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Escalada em Lover’s Leap

Quando fui escolher a cidade onde iria fazer meu curso de inglês levei em conta apenas uma coisa, a proximidade com o Parque Nacional do Yosemite, EUA. Antes de optar pelos Estados Unidos, pensei na África do Sul, Inglaterra e Canadá, mas lembrei que poderia unir o útil ao agradável, ou seja, estudar inglês e conhecer o sonhado Yosemite. Então com o mapa da California na mão, apontei direto para a cidade mais próxima do Parque (que tivesse a escola escolhida): Sacramento, capital da California.

Foi uma boa escolha. Cidade limpa, organizada e com um tamanho do qual eu podia fazer tudo de bicicleta. Durante a semana treinava no Pipeworks, um ginásio de escalada e fitness maneiríssimo, com muros alucinantes e uma excelente área de boulder… aliás como essa modalidade está desenvolvida por lá.

Em Sacramento tinha a minha rotina de estudo e treino no ginásio, mas durante os finais de semana eu precisava de rocha… Na cidade não tem nenhuma pedra, nem um bloco, porém distante uma hora e meia de carro, existem 3 áreas alucinantes: Lake TahoePhantom Spires Lover’s Leap. Escalei bastantes nas três e são points bem diferentes entre si. 

Lover’s Leap – East Wall

Lover’s Leap é uma área famosa no mundo da escalada e isso se deve muito a um vídeo insano do Dan Osman (escalador sinistro que extendeu os limites do esporte na década de 90). Nesse vídeo o maluco sola a via Bear’s Reach, um 5.7 (nosso quarto com lances de quinto) em poucos minutos, literalmente correndo parede acima. Não adianta ficar falando, olhem esse vídeo no You Tube: Insane Climb

Claro que minha primeira escalada por lá foi exatamente essa. A via é toda em móvel, aliás são raras as proteções fixas nessa parede. Quando cheguei na base já me empolguei, pois as possibilidades de proteções móveis perfeitas pareciam infinitas, porém Ted (meu parceiro), me alertou que aquela via era conhecida por ter colocações difíceis… Bom, o cara é local e sabe o que diz. Ele guiou a primeira enfiada e eu participei. Sinceramente não vi nenhuma complicação nas colocações… estava alucinado achando aquilo um oásis da escalada móvel.

Ted no final da Bear’s Reach

Logo no início da segunda enfiada vem o crux e o lance que da o nome a via, o “alcance do urso”… Novamente Ted me alertou que deveria guiar pois o lance era complicado para baixinhos (eu)… ok! De novo fui participando e de novo não vi complicação… o crux é bem simples, porém é um lance de face climbing, ou seja, sem fendas ou fissuras e eles estão bem mais acostumados a fendas do que parede, já no meu caso é exatamente o contrário. Resultado,: passei sem problemas o crux.

A terceira e última enfiada ele “deixou” eu guiar… sem dúvida é a mais fácil, mas no final se tem a opção de escolher uma saída fácil pela direita 5.6, ou ir reto e pegar uma pequena fenda de 5.9… fui reto, para não me acostumar muito com moleza.

Escaladora em uma das dezenas de vias em móvel

Acabamos a via e imediatamente pegamos a fácil trilha de 10 minutos que leva a base. Bebemos um pouco de água, um pedaço de bolo de abóbora (nossa… muito bom) e já entramos em outra via, a The Line 5.9… nessa não teve moleza. A via é uma fenda da base ao fim com um pequeno teto no último lance. Nessa via eu senti a verdade sobre o jamming (técnica de entalamento de mãos, punho e dedos para escalar fendas frontais).

Durante a minha temporada nos EUA eu encadenei um 5.11b de face climbing, porém posso afirmar que a fenda de 5.9 foi bem mais casca grossa… levei uma surra no crux e um belo suadouro no teto.

Camping bem cuidado… quanta diferença.

Com essa via havíamos encerrado minha primeira visita a Lover’s Leap. Adorei o lugar, e como é bem cuidado… a área para camping é excelente, limpa, com banheiros secos e até um “beta board”, onde os escaladores trocam dicas e informações. Tudo muito bem tratado e limpo… temos muito a aprender…

Em breve: Phantom Spires

Kiko Araujo

Arquivado em: Deuter, Escalada, Montanhismo, Princeton Tec, Sea to Summit, Viagem Tags: Escalada, Montanhismo, Viagem

2 Comentários em "Escalada em Lover’s Leap"

  1. Adiana Lima disse:

    Oi Kiko, tudo bem? Adorei a sua coluna! Estou pensando em ficar um tempo fora no final do ano, mas quero que seja uma viagem para estudar ingles ou espanhol (pensei em Salamanca e já peguei as dicas de lá). Ainda não tenho as dicas das escolas para aprender ingles e, como tb sou escaladora, adorei essa sua idéia de unir pedra com estudo. Vc pode me mandar o nome dessa escola e outras dicas? Obrigada! Bjks

  2. Kiko Araujo disse:

    Oi Adriana, eu optei pela escola Kaplan http://www.kaplan.com/ eles tem unidades em várias cidades americanas, gostei das aulas e das instalações. Uma dica é fazer imersão mesmo… por exemplo: na escola tinha uma menina do Brasil… seria uma tentação falar em português com ela, mas desde o primeiro dia a gente combinou em só falar em inglês. Bom, se escolher a California, posso lhe passar várias dicas sobre as áreas de escalada que conheci, além de Sacramento e San Francisco (cidade imperdível). meu e-mail: [email protected]
    Bjs!

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