Como um caminho iniciático, o Caminho de Santiago é cheio de símbolos. Vamos falar dos mais frequentes e conhecidos.
A Vieira
É a concha bivalva de um marisco muito encontrado nas costas da Galicia. As costas galegas são famosas pela excelente qualidade dos frutos do mar.
Vieira com a cruz de Santiago
A concha mais usada é a côncava, que pode ser colocada nas roupas, nas mochilas, ou usada como colar. Pode ser natural ou ter nela pintada uma cruz-espada, a cruz de Santiago. O lado plano é também utilizado, principalmente em colares.
Colar com vieira
A imagem de Santiago Peregrino tem sempre uma capa com vieiras aplicadas. As vieiras também são colocadas nos chapéus.
Santiago Peregrino, adornado com vieiras. Casa de España, Rio de Janeiro
Ruas, pontes e casas também são adornadas com as conchas.
Vieiras na ponte sobre o rio Ouribio, em Samos, Galicia
As conchas passaram a ser um símbolo do Caminho desde que os peregrinos passaram a usá-las e levá-las de volta para casa, como uma prova de que efetivamente tinham estado nas costas galegas, reforçando uma das afirmações de que o caminho terminava não em Santiago, mas nas Costa da Morte, em Finisterre, o fim do mundo na época medieval, quando ainda não se sabia da existência da América.
Muitas lendas do Caminho se relacionam às vieiras.
Há uma portuguesa, de um fidalgo que entrou no mar e saiu coberto de vieiras, outra que conta que a urna com os restos de Santiago chegou às costas galegas, também coberta de conchas.
As vieiras fazem parte da rica gastronomia da Galicia. São preparadas de varias formas, e todas deliciosas.
Vieira gratinada, servida na própria concha
Vitral com a cruz de Santiago. Mosteiro de la Enseñanza, Santiago dC
Ela adorna roupas de confrarias, dos cavaleiros de Santiago e pode ser encontrada nos artigos para presentes, enfeitando abridores de cartas, chaveiros, pins, camisetas, etc.
Esta cruz foi usada pela primeira vez pela Ordem dos Cavaleiros de Santiago, em 1170.
Ela recorda o Apóstolo cavaleiro que surgiu em Clavijo montado num cavalo branco e ajudou os espanhóis a ganhar a batalha. Ela simboliza o apóstolo defensor dos cristãos na guerra da Reconquista.
O Cajado
Cajado, bordão, bastão. Instrumento imprescindível, especialmente nas descidas por caminhos atapetados de pedras redondas.
Vieira e cajado no Mosteiro das Clarissas, em Carrión de los Condes
Na Idade Média, o cajado tinha um significado simbólico interessante. Representava a terceira perna, e também a terceira pessoa da Santíssima Trindade.
Feito de galhos das avelaneiras ou das castanheiras, o cajado é hoje substituído pelos bastões de caminhada, retráteis e com amortecedores.
Cajados, chapéus e vieiras à venda em Santa Catalina de Somoza, na Maragateria
Mas os “palos” naturais ainda são muito vendidos pelo caminho, ou presenteados por figuras como Pablito, de um povoado da Navarra, Azqueta, que, além de presentear os peregrinos, ensina-os a utilizar o cajado de forma adequada.
Cajados à venda em Ambasmestas, Castilla y Leon
Os cajados foram também usados para defesas contra ladrões e cães do caminho, hoje só objetos de história. Os cães, por lei, tem que ficar em correntes e não oferecem mais perigo aos peregrinos.
A Credencial
É um documento da Oficina do Peregrino, em Santiago, órgão da Catedral de Santiago que cuida do Caminho e dos peregrinos.

Credencial do Peregrino
A Credencial é vendida às associações de amigos do Caminho, às Confrarias do Apóstolo em todo o mundo que as distribuem aos peregrinos, muitas vezes de forma gratuita.
Algumas confrarias e associações tem suas próprias credenciais, como na Itália e na França, mas a maioria usa a credencial espanhola.
Na credencial o peregrino é identificado e este é o documento que permite o alojamento nos albergues do Caminho.

Credencial com selos
Em cada parada, o peregrino deve obter um selo, um carimbo, na credencial (atualmente a Oficina exige dois carimbos por dia), para certificar que ele efetivamente passou pelas lugares, fez realmente o Caminho. Este documento é analisado na Oficina do Peregrino, para a obtenção da Compostela.
A Compostela
É um documento muito bonito, escrito em latim e firmado pelo canonigo da Catedral, responsável pelo atendimento aos peregrinos, obtido quando se comprova ter feito o Caminho a pé por, pelo menos, os 100 km finais ou os 200 km finais, se de bicicleta ou a cavalo. A Compostela é dada aos peregrinos que fazem o Caminho por motivo espiritual, religioso.

A Compostela
Se os motivos são outros, como cultura, ou esporte, por exemplo, há um outro documento, também bonito, mas menos formal.
O nome correto é Compostela e não compostelana, como se ouve com alguma frequencia.
Compostelana é o nome que se dá à mulher nascida em Santiago de Compostela.
Os Selos do Caminho
Os selos são muito bonitos e são colocados pelos hospitaleiros dos albergues nas credenciais. Selos também podem ser obtidos nas prefeituras, nas igrejas e até nos bares do Caminho. Um dos mais bonitos selos é o do Monastério de Samos, no Caminho Francês.

Selos do Caminho
As Pedras
Milladoiros entre Ventosa e Nájera Foto: André Lacativa
Elas podem também ser colocadas em cima dos marcos de distancia ou simplesmente à margem do Caminho.
Pedras no marco do caminho, Caminho Inglês
Pedras no marco do caminho, Ventas de Narón, Galícia
Uma pedra simbólica é a levada pelos peregrinos de sua própria terra, para ser depositada na Cruz de Ferro, no alto de um dos Montes de Leon, o Monte Irago.
Peregrino depositando pedra na Cruz de Ferro, Monte Irago
Esta pedra simboliza os problemas, as coisas negativas que o peregrino deixa na cruz de ferro e daí pra frente ele começa a ser um novo homem, a ter uma nova atitude de vida.
A Pata de Oca
É uma figura muito antiga, uma runa dos povos celtas, significando um homem que eleva seus braços ao céu. É vista como símbolo da Trindade e Unidade de Deus e também representação da mão de Gargas, símbolo usados pelos antigos construtores das catedrais, para determinar a incidência da luz solar nos solstícios e equinócios e criar os jogos de luz conhecidos como milagres, e que ainda hoje encantam peregrinos e turistas.
Cristo na cruz tipo pata de Oca. Igreja del Crucifijo, Puente la Reina, Navarra
Muitos canteiros usaram esta marca para fazer gravações nas pedras em que trabalhavam e hoje estas gravações ainda podem ser vistas nas igrejas.
O jogo da Oca era muito popular nos tempos antigos e uma amostra dele é hoje vista no Caminho, perto da Igreja de Santiago, no chão da cidade de Logroño, capital de la Rioja.
Clinete Lacativa






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