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Posto 6 (Copacabana – Rio de Janeiro) x Saco do Mamanguá (Paraty) – PARTE II

Bem … Estávamos em Palmas e indo para a Praia Vermelha no outro lado da Ilha, certo??
O vento estava contra, mas não muito forte, nossa remada não rendia muito, mas também não tava fraca e assim íamos passando Abraão, e todas as praias e vilarejos de Ilha Grande que são voltados para o continente.

No caminho encontramos dois enforques, ou seja, lugares em que a ilha ficava bem fina e rasa e dependendo da maré da para passar entre as pedras. A outra opção seria remar 5 km a mais para contornar um braço de Ilha.

Canal formando entre duas ilhas. Ilha Grande à esquerda e uma ilhota à direita


Passar por essas pedras podia ser arriscado tanto para o barco, podendo danificar sua carcaça, quanto para nós dois. Um corte feito por coral podia facilmente deixar um de febre e estragar a nossa viagem. Mas era isso ou remar mais de 5 km.

Inicio dos corais

Do outro lado desse primeiro enfoque ficava a Lagoa Azul. Que lugar lindo. Mas, infelizmente é extremamente frequentado por barcos de turismo.

Para nossa felicidade e surpresa o outro enfoque era uma tal de Lagoa Verde, que só tinha uma lancha de turismo com poucas pessoas. Lindo!
Um momento engraçado da viagem: Perguntamos para o piloto da lancha se Praia Vermelha ainda estava longe e se no caminho tinha algum PF (Prato Feito), ele falou que não, que íamos passar por Araçatibae podíamos comer alguma coisa lá, e que Praia Vermelha ficava logo depois. Comentou que tinha visto a gente um dia antes em Palmas e perguntou se tínhamos vindo de lá. Quando falamos que não e que saímos de Copacabana, escutamos em coro um OHHHHHH dos gringos. Trocamos mais um papo com essa galera e continuamos nossa remada.

Parada pro PF em Araçatiba

Paramos para comer em Araçatiba como recomendado pelo Barqueiro, e seguimos viagem pensando em parar em Praia Vermelha, mas uma prainha nos convida. Ali tinha uma casa e fomos negociar com os donos se podíamos ficar na praia. De início a senhora que nos recebeu ficou meio desconfiada, mas logo liberou e disse que podíamos dormir na praia sem montar a barraca.

Praia onde dormiríamos mais uma noite.

Nossos vizinhos por uma noite.

Nessa noite tomei um susto quando fui pegar as comidas nos sacos estanques. Uma Coral saiu de um dos sacos que tínhamos deixado aberto enquanto arrumávamos os equipos. Na hora gelei por estar descalço e desprotegido, por um segundo tentei pegar na cobra para uma foto, mas ela escapou e fugiu. Que susto.

Na manha seguinte acordamos muito cedo. Queríamos aproveitar a maré e o vento e sabíamos que sair na madrugada era a boa e assim fizemos. Ainda com poucos raios, colocamos o barco na água e rapidamente deixamos Ilha Grande e passamos a encarar a Baía de Ilha Grande. Ficamos com o mar aberto do nosso lado esquerdo e mais de 10 km para qualquer terra firma que não fosse nosso ponto de partida. E assim cruzamos a Baía de Ilha Grande com destino ao Saco do Mamanguá.

Ainda na madrugada arrumando as tralhas no caiaque antes de sair de Ilha Grande

O cansaço que vinha se acumulando não deixava nossa remada ser tão forte, como as dos primeiros dias e progredíamos mais devagar e mesmo assim rendeu, pois o vento não atrapalhou e a maré ajudava. Começamos a ver os braços do continente com mais clareza, porém não sabíamos qual era o braço do Saco e o que era ilha ou continente. Brigamos um pouco com o mapa, até discutimos um pouco entre a gente, mas logo nos entendemos e arrumamos o nosso azimute. Passando pela Ilha do Algodão vi um incrível veleiro com velas brancas. Seria o veleiro que nossa anfitriã e amiga estava? Sim, era o veleiro que estava a Veronica e mais algumas remadas chegamos na casa dela.

O veleiro entrando no saco e iniciando as manobras para baixar a vela e navegar no motor.

Tínhamos Completado nossa viagem.

Veronica ainda sem acreditar que tínhamos completado a vigem e ainda estávamos vivos.

O Lugar é simplesmente lindo, um canto de mar com uma casa escondida no meio do mato, uma praia que hora vem e que hora vai e tudo em perfeita harmonia.

Casinha no meio do mato

Merecida Cerveja refrigerada por uma geladeira a gás.

Incrivelmente chegamos juntos, ela que saiu de veleiro de Paraty e nós que saímos de caiaque de Copacabana. Uma breve festa de chegada e desembarcamos, eles do veleiro com 50 pés e nós do nosso caiaque com pouco mais de 7m.

Ilha Grande x Saco do Mamaguá

No Saco do Mamanguá ficaríamos mais três dias.  A casa por dentro é ainda mais linda, alguma coisa bem rústica, outros diriam retrô. Uma casa atemporal.

Onde deixamos nosso barco por alguns dias.

Uma decoração sem muita intenção

Veronica veio no veleiro de uns amigos Norte Americanos que estavam indo para o Sul do Continente. Nos enturmamos e Veronica cisma em pôr a rede e com um dos meninos fui fazer a missão. Missão essa de caiçara que só saberíamos se daria certo no dia seguinte.

