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Montanhismo no Elbrus, um breve histórico

Se localiza na região do Cáucaso, na região de Kabardino-Balkaria, na Rússia, a vinte quilômetros ao norte da cordilheira principal do Grande Cáucaso e a 65 km sul-sudoeste da cidade russa de Kislovodsk, uma região de fronteira entre a Rússia e a Geórgia. Ambos os países formavam a antiga URSS, mas agora são estados absolutamente independentes.

Localização do Elbrus na Europa. Imagem Google Maps

 

As montanhas do Cáucaso são o resultado de colisão de duas placas tectônicas, a placa arábica movendo-se para o norte com relação à placa eurasiana. Elas formam uma continuação do Himalaia, que está sendo empurrado para cima por uma colisão similar entre as placas eurasiana e indiana. Toda a região é regularmente sacudida por fortes terremotos oriundos dessa atividade.

O Cáucaso, junto com os Urais, por convenção histórica unicamente (e sem base geográfica), é considerado a fronteira entre a Europa e a Ásia. O artificialismo da fronteira em um contexto geográfico é exemplificado pelo fato de a parte setentrional do Cáucaso freqüentemente ser considerada como localizada na Europa, e a parte meridional na Ásia. O monte Elbrus, com 5.642 metros acima do nível do mar, está assim situado na Europa, sendo o seu ponto mais elevado. É ainda o 10º monte de maior proeminência topográfica no mundo.

O monte Elbrus é um vulcão extinto e possui forma de cone, formado pelo magma extravasado. Sua última erupção foi no ano de 50 dc. Possui uma cratera com diâmetro que varia de 300 a 400 metros, atualmente cheia de gelo e neve. Seu pico com neves eternas alimenta 22 glaciares que por sua vez, dão origem aos rios Baksan, Kuban e Malka.

Vista do Elbrus da vila de Tyrnyauz. Foto de Valeriy Dudush – Panoramio

 

O Elbrus possui 2 cumes principais, o cume Ocidental, com 5.642,7 metros e o cume Oriental com 5.621 metros de altitude. O colo entre os 2 cumes esta a 5.416 metros. A Área de Glaciações, são mais de 50 glaciares, possui em torno de 144 km quadrados. A linha de neve (em agosto), fica por volta dos 3.400 metros.

Breve História do Montanhismo no Elbrus

Na Antigüidade, o monte era conhecido como Strobilus, e a mitologia grega situava lá o local onde Prometeu fora acorrentado.

Balkaria, vista próxima da vila de Tyrnyauz, a caminho do Elbrus. Foto de Valeriy Dudush – Panoramio

 

Primeiras Ascensões
O cume Leste foi escalado pela primeira vez pelo guia kabardiniano Killar Khashirov em 1829, que estava trabalhando para uma expedição científica do exército russo. Em 1868, os britânicos Douglas Freshfield, Adolphus Moore e Charles Tucker, fizeram várias incursões no Cáucaso, incluindo uma ascensão, provavelmente a segunda, do pico Leste do monte Elbrus, a a primeira ascensão do pico Kasbek (5.047 m).

O cume Oeste, ligeiramente mais elevado, foi subido somente em 1874 por um guia balkariano, Akhia Sottaiev, que estava trabalhando para um grupo de 3 ingleses, Adolphus Moore, Florence Crauford Grove, Horace Walker e Frederick Gardiner e um alpinista suíço, líder da expedição suíça, Peter Knubel.

Monte Elbrus visto do monte Cheget. Foto snowmountains.org

 

No final do século 19 o famoso topógrafo do exército russo Andrei Pastukhov, realizou várias tentativas de alcançar o cume. Sua incapacidade de se aclimatar rapidamente derrotou suas tentativas iniciais. As rochas a 4.960 m, perto de onde ele foi forçado a acampar em uma de suas tentativas, foram nomeadas em sua homenagem em memória de sua contribuição para o conhecimento da montanha.

Em 1929 uma pequena cabana foi construída em 4.160 metros e foi chamada Priut 11 (o refúgio dos 11), o nome dado devido a um grupo de 11 cientistas que já haviam usado este local como sua base. O nome pegou, e em 1932, um homem de quarenta anos construiu a “Priut 11” no mesmo local. No ano seguinte, uma pequena cabana foi construída no Colo (“The Saddle”) entre os dois cumes, a uma altitude de 5.350 metros. As cabanas foram logo sobrecarregadas com alpinistas, e os próximos anos deveriam ser a era de ouro do alpinismo ao estilo soviético para as massas.

