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Viagem ao Monte Roraima – parte 1

Hei de descrever tudo isso com vagar e, sobretudo pintar com ternura as noites deliciosas, quando, após a fadiga de dias laboriosos, deitávamos no alto capim vizinho à floresta, admirando, deslumbrados, as aves estranhas e os animais desconhecidos que saíam sorrateiramente de suas tocas para observar-nos ao mesmo tempo em que, olhando para os céus e contemplando sua abóboda profundamente azul, víamos também os galhos das árvores e, entre eles, apetitosos frutos e lindas, lindas flores exóticas.
 Queira Deus que eu possa, igualmente, falar das noites, prolongadas noites em que nos deitávamos em barcaças deslizando no lago com os olhos fixos naquelas águas mágicas, vislumbrando em seus reflexos o súbito mergulho de um monstro fantástico ou o súbito brilho verde-lume que ao longe, em meio à escuridão, era emitido por alguma criatura. Não, jamais esquecerei essas cenas maravilhosas, que um dia registrarei com tinta e papel.
O Mundo Perdido, Arthur Conan Doyle
Nascer da lua cheia no Monte Roraima

Nascer da lua cheia no Monte Roraima

As montanhas localizadas ao norte da América do Sul conhecidas pelos índios locais de etnia Pémon como Tepuis, são as mais antigas do planeta. Começaram a surgir a 1.8 bilhões de anos em um processo sedimentar que foi alimentado por várias camadas de areia que foram comprimidas e cimentadas durante sucessivas mudanças climáticas, formando um imenso platô que alcançava 3 km de espessura.
Rio Kukenan e Montes Kukenan e Roraima

Rio Kukenan e Montes Kukenan e Roraima

 Com a separação do megacontinente Gondwana causada por forças tectônicas o platô se quebrou em diversos lugares, formando centenas de platôs menores, que com a influência de milhões de anos de erosão ficaram distantes uns dos outros, sendo que o mais conhecido e de maior altitude é o Monte Roraima, local que tive a oportunidade de conhecer no início de 2010, como premiação a um concurso fotográfico ao qual me sai vencedor.

Mapa de Gondwana

A evidência mais contundente da teoria de Gondwana é a composição mineral idêntica em rochas do Saara Ocidental e do Monte Roraima.
Aldeia Paratepui e Tepuis Ilú, Tramen, Karaurin, Wadakapiopué, Yuruani, Kukenan e Roraima

Aldeia Paratepui e Tepuis Ilú, Tramen, Karaurin, Wadakapiopué, Yuruani, Kukenan e Roraima

São 9 os Tepuis localizados a sudeste do Parque Nacional Canaíma na Grande Savana, cordilheira que se extende por 50 km no sentido oeste/leste e mais de 70 km no sentido norte/sul acompanhando a fronteira da Venezuela com a Guiana, são os mais altos da região e fazem parte do Grupo Roraima. São eles:
Ilú e Tramen ambos com 2700m, Karaurin com 2500m, Wadakapiopué com 2000m, Yuruani ou Iwarkarima com 2400m, Kukenan ou Matawi com 2650m, Roraima com 2735m – altitude do Marco Tríplice e Uei com 2150m localizado a 25 km ao sul do Monte Roraima.
O 9º Tepui (Wei Assipu também conhecido como Roraiminha com 1972m) está ao leste, bem ao lado do Monte Roraima, já no território da Guiana.
É um lugar especial, diferente de tudo que tinha visto em outras montanhas. No cume, milhões de anos de erosão causados pela chuva e vento, criaram formações rochosas curiosas que lembram seres pré-históricos que mexem com a imaginação de todos que visitam esse fantástico lugar.
Rocha conhecida como El Diablo

Rocha conhecida como El Diablo

 Formações que via como se fossem guardiões de um tesouro, tesouro esse que são os milhares de espécies de plantas, algumas originadas a 140 milhões de anos, que só existem nos Tepuis.
Arquivado em: Montanhismo, Trekking, Viagem Tags: Flávio Varricchio, fotografia, Monte Roraima, Trekking

7 Comentários em "Viagem ao Monte Roraima – parte 1"

  1. Rapaz, mas que emoção ver as tuas fotos e texto, mas não deve ser nem de longe aquilo que aocntece quando estamos lá! Isso é muito, mas muito forte mesmo…
    Continue postando mais e mais, porque deves ter MUITO o que passar e dizer, além do que ninguém será o mesmo depois de uma viagem dessa!!!
    Grato pos compartilhar conosco desta experiência.
    Abraços
    Renato Rizzaro

  2. Obrigado Renato,
    Seria muita pretensão de um fotógrafo dizer que suas fotos passam a dimensão do que é estar em um lugar,seja ele qual for.
    Com certeza é forte a sensação de presença,ainda mais quando o lugar mexe com o imaginário,como foi o meu caso que durante vários anos tive esse sonho de conhecer as terras de Macunaimá.
    Continuarei postando,pode deixar,esse texto do Roraima tem mais duas partes,uma que trata da flora/fauna e outra dos índios.
    Abraço.

  3. Vinicius Parisi Jr disse:

    Flávio,

    Essa viagem faz parte dos meus planos para o próximo ano… agora mais do que nunca!

    Parabéns pelas fotos, pela forte sensação transmitida através dos relatos da viagem.

    Abraços,

  4. Obrigado Vinicius
    Faça essa viagem, o Roraima é encantador, diferente de tudo que vc já viu em outras montanhas, um mundo a parte.

  5. Miriam Chaudon disse:

    Poéticas palavras emolduradas por belíssimas fotografias!

  6. Telma Pizzolio disse:

    Está nos meus planos conhecer o Monte Roraima. Encantada com as fotos e o texto.

  7. Obrigado Telma, vá ao Roraima, ela é uma montanha diferente de todas as outras, sem dúvida uma viagem inesquecível.

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