Indo por a rede.

Madrugamos na manha seguinte para retirar a rede e até que pegamos alguma coisa, mas foi na hora de comer que veio a surpresa, a carne não tinha um gosto muito bom. Nesse mesmo dia descubro a casinha de serviço com alguns arbaletes e material de mergulho e mesmo nunca tendo feito caça sub me arrisquei. Claro que não peguei nada, mas também já era fim do dia e o mar não ajudava.

O lugar não tem luz elétrica

No dia seguinte botei uma pilha forte na galera de subir o tal do Pão de Açúcar, uma montanha rochosa que fica no lado oposto da casa da Veronica. Eu já sabia que ali tinha uma via de escalada conquistada pelo Barão há muitos anos e queria ver de perto a montanha. Acabou indo só os 4 meninos, pegamos as canoas Caiçaras e atravessamos o saco até uma praia onde fica o início da trilha.

Pão de Açúcar do Mamanguá. Onde deve ser a via do Barão?

Simplesmente lindo novamente.

Lá de cima tínhamos uma visão privilegiada de toda a região e infelizmente a Usina Nuclear de Angra fazia parte do cenário.

Visual do Cume – Fundo do Saco

Sem saber onde é o inicio e o fim da via voltamos para casa, mas mesmo assim valeu muito apena esse rolê.

Canoa caiçara. Remar no nosso caiaque é mole comparado a isso.

Voltando a casa peguei novamente o arpão e dessa vez deu certo, peguei 7 peixes, os meninos mais uns 5 e o Vinil uma latinha 🙂 e assim garantimos mais uma refeição.

Garantindo a comida

Soneca. Observar o quadro vivo.

O próximo dia seria um domingo, o dia que combinamos com a mãe do Vinil de nos resgatar de carro em Paraty. Arrumamos as coisas com calma, nos despedimos e mais remada até Paraty. Foi bem mais rápido que imaginávamos. A igreja de Paraty ficava cada vez maior e quando menos esperávamos, estávamos virando o caiaque em comemoração por completar nossa TRIP.

Arrumando nossas coisas p/ a braçada final, Paraty. Esse lugar que o caíque esta é uma praia que vai e vem dependendo da maré e só é possível arrumar o caíque nesse lugar com a maré alta.

Partiu Party.

*Ae você pensa: Olha que viagem legal, os caras completaram a viagem tranqüilo*

Continua lendo.

Encontramos com a mãe do Vinil e com o Fil (amigo do Vinil), comemoramos muito a trip e enquanto arrumávamos os equipamentos de viagem no carro, o Fil e a Simone foram dar um rolé de caiaque.
Com todos muito felizes, demos início a nossa viagem de volta ao Rio, mas antes demos uma paradinha para comer alguma coisa.
Alimentados, agora sim partimos e decidimos ir pela Dutra sabendo que a Rio Santos estava em obra e costumava engarrafar.

Na subida da serra o carro ferve, enguiça e vamos durantes uns bons quilômetros parando e colocando água por percurso que ficava cada vez mais curto.

Nossa primeira parada das 7889.

Até que chegou uma hora em que ficou insustentável e o carro parou de vez. Chegamos a tirar o radiador do carro e foi nessa que descobrimos um buraco no radiador. A “colaepox” que seria para colar o caiaque em caso de acidente foi pro furo do radiador que não durou muito e arrebentou novamente.

Cola Epox em ação para tampar o “pequeno” buraco do Radiador

Fomos nos arrastando até a Dutra e já quase chegando na Av. Brasil a ElbaRover pediu arrego de vez.

Momento do ano. Um carro carregando um caíque e um caminhão carregando tudo.

Resumindo, começamos a viajar Rio x Paraty às 3 horas da tarde e só chagamos às 8 da manha do dia seguinte.

Isso sim foi uma aventura. Remar do Rio até Paraty é mole!!!!!

Valeu pelo Caiaque Miro

Valeu pela força Simone e Fil

Valeu pelos Mapas CEB

Valeu Kiko com os equipos da Sea to Summit, SUUM, Deuter e Princeton

Valeu Proativa por acreditar nas minhas doideras

Valeu Belas Pessoas que encontramos no caminho

Valeu Simone Duarte por me apresentar esse mundo

Valeu Veronica pela casinha

e

Valeu Vinil pela Parceria.

E aguardem o vídeo que o Vinil botou no forno.

Arquivado em: Deuter, Outros Esportes, Rafting, Sea to Summit Tags: Ilha Grande, Outros Esportes

3 Comentários em "Posto 6 (Copacabana – Rio de Janeiro) x Saco do Mamanguá (Paraty) – PARTE II"

  1. Lia disse:

    Parabéns pela aventura Arthur!! Aliás, a aventura de voltar para o Rio né!?!? Pq ir a Paraty foi uma super viagem maravilhosa 🙂 Tbm né, o detsino ajudou e mto!! haha!! Espero que esteja td bem aí!! Boas escaladas!! Bjos!

  2. Júlia disse:

    Uma casa no meio do mato e um veleiro,precisa de mais alguma coisa?
    Mesmo com o carro enguiçado a viagem foi PERFEITA.
    Parabéns. Abraço!

  3. […] This post was mentioned on Twitter by Elque Silva, AdventureZone. AdventureZone said: Bom dia galera do caiaque !! Segunda parte da viagem Copacabana x Paraty http://tinyurl.com/4j2eejw […]

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