos preparamos direito e foi dada a partida.
Montamos um pelotão formado por mim, Renata e Lício Pam e partimos para os 200km que precisam ser pedalados ainda.
Seguimos a planilha pelas ruas de Niterói e alcançamos um grupo que se juntou ao nosso. Érica e Luana que fariam o Desafio 120. Fomos juntos procurando a orientação até pegarmos a BR101.
O interessante do Audax é justamente isso. Apesar de ser uma prova individual, todos se ajudam e se preocupam mutuamente pois não há vencedores, nem colocação. O importante é “apenas” completar a distância dentro do tempo limite.
Na BR101 mantivemos um ritmo confortável variando de 20 a 30km/h até o primeiro PC, localizado aproximadamente no km 60 da prova. Nesse trecho, o sol ainda estava ameno, sem maiores problemas. A não ser um pneu furado que o deixou para trás, vindo nos alcançar somente no PC1.
No PC1 fizemos duas descobertas. Renata era a única mulher participando do Audax 200. A responsabilidade de brevetar aumentou. A outra descoberta era que se já somos considerados anormais por fazer tal prova de bicicleta, tinha uma pessoa fazendo-a de patins (Márcio).
Hora de repor líquido, alimentos, descansar um pouco, fotos e então seguir em frente, afinal ainda tinha muito chão para ser pedalado.
Da BR101 pegamos a RJ116 que vai dar em Cachoeiras de Macaco. Estrada boa, com acostamento e sem buracos. Mas também sem sombra, pelo menos no sentido em que seguíamos. Para piorar, o sol estava a pino, pois era quase meio dia. Renata seguia na frente deixando a mim e o Lício para trás. Tivemos que fazer uma pausa num posto de gasolina para refrescar o corpo.
Pedalamos um bom trecho da RJ116 até atingir os 122 km da prova, onde encontraríamos o PC2 no portal da cidade. Portal este que nunca parecia chegar. Uma estrada sem fim.
Metade da prova concluída. Momento para uma pausa um pouco maior. Descansar as pernas, refrescar o corpo, comer e principalmente beber.
Agora não tinha mais jeito, éramos obrigados a completar os 200 km, pois de qualquer maneira tínhamos que voltar. Então que seja dentro do tempo limite!
Retornamos pela RJ116. A volta foi mais tranqüila, pois o sol estava mais ameno e tinha sombra na volta. Mas a estrada continuava com uma seqüência de sobes e desces. Parada num barzinho de beira de estrada para mais um pit stop a fim de recarregar o corpo.
Mais alguns quilômetros pedalados e finalmente estávamos de volta a BR101, porém faltavam pouco mais de 30 minutos para o PC3 fechar. Precisávamos acelerar um pouco, mas felizmente chegamos a tempo e com uma folga de 20 minutos, logo depois chegaram o Márcio e o Paulo, estávamos receosos que eles também não conseguissem. 165 km feitos. Menos de 1/4 da prova para percorrer.
Desde o início da prova eu dizia que pedalar 150 km seria tranqüilo, a partir daí seria na garra. E não deu outra. Pura força de vontade do grupo para terminar.
Estava escurecendo e o tempo esgotando. Era só completar Niterói x Manilha, pedalar pelo Barreto e finalmente sair nas barcas.
Nos 20 km finais, com reserva energética esgotada, a musculatura entra em pane. Cada giro é uma dor. Cansaço extremo. Mas o desejo de se superar é maior. Nesse momento me lembro de uma frase do Lance Armstrong que diz: “A dor é passageira, desistir dura para sempre!” Passa a ser meu mantra. Cada pedalada, uma repetição da frase.
Finalmente entramos na Av. Feliciano Sodré e depois na Av. Visconde de Rio Branco, 500m de onde o PC final (chegada). Todo cansaço, dor, sede e fome deixam de existir. Só resta a felicidade de cumprir a prova dentro do limite. De se superar como pessoas normais que um dia aceitam encarar um desafio.
Por Gledson Silva













Muito legal o seu relato, parabéns pela conquista, no ano que vem vou lutar também nas provas do Audax Rio, quam sabe não nos encontramos lá.
Abraços!!!!
Parabéns!! No dia 14 de novembro lá estarei eu tb tentando brevetar aki no rj no AUDAX urbano, serão 200 km de subidas e descidas pelos morros do rio de janeiro, pra quem conhece sabe a casca grossa que são. Também adotarei o mantra do Lance rsrsr.