
Sempre adorei a natureza, aventuras, novas experiências (voar de balão e de asa-delta, saltar de pára-quedas, mergulhar, esquiar)… Em 1998, ainda em São Paulo, fiz um curso de escalada, com o instrutor Ruy Fernandes. Treinava no muro da academia Jump. Mas foi só quando me mudei para o Rio, em 2001, que virei montanhista. Conheci novos amigos e, com eles, comecei a escalar pra valer, em rocha, e a fazer trilhas pesadas. O “bichinho” das montanhas me pegou!!! Em novembro do mesmo ano, depois de um treinamento intensivo, fui para o Aconcágua, com o Gustavo Telles, Aníbal Sciarretta e Emanuel Nunes Silva. Uma experiência e tanto!! Passei a treinar na Limite Vertical, e com o Flávio Carneiro, fiz algumas escaladas marcantes, como o K2 do Corcovado.
Então, no final de 2002, me casei com o Joffre Telles de Almeida – meu grande companheiro, montanhista experiente. Desde então, temos vivido muitas aventuras, escalando e fazendo trilhas em altas montanhas.
Como treinamento, já que o paredão exige muito esforço e técnica, ele me levou para treinar em algumas vias mais verticais – por exemplo, a IV Centenário, na Babilônia. Em paralelo, peguei firme na academia, malhando todos os dias. E, finalmente, lá fomos nós!!!!! No dia 13 de agosto de 2009, realizei o tão sonhado projeto!
Conte-nos como foi escalar a via, teve algum momento em que você achou que não iria conseguir?
Marina: Foi a via mais difícil de todas as que escalei – e também MARAVILHOSA! Logo na primeira enfiada a gente enfrenta o crux: uma passagem difícil, delicada, em que cada passo tem que ser pensado … Eu olhava, e não via nem uma agarrinha, uma fendinha… nada onde pudesse firmar a mão ou o pé! A desvantagem de ser baixinha (1m53) é que muitas vezes é impossível alcançar um apoio que, para outros escaladores, é o melhor. Escorreguei várias vezes, mas o Flávio estava atento na segurança, e eu voltava para a pedra, procurando o jeito de vencer o lance. E assim fui tocando pra cima… Em alguns pontos, o esforço era tamanho que quando eu parava em um grampo minhas pernas tremiam, da força exigida. Adrenalina total!
Resolvemos emendar a Italianos com o Secundo, que já é mais tranqüilo, e nos últimos 20 metros subimos pelo cabo de aço, pois já estava escuro. A sensação de pular a gradinha lá em cima e me ver no pátio do bondinho, onde o Joffre (que subiu pelo Costão) me esperava… é indescritível! Meu Deus, que alívio e que felicidade!!!!! Uma emoção tão grande que nós dois chorávamos, abraçados.
Alguém perguntou onde eu tinha ferido a perna, que estava sangrando. Eu nem sei onde foi… Assim como as pontas dos dedos machucadas, os pés doendo das sapatilhas, a exaustão… tudo desaparece quando você se vê na pedra, sente a sua energia. Quando se prende numa parada e contempla a vista magnífica: o mar, as ilhas, as montanhas, a floresta. Quando enfrenta mil desafios…….. e chega ao cume!!! Como sempre digo… nós, montanhistas, somos seres privilegiados!
Serei eternamente grata ao Flávio pelo presentão dessa escalada! À Marcela e Rodrigo, grandes amigos e escaladores, que subiram pela via ao lado, a “Cavalo Louco”, ele guiando e ela fotografando tudo. Valeu também a companhia do Pablo, argentino que está conhecendo as montanhas do Rio.

Marina: O próximo projeto? Escalar a Agulha do Diabo, esse monumento de pedra mágico e misterioso, no PNSO. Sei que vai ser difícil enfrentar a trilha até a base, realmente longa e pesadíssimo. Depois, serão as chaminés, e o tão falado “cavalinho”, um lance super exposto. Mas já imagino que sensação chegar àquele cume!!!……..
Qual o seu recado para as outras escaladoras?
Marina: Meu recado? Não fique sonhando… Corra atrás dos seus sonhos!!!!!!!!!!!!!!!!
A vida está aí para ser vivida intensamente. Não importa a idade! Mesmo que o seu corpo já não tenha a mesma força e resistência de antes, a cabeça da gente é sempre jovem. Sempre haverá um desafio para ser enfrentado — e não há nada melhor do que superar os nossos limites e vencer!
Abraços da Yuri!





