0
  
     

Expedição Mediterrânea – Marrocos

BARCELONA (ESPANHA) – CASABLANCA (MARROCOS)

Saí de Barcelona, acompanhada de uma amiga rumo a Casablanca no Marrocos. Estávamos ansiosas para conhecermos essa parte do continente africano.
Chegando ao aeroporto marroquino, logo percebi que a confusão era geral! Todos tentando nos convencer em árabe, a nos prestar qualquer serviço que fosse, desde carregar as malas, ate hotéis e táxis por alguns Dihans, moeda local. (No Marrocos, fala-se árabe e francês).

As pessoas cheiravam mal, já que o calor era intenso (mais de 40 graus), e a quantidade de roupa vestida não condizia.
Pegamos um táxi para o albergue da juventude, onde já entendemos como as coisas funcionam. O taxista combinou um preço, mas chegando lá nos cobrou mais que o dobro! Bem vindas ao Marrocos!
O albergue era confortável, mas sujo. Acordamos e pegamos o trem rumo à Fes em uma viagem deliciosa de 4 horas. O trem era bem confortável, limpo e com belas janelas para observarmos a paisagem.

Encontramos um rapaz que nos indicou um guia em Fes chamado Mohamed, nome do primeiro filho das famílias que costumam ter até 10!

FES – MARROCOS

Fes e uma cidade muito tribal, erguida no século VIII. Com ruas estreitas, tortuosas, subterrâneas e muito parecidas umas com as outras. A ajuda de um bom guia local se torna essencial.

Cuidado com os falsos guias, que cobram caro e não levam os turistas aos locais verdadeiramente interessantes, além de tentarem roubar suas coisas. Procure um guia oficial, ou pelo próprio Mohamed, figura muito engraçada que fala diversas línguas. (telefone: 061.742464)

Os táxis se dividem em duas categorias: Os Grand Táxis e os Petits Táxis. Os primeiros são mais caros e fazem a região em volta da cidade, enquanto os petits são mais baratos, menores e só rodam pela Medina.

NO TUNEL DO TEMPO

Fomos visitar a Old Medina, em um profundo mergulho em outra época. Suas cores, cheiros, sons e costumes são absolutamente diferentes dos nossos. Ficamos completamente absorvidas pela atmosfera, pela língua. Foi impressionante também ver as mulheres totalmente cobertas, muitas vezes sem mostrar sequer os olhos. Sempre me vinha a questão: e uma opção ou uma imposição? Para mim, brasileira, cheia de liberdade, ficaram muitas reticências em relação à posição das mulheres nessa sociedade.


Para tirar fotos das pessoas e preciso pedir antes, e muito “nãos” são ditos. Não gostam de fotos! Mas foi inevitável registrar essa miscelânea. Fiz imagens maravilhosas em meio a tanto artesanato, cabeças de cabras, luminárias e mulheres de burca. Além das muitas frutas, especiarias, comidas e pratarias berberes que são vendidas. Aliás, motivo de desespero para os consumistas de plantão: tudo é lindo, original e barato. E como disse Mohamed: há um primeiro preço, o segundo e o terceiro. Barganhar faz parte. Carregar as malas infladas por compras é que é a questão…

Artesanato na Medina

Artesanato na Medina

Fomos ver o por do sol nas ruínas preservadas pela UNESCO, uma das grandes maravilhas do mundo. Ruínas do século VII, rodeadas pela maravilhosa paisagem e pelo canto altíssimo das rezas muçulmanas que invadem a cidade cinco vezes por dia.
Às 22 h, ainda dia, tivemos que nos recolher, a regra do albergue era não chegar depois disso. Regras são regras.

Foi o tempo de comprarmos um vinho e descansarmos para o nosso dia seguinte cheio de aventuras. Só conseguimos adormecer por volta das quatro da manhã, pois ficamos “viajando” nas fotos… E com sorriso de orelha a orelha!

