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Kurt Albert. O inventor do ‘Rotpunkt’

Kurt Albert (Alemanha, 1954), Professor de Matemática e Física, faz parte da história do montanhismo não apenas como o criador do Rotpunkt e da escalada livre, mas por ter estendido esse conceito em várias áreas de escalada e montanhismo.

Na rota “El Purgatorio”, na Venezuela. Foto kurt-albert.de 

 

O simples fato de começar a pintar em 1975, um pequeno ponto vermelho na base das vias, que conseguia escalar sem quedas e sem apoiar nas proteções, em pouco tempo revolucionou a forma de entender a escalada no mundo inteiro e provocou o surgimento da modalidade esportiva como a entendemos hoje. 

Fortemente marcado pelo arenito do Elbsandstein, seus escaladores e suas regras escritas (não usar equipamento móvel metálico, como nuts ou friends, apenas nós embutidos nas fendas, não usar de magnésio, não colocar mais do que duas costuras a cada oito metros…), Kurt Albert desenvolveu a idéia do rotpunkt (red point) em Frankenjura e foi colecionando metas na forma de graduações: Exorzist (7a) em 1976, Santanz (7b+) em 1981, Magnet (7c) em 1982. Foi uma década importante no desenvolvimento da escalada esportiva. Frankenjura se tornou um centro de peregrinação contínua dos melhores escaladores do mundo, e os mais influentes na época. Pela casa de Kurt e Wolfgang Güllich, com quem viveu por vários anos até seu acidente fatal em 1992, passaram Ron Kauk, Jerry Moffatt, Ben Lua, Henry Barber, Stefan Glowacz, entre outros. 

Em 2000, na Ilha Baffin, Canadá. Foto kurt-albert.de

  

Da escola para as grandes paredes

Sua primeira viagem a Yosemite, em 1977, e o encontro com Ron Fawcett, Peter Livesey e Ron Kauk também devem ser entendidos como uma influência chave, não para o rotpunkt em si, mas sim para o que viria depois e o que ele chamou de seu “desafio máximo”, encontrar grandes rotas que oferecessem o potencial da escalada em livre. Em 1986, sua liberação para a via dos suiços (7b+), Cima Ovest e a Brandler-Hasse (7a+), Cima Grande, nas Dolomitas, foram um prenúncio de sua exportação da escalada livre de dificuldade e o red point nas grandes paredes alpinas do mundo.

Cume da ‘Nameless Tower’ – Karakorum. Foto kurt-albert.de

 

Em 1988, a Eslovena na Trango Nameless Tower, seguiu o caminho das anteriores (7a+). Um ano depois, na mesma montanha, abriu juntamente com Wolfgang Güllich, Christof Stiegler e Milan Sykora, Eternal Flame (7b+/A2). Em 1991 foi a vez de Riders on the Storm (7c/A2) da Torre Central del Paine, com Bernd Arnold, Norbert Bätz, Peter Dittrich e Wolfgang Güllich. Em 1995, Royal Flush (7c), no Fitz Roy, com Bernd Arnold, Jorg Gershel e Lutz Richter.

Em 2006, 2008 e 2009, Kurt esteve na Venezuela, onde abriu novas vias, a primeira ascensão do “Castillo-Tepuis”, com a via “El Nido del Tirik Tirik” (7b/450m), outra rotas no Monte Roraima, como “Stairway to Heaven”, “Hotel Guácharo” (7a+/550 m).

Escalada livre

Mas Kurt nunca tentou proclamar-se o novo profeta da escalada. Ele explicou que sua proposta não deveria ser vista como um dogma, como uma filosofia, mas simplesmente como uma nova maneira de escalar as rochas que poderia ser utilizado em todas as modalidades da escalada. Nem imaginava o alcance posterior do rotpunkt em todas as paredes de escalada do mundo.

 
‘El Nido del Tirik Tirik’ – 7b / 450m – Venezuela. Foto kurt-albert.de

 

Quando com 14 anos de idade, começou a escalar e ficou chocado porque os escaladores a sua volta só estavam interessados em subir, não importando como se faria. Por esta razão o rotpunkt surgiu. Inspirado nas regras de Elbsandestein, em Frankenjura surgiu a idéia do que hoje entendemos como “encadenar”, ou seja, escalar guiando sem cair e sem descansar nas proteções e nem precisar de ajuda das mesmas para subir. Paradoxalmente, Kurt fugiu das regras e muito mais para defini-las. A escalada deve ser “livre”, não uma atividade sujeita a regras que limitam a criatividade.

Kurt junto a seus companheiros na Venezuela em 2006. Foto kurt-albert.de

 

Em qualquer caso, a escalada, livre e esportiva, indoor e na rocha, deve quase tudo para Kurt Albert e esse gesto inocente, que consistia em pintar um ponto vermelho em 1975 sob a via Maria Schrott Gedächtnisweg (6a). Em 26 de setembro, Kurt sofreu um grave acidente quando escalava uma via ferrata, caindo 18 metros, ele estava guiando, junto com 2 outros montanhistas, em um grupo de 17 escaladores. Os sites alemães noticiaram que Kurt Albert morreu dia 28 de setembro, depois da queda.

Royal Flush (7c), no Fitz Roy. Foto kurt-albert.de

 

 Por Beto Joly com informações de desnivel.com, kurt-albert.de

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