Elbrus visto do lado norte, que é muito menos visitado do que o lado sul. Foto: flying_naffie – summitpost.org

 

Durante os primeiros anos da União Soviética o alpinismo tornou-se um esporte popular, e houve um tremendo tráfego de pessoas no Elbrus. O inevitável aconteceu em 1936 quando um grupo enorme de jovens e inexperientes membros do Komsomol (juventude comunista), tentaram a ascensão invernal do Elbrus. No inverno, os ventos sopram toda a neve em pó soltos nas encostas mais altas da montanha, deixando grandes áreas de gelo exposto. Descendo em boas condições climáticas, parte do grupo escorregou e derrubou um após o outro membro da equipe como boliche. Muitos “alpinistas” morreram naquele dia, deslizando e rolando sobre as geladas encostas até despedaçarem-se nas rochas de Pastukhova.

Planos para construir um hotel futurista resultaram em uma grande cabana metálica de três andares, que foi finalmente concluída em 1939, no local da anterior Priut 11. A concepção e construção da cabana foi supervisionada pelo arquiteto e alpinista Nicolas Popov, com o apoio de Fernando Kropf, um austríaco que se instalou na União Soviética e depois tornou-se o chefe do Serviço de Resgate Soviético. A cabana podia acomodar cento e vinte e visitantes, havia eletricidade, com vidros duplos e totalmente à prova de intempéries.

O abrigo “The Barrels” e os cumes Oeste e Leste do Elbrus. A rota está marcada com linha pontilhada. Imagem: elbrus.org

 

A União das Repúblicas Socialistas Soviética (URSS) encorajou as ascensões do Elbrus, e em 1956 ele foi escalado “em massa” por 400 alpinistas para marcar o 400º aniversário da anexação da Kabardina-Balkaria, a república socialista autônoma onde se localizava o Elbrus.

Invasão Alemã

 
Durante a Segunda Guerra Mundial, os alemães, desesperados por combustível, colocaram todos os seus esforços para atacar o outro lado do rio Volga, aonde estavam os ricos campos petrolíferos do Mar Cáspio. Em meados de agosto de 1942, as suas forças alemãs haviam ocupado todos os territórios ao norte do Vale do Baksan e foram gradualmente tomando os vales de montanha no Cáucaso ocidental.

Teleférico na estação. Cada um dos dois carros pode transportar até 25 passageiros. Imagem: elbrus.org

 

Em 14 de agosto de 1942 14, uma unidade da divisão alpina alemã, “Edelweiss”, sob o comando do Capitão Grod, atravessou o passo Khotiutau, a quatro mil metros de altitude, vindo de oeste e inesperadamente chegaram na Priut 11.

Os alemães disseram para alguns dos ocupantes da cabana que a resistência era inútil e ofereceu-lhes uma chance de sair sem obstáculos, após uma breve ajuda que eles deveriam oferecer. Logo a suástica estava tremulando sobre o cume do Elbrus. Histórias confusas contam de um “bombardeio” heróico do Priut pelos russos, no qual o piloto teria sido condecorado por sua realização. Foi sugerido que ele deveria ser condecorado novamente quando foi descoberto que na verdade ele tinha apenas abatido a loja de combustível a uma curta distância da cabana que não foi danificada. Outros afirmam que tal ataque não ocorreu, que era apenas um truque de propaganda.

O abrigo “Garabashi huts” visto do alto. Imagem: elbrus.org

 

A verdade provavelmente nunca será conhecida, porém no inverno de 1942, os alemães foram finalmente expulsos e encaminhados para Stalingrado através do Volga. Suas forças se retiraram da área do Elbrus em 10 de janeiro de 1943 até meados de fevereiro, a bandeira soviética foi reestabelecida no cume do Elbrus.

Teleférico Elbrus
No período de 1959 a 1976, o teleférico Elbrus foi planejado e construído seção por seção. O ponto final da Estação Mir para Priut 11, nunca foi concluída, embora um teleférico que funciona intermitentemente leve os visitantes até Garabashi a 3.800 metros, de onde snow-cats podem estar disponíveis para levá-los a altitudes maiores. O teleférico, abriu as encostas mais baixas ao sul da montanha para esquiadores, que muitas vezes esquiam acima de Garabashi nas tardes do verão. O sistema de teleférico também abriu a montanha para um grande número de “alpinistas”, muitos dos quais mal equipados, inexperientes, e muitas vezes fisicamente mal preparados. Muitas dessas pessoas falharam e muitos acidentes ocorreram.

Nos últimos anos, muitos turistas e organizações comerciais utilizam um hotel no Vale de Baksan como base para a aclimatação de dois ou três dias antes de subir para a Priut 11 (Diesel Hut) ou para Garabashi (“tambores”). Eles, então, ficam lá por vários dias até fazer incursões nas encostas do Elbrus, na esperança de que eventualmente possam estar aptos e ambientados o suficiente para fazer o ataque ao cume.

