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Graduação de escalada Alpina

Salve galera….

Nesses últimos anos que venho colaborando com o Adventure Zone, escrevi muito sobre alta montanha e o montanhismo nevado em minhas viagens, mas percebi que cometi uma falta em não passar um conhecimento técnico para vocês.

A graduação do Alpinismo. Vou manter a nomenclatura de Graduação do Alpinismo, pois a mesma surgiu com as necessidades dos montanhistas nos Alpes e passamos a aplicar em todo o mundo.

No Brasil, temos uma graduação excelente para escalada em Rocha. Acredito que seja ate melhor do que aquelas utilizadas lá fora, mas como não temos a necessidade de uma graduação própria para o montanhismo nevado, isso acaba passando despercebido. Então neste post vou tentar explicar como funciona essa graduação.

Graduação Geral (Global)

 

A Graduação Geral do alpinismo estima, primeiramente, as dificuldades máximas encontradas e a continuidade dessas dificuldades, tanto na subida como na descida. Leva-se em consideração, também, a altitude, o tempo necessário e a complexidade do itinerário. A escala vai de F (Fácil) a ED (Extremamente Difícil).

• F: Fácil;
• PD-, PD, PD+: Pouco Difícil
• AD-, AD, AD+: Algo Difícil
• D-, D, D+: Difícil
• TD-, TD, TD+: Muito Difícil (do Frances: très difficile)
• ED-, ED, ED+: Extremamente Difícil

Faz algum tempo, utilizávamos o ABO (Abominável) para vias mais difícil que ED+; porém, hoje passamos a utilizar ED1, ED1+, ED2…. ED7….

Graduação do Compromisso

 

A Graduação do Compromisso é uma maneira de estimar o grau de perigo que o escalador se encontra, caso um problema surja. Consideram-se numerosos critérios que são muito subjetivos. Entre os critérios mais importantes, se considera a distancia até a “civilização” (Refugio, estrada etc.), se é possível descer por onde subimos, se existe a possibilidade de fuga e/ou abandono e sua dificuldade, altura………

• I : O itinerário é curto e rápido. Sempre perto de um vale, um refugio, ou um meio de elevação, um resgate seria rápido e poderia ser realizado em condições climáticas adversas. É possível descer a qualquer momento. As cascatas de gelo, bem equipadas, podem ser graduadas como CI.

• II : O itinerario é mais largo (aproximadamente 4h) e acontece um pouco mais distante de algum vale, refugio ou meio de elevação. Porém, sempre é possível voltar durante a ascensão.

• III: O itinerário necessita mais de meia jornada (mais do que 4 horas) e não acontecem perto de vale, refugio ou meio de elevação. Nem sempre é possível ser visto pela civilização. A retirada é possível, porem delicada. Em caso de mau tempo, o resgate pode ser complicado.

• IV: O itinerário requer um dia inteiro. Nao é possivel subir diretamente desde um vale ou refugio e não existem meios de elevação. O percuso é longo e em geral não é visível desde a civilização. A retirada é delicada e pode haver um ponto sem retorno. Em caso de mau tempo o percurso pode se tornar perigoso e o resgate impossível.

• V: O itinerário é largo e requer de 12 a 24 horas de esforço. O acesso é difícil. A retirada é delicada desde o principio. Rapidamente não será possível dar meia volta. As escapatórias são poucas e delicadas. Em caso de mau tempo, lesão, ou qualquer outro problema, os escaladores ficarão sós para voltar à civilização.

• VI: O itinerario é largo e pode demandar varios dias. A aproximação também é larga e delicada. A própria fuga é uma rota alpina. escapatória . É exigida uma total autonomia da cordada, mesmo em momentos difíceis.

Dificuldade na Neve

 

A inclinação máxima é um bom resumo das dificuldades em neve, mas também convém saber o quanto larga é a inclinação descrita. Por exemplo: 45º durante 800m de desnível ou 60º durante 50m.

Graduação no gelo

 

A graduação em cascata de gelo leva em consideração uma quantidade de fatores incluindo a inclinação, o tamanho das partes mais em pé, a configuração do gelo (cortina, pilar, goulotte) e quanto técnico é o gelo (espessura, gelo areado, compacto…).

• Grau 3 : Escalada de inclinação moderada (<75°) com numerosas projeções. O gelo é espesso e compacto.

• Grau 3+ : Igual ao grau III, porém um pouco mais inclinado (até 80°).

• Grau 4 : Escalada com uma parte mais inclinada (<85°) que pode chegar até uns 10m de altura. O gelo é espesso e compacto.

• Grau 4+ : Igual ao grau IV porém a parte inclinada pode ser quase vertical e maior, até uns 15m.

• Grau 5 : Escalada com um trecho vertical de uns 20m. O Gelo começa a ser mais areado e a tomar formas particulares. Em Cascata de gelo, formam-se colunas penduradas.