Acordo às cinco da manhã com o som das rezas. Parece o rugido de animais, produzido por instrumentos que ampliam as vozes, espalhando o som por todos os lados. Adormeço por mais um tempo com essa percepção de estar do outro lado do mundo.

Após o café, encontramos Mohamed e continuamos nossa exploração pela Medina, conhecendo a entrada do Palácio do Rei, algumas casas típicas, mercados e todas as ruazinhas possíveis.

Um dos pontos altos em Fes foi presenciar uma feira de couro onde homens nômades se encontram para uma negociação barulhenta e frenética. Éramos as duas únicas mulheres entre centenas de homens. Tive que ser discreta e rápida ao fotografar, e o resultado? Fotos maravilhosas! Realmente me senti transportada para outro tempo.

Feira de couro

Feira de couro

Visitamos lojas de artesanatos locais, casas habitadas por pessoas que generosamente nos convidaram para tomarmos o típico chá de menta. É uma falta de respeito negar, além de ser relaxante dar uma paradinha nas caminhadas para degustar esse energizante chá. Há também alguns bares onde se pode provar essa bebida chamada por eles de uísque, aonde normalmente apenas homens vão e fumam o haxixe ou o narguile. Tivemos a oportunidade de conhecer um muito típico.

Rua na Medina

Visitamos também uma tinturaria de couro muito interessante e rudimentar! Os couros são tingidos com tintas naturais como sangue, índigo, coco de cabra. O cheiro e terrível! E necessário andar com um chumaço de menta para colocarmos junto ao nariz e aliviar o mau cheiro.

tinturaria

Marrocos e um pais excêntrico tanto pela diversidade cultural quanto pela religiosa, e claro, não podemos nos esquecer da peculiar gastronomia.

Encontramos diversas frutas secas e sementes que não estragam e podem ser transportadas nesse calor aterrador. Foi uma grande sacada comprarmos algumas e as termos sempre por perto quando batia uma fominha nas tantas viagens de trens e ônibus que fizemos através do continente africano.

É muito tradicional comerem carne de ovelha, boi, galinha, cabrito e camelo. Ha diversos “açougues” com suas peças excêntricas expostas, cabeças de bodes e tripas em geral. Iguarias muito apreciadas pelo povo local.

Cabeças de bode no "açougue"

É comum também encontrarmos potes enormes de carnes curtidas na banha, que duram até um ano assim! Quanto mais durável e nutritivo for o alimento, melhor para eles, já que muitos povoados vivem completamente sem eletricidade, e muitas vezes viajando por meses pelo deserto do Saara.

Provamos a pastixa. Delicioso doce com açúcar e canela por fora, recheado com ovos, galinha, cebola e amendoins. Realmente diferente e nutritivo. Não pensamos em comida por um bom tempo depois dele.

A massa da pastixa e feita em uma chapa quente, e depois posta para assar rapidamente em formas côncavas de ferro. Pudemos apreciar sua confecção artesanal em cada quarteirão.

Experimentamos um tipo de caramujo servido na rua, onde o espetávamos com um alfinete! Foi estranho provar essa iguaria ensopada em uma água escura e muito temperada.

No fim do dia fomos a um tradicional restaurante na Medina, comer o famoso couscous marroquino. Muito temperado, com carne de ovelha, batata, cenouras, ervilhas, acompanhado de uma cervejinha não muito gelada, nos derrubou naquele calor incrível! Só nos levantamos depois de dois cafés bem fortes servidos com charmosos torrões de açúcar. De barriga cheia, fomos para nosso albergue arrumarmos nossas coisas, já que pegaríamos o trem das 01h50min rumo a Marraquexe.

Nos vemos lá!

Arquivado em: Deuter, Viagem Tags: Viagem

Leia Também!

Favorite e divulgue!

Deixe o seu comentário!

Comentar!

© 2012 Adventure Zone. Todos os direitos reservados. XHTML / CSS Válidos.
Desenvolvimento Mario Nery.