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Peru 2010 / Parte 3 – Maparaju

Peru 2010 / Parte 3

Cabeça feita com a Esfinge. Super escaladão, uma montanha delirante, mas a viagem não estava nem pela metade e ainda tinha muito tempo e muita escalada pela frente.

Chegando a Huaraz, fui buscar informações sobre a galera do Rio. Passei no hotel e perguntei à recepcionista se ela sabia de dois casais. Ela me contou uma historia muito doida de um barraco no estilo novela brasileira. Tinha rolado um desentendimento entre as meninas e, conseqüentemente, o Russo teve que se separar do grupo. Acabou que os dois casais foram para o Pisco, só que, separados. Nesses dois dias que eu esperava os casais, a Andrea estava esquematizando o Maparaju com a Frida. Por algumas horas… algumas poucas horas, eu não sabia se esperava eles ou tocava com as meninas pro Maparaju. Acabei entrando na pilha das meninas e fui arrumar minhas coisas, pois o taxi iria passar cedo na minha moradia, na manha seguinte.

Para chegar ao Maparaju, você deve pegar um Taxi ate a porteira da quebrada Quilcayhuanca. Se você estiver com mulas, deve pagar 60 Solis para abrirem a porteira e você poder entrar e mais 60 para sair. Isso fora as mulas. Por esse motivo e na intenção de economizar um dinheiro, fomos sem mulas e bem leves. Depois da porteira, caminhamos até o fundo do vale, que bifurca virando outros dois vales. Devemos pegar o vale da direta. Ao todo são 14 km de caminhada e pode acampar em vários lugares, sempre perto do rio.

Bonito vale onde Montamos nosso Acampamento.

As meninas montaram uma barraca e eu fiz um Bivaque. Não perdemos muito tempo e fomos logo dormir, pois não teríamos dia de descanso e iríamos acordar às 00h para tentar o cume. O tempo estava bem estranho durante a madrugada e tínhamos pela frente uma caminhada de, aproximadamente, 4 horas, passando por trilha e morena até o glaciar. A visibilidade dificultou a montada no glaciar. Após algumas buscadas, finalmente trepamos no glaciar e o prévio conhecimento da Andrea ajudou muito a cruzar a parte baixa da montanha. Ainda com pouca luz, iniciamos os trechos verticais ate alcançar um colo. Chegando no fundo desse colo, estávamos na base de um trecho da montanha com a rocha exposta e um pouco mais vertical. Passando por esse trecho, decidi montar uma segurança para as meninas.

Passamos essa parte rochosa sem muitos sustos. Depois disso é que a montanha começou a querer me complicar de verdade. Eu só conseguia ver gretas, penitentes e passagens duvidosas. Tive que ir jogando com a montanha durante muito tempo, passando por pontes que estalavam em baixo do meu pé e a cabeça fritando. Em dois momentos, preferi montar a segurança das meninas, com estacas ou parafusos de gelo, para elas passarem pelas gretas. Em um deles, teve ate uma situação bem engraçada: Fridoca, sem muito costume com glaciar, ficou parada em cima de uma ponte finíssima, escutando ela estalar e chamando por Deus e eu desesperado gritei para ela : “Sai logo daí loca… que isso não tem nada a ver com Deus não!!! Ta mais pra coisa do Diabo!!! Anda logo…”   J

Após estar com a cabeça cansada de jogar com as gretas e contornar os penitentes que tinham quase meu tamanho, vi uma crista bem perto. Pronto, CUME!!!!!! Às 11:30, chegávamos ao cume. Era felicidade na cara de todo mundo. Andrea, amarradona, fechando com chave de ouro sua temporada no Peru; Frida Loca não tinha congelado os pés e aprendendo um montão com a galera e eu levando pra casa mais um 5 mil.

Cume estampado na cara

 

Frida e sua bota de treking… afirmava que não teve problema nenhum com ela e não sentiu nada. Eu também não estaria sentido nada, não estaria sentido o dedão, nem o mindinho, se muito o calcanhar!! :) Melhor ainda é o Crampon automático nessa bota. Só Frida mesmo.

Descemos da montanha e Andrea queria correr pra Hatunmachay e aproveitar mais alguns dias de escalada em rocha. Fridoca, guerreira, casca grossa, nunca vi uma mulher tão forte e tão atirada, planejava outra montanha e eu tinha que achar o grupo que abandonei por mais 3 dias.

Chegando novamente em Huaraz, procurei os casais no hotel. Só fui achar mais tarde e por acaso na rua, o Junior e a Nuria. Ele me contou o que tinha rolado e que tivemos uma baixa na equipe: o Russo não estaria mais escalando com a gente. Começamos a planejar nossa escalada e escutamos as dicas do Nicolau e da galera local. Eles falavam que o 6 mil da temporada, era o Toclaraju e que, na mesma quebrada, tinha outras montanhas bem factíveis. É bom escutar a voz da experiência e planejamos nossos próximos dias para a Quebrada Ishinca. Porém, a Nuria teve uma infecção estomacal que nos segurou por mais alguns dias em Huaraz.

por Arthur Estevez

Arquivado em: Escalada, Montanhismo

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