• Grau 5+ : Escalada com uma seção vertical de uns 30m. A escalada torna-se bastante técnica.

• Grau 6 : Escalada com uma seção vertical de 40 a 50m. A escalada é técnica e o gelo pode ser particularmente areado.

• Grau 6+ : Escalada totalmente vertical que, inclusive, pode oferecer alguns negativos. Por exemplo, para passar de una cortina a outra.

• Grau 7 : Escalada extrema. Muito vertical, pode ser negativa durante vários metros. A técnica necessária é bem parecida com aquelas dos escaladores de rocha.

Grau em Misto

 

A graduação mista corresponde à dificuldade máxima da escalada em terreno misto. Porem não se trata da graduação de trechos mistos (tendo sucessivos passos de rocha, gelo e neve) e sim da graduação de trechos mistos somados que o escalador deve passar em terreno rochoso, de neve e de gelo, com equipamento próprio à escalada em gelo.

A escala de graduação da escalda mista ainda é muito recente para apontar os critérios essenciais de dificuldade. Vai de M1 a M12 e o grau intermediário é representado por um “+”.

Podemos resumir assim:

• M1-M3 : Fácil, pouco pendente. A utilização de piolet(s) não é obrigatória.
• M4 : O escalador encontra-se em posição vertical e pode ser necessária a técnica de dry-tooling.
• M5 : Algumas seções verticais.
• M6 : Vertical e ligeiramente negativo.
• M7 : Negativo. Dry-tooling difícil. Menos de 10m de escalada difícil.

Geralmente o misto mais que M6/M7 não se encontra em montanha e é específico ao dry-tooling.
Outros sistemas de cotação existem (cotações escocesas, russas, canadenses…etc).
(O conteúdo dessa informação foi retirado do site www.camptocamp.org)

A classificação que vem a seguir é completar o Grau Alpino e é utilizada tanto para vias de neve e gelo como para vias em rocha.

Qualidade das Proteções

Esse componente permite identificar a qualidade e a freqüência dos pontos fixos (ancoragens) de proteção dos lances de escalada em rocha ou em gelo.

P1 – Bem equipado.
Uma via de estilo esportivo, protegida com proteções de 10 a 12 mm. A via não esta necessariamente equipada para descer rapelando.
Material aconselhável: 12 a 14 costuras e uns anéis de fita.

P2 – Parcialmente Equipado.
-Via clássica (que se utiliza móvel) com bastante proteção de boa qualidade, geralmente protegido por pítons e proteções fixas. Porem pode ser nessessario completar as o equipamento com algumas peças moveis, principalmente nos lances mais fáceis.
-Vias “clássicas” ou “modernas” com proteções fixas unicamente onde não se pode proteger facilmente com moveis e nas paradas.
-Vias com proteções fixas de 8mm ou ancoragens velhas.
Material aconselhável: Depende da via. Para uma via de grau alpino D ou mais, levar no mínimo 8 stoppers, 5 friends, 4 anéis de fita, e costuras longas.

P3 – Pouco Equipada
Via menos equipada e com algumas poucas proteções fixas (onde a maior parte das proteções deve e muitas paradas devem ser montadas em móvel) e /ou são de muita ma qualidade.
Material aconselhável: Depende da via. Para uma via de grau alpino D ou mais, levar pelo menos um jogo completo de stoppers e um de friends (no tamanho do camalot, do .3 ao 3 ou 4), dois martelos e seis pítons de tamanhos distintos.

P4 – Sem equipamento
Via sem proteções fixas, ou com algumas poucas proteções de qualidade duvidosa.
Material aconselhável: Depende da via. Para uma via de grau alpino D ou mais, levar pelo menos o que foi aconselhado ao material para P3 repetindo alguns equipamentos.

As informações em alta montanha nem sempre são completas e fidedignas e como a montanha é mutável, é fácil você encontrar diferenças de um ano para outro. Ou seja, a montanha pode estar mais difícil em uma temporada do que em outra. Sempre que você chegar à região, é bom buscar informações com os guias locais e com montanhistas que já tenham feito a montanha naquela temporada.

Agora vamos ver alguns exemplos.

tocllaraju

Tocllaraju – Rota Normal (Conforme camptocamp.org)
AD+, Comprometimento: III, Neve: 55º

pequeno-alpamayo

Pequeno Alpamayo – Filo SW / Rota Normal (Conforme camptocamp.org)
AD, Comprometimento: III, Neve 55º P3

aconcagua

Aconcagua – Glaciar dos Polacos / Rota Direta.
D-, Neve: 60º, Compromisso: IV, Gelo 2, M3, P4.

É isso. 🙂

Espero ter incrementado os conhecimentos de montanha de vocês.

Grande Abraço.

Arquivado em: Escalada, Montanhismo Tags: Escalada, graduação de escala aplina, Montanhismo

2 Comentários em "Graduação de escalada Alpina"

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