Priut 11 e Diesel Hut
No dia 16 de agosto de 1998, um grupo de alpinistas estavam cozinhando uma refeição na “Priut Odinatsaty”, a cozinha da Priut 11, uma cabana de montanha, às vezes chamado de mais alto “hotel” do mundo. Embora possua alojamento para 120 visitantes, a cabana só tinha uma pequena cozinha apertada, com um fogão a gás com quatro bocas. Devido a isto, os alpinistas estavam usando seu próprio fogão.

Ski lift no Elbrus. Foto snowmountains.org

 

Talvez por falta de sorte, este saiu do controle e no pânico que se seguiu, alguém pegou um recipiente próximo, do que se pensava ser água e despejou-o no fogão. O líquido que estava no recipiente não era água, mas sim combustível. No incêndio, o resultado foi que várias pessoas sofreram ferimentos leves, mas uma pessoa que se atirou de uma janela no piso superior, após quebrar o vidro, caiu e ficou gravemente ferida. Assim, a Priut 11, depois de cinqüenta e nove anos de serviço chegou ao fim. Tudo o que restou foi o esqueleto da estrutura metálica principal.

Agora a Priut 11 é apenas uma memória distante, apenas suas ruínas carbonizadas podem ser vistas, e se encontra cercada por pilhas de lixo. Ainda é possível encontrá-la facilmente, seguindo a linha de postes de cabo elétrico.

No verão de 2001, a primeira etapa básica da construção de uma nova cabana logo abaixo das ruínas da Priut 11 foi concluída. Esta foi construída sobre as ruínas do reservatório de combustível para os geradores de energia da Priut 11. O nome dado para a cabana é “Diesel Hut”, e embora não seja tão grande como a Priut 11, agora fornece uma excelente base para a subida do Elbrus.

Rotas do Monte Elbrus
Existem várias rotas até o topo, mas a atual Rota Normal, que não tem gretas, é possivelmente a mais fácil e segura, e certamente a mais rápida por conta do sistema de teleférico. Durante o verão, não é raro ver até 100 pessoas por dia tentando alcançar o topo por este caminho. A escalada não é tecnicamente difícil, mas é árdua fisicamente devido à altitude e aos ventos fortes. Existem rotas mais difíceis que são raramente subidas pela falta de informação disponível.

A subida começa partindo de baixo da estação de teleférico Mir e ruma para oeste sobre as encostas do glaciar até o passo Khotiutau. Antes de chegar ao passo, é escalado o esporão sul do Kiukurtliu Cupola, para depois chegar a um colo glacial amplo a 4.912 metros de altitude, o topo do esporão Sudoeste. Depois é realizada uma travessia para o norte para chegar ao fácil esporão Noroeste, através do qual o cume é alcançado. Uma expedição envolve em torno de três noites de acampamento, e as equipes precisam de corda, piolets e crampons.

A escalada do Elbrus partindo de outras direções é possível, mas é mais difícil devido à falta de estruturas permanentes de altitude. O britânico Douglas Freshfield sempre defendeu que uma rota partindo do leste acima do vale Iryk, glaciar Irykchat e sobre o passo Irykchat (3.667 m) para os campos de neve abaixo das rochas do esporão Leste, seria a aproximação mais curta e mais usada. Mas a cabana construída há muito tempo no lado Norte da passagem Irykchat está destruída, e em qualquer tentativa, se torna necessário montar pelo menos dois acampamentos no caminho.

Escaladas remotas incluindo as encostas Nordeste são realizadas a partir do planalto de gelo Jikaugenkiez, e das proximidades do passo Buruntash pelas clássicos glaciares do lado Norte, onde o ângulo médio é maior do que nas encostas Leste e Sul. Existem rotas partindo de Oeste (Khurzuk), o esporão Noroeste partindo do passo Batkbashi é bastante simples, enquanto que outras rotas diretas a partir do vale do glaciar Kiukurtliu são mais complicadas. Até recentemente permissões são necessárias para tentar estas subidas.

 

Ruinas da Priut 11. Foto snowmountains.org

 

Fontes de pesquisa:
www.elbrus.org  http://
www.summitpost.org/mountain/rock/150255/mount-elbrus.html
pt.wikipedia.org/wiki/Monte_Elbrus
www.elbrus1.com
www.elbrus.net
Livro: Unjustifiable Risk?: The Story of British Climbing, de Simon Thompson

Por Beto Joly, especial para Adventure Zone e iMontanha

Arquivado em: Escalada, Montanhismo

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