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Entrevista com Bruno Milani – Talento da Nova Geração do RS

  • Bruno, antes de tudo a inevitável pergunta… como e quando começou a escalar? E porque optou pela escalada esportiva?

Bom, o montanhismo sempre me impressionou. Via filmes como K2 a montanha da morte e achava o máximo, gostava de ver o risco, da adrenalina. Sempre quis praticar o esporte. Mas, inclusive nos dias de hoje não é fácil encontrar uma academia de escalada. Sorte a minha que existe uma feira aqui em Bento em que o Leão Gropo (clube de montanhismo da cidade) montava uma parede. Sempre que tinha a oportunidade eu ia escalar, e no último ano em que o clube montou, tinha uma colega de aula que estava escalando. Depois de uns dias, pedi para a Fernanda onde ela escalava. E então fui a antiga sede do Leão escalar. Depois que comecei não parei mais. Isso foi por volta de 2002

Não tinha o costume de escalar em rocha, inclusive, fiquei escalando muito tempo no muro, fazendo boulders. Quando comecei a sair para a rocha, fui apresentado a escalada esportiva, que é o que mais tem aqui no estado. Mas o desafio sempre me encorajou, a idéia do grau mais alto, do alto rendimento. Quando comecei a escalar, comecei a conhecer mais o esporte, e acho que fiquei mais motivado, pois na esportiva as vias são mais curtas e rápidas, embora sejam intensas e duras. Mas gosto de variar escalando vias clássicas, conquistando novas rotas, ajudando o esporte.

  • Quando comecei a escalar (isso em 1992), chegar a escalar um 7a era trabalho para mais de ano… hoje vejo a nova geração saindo de um curso básico direto para os sétimos…  A que vc atribui esse tipo de evolução?

Verdade, agora o pessoal começa entrando em 8a quase. Difícil dizer com certeza, mas acredito que atribui-se ao fato da escalada buscar novos desafios, de possuir mais adeptos, aos novos equipamentos utilizados. De dez anos para cá, tudo na escalada evoluiu. As cadeirinhas ficaram mais leves, as sapatilhas mais curvas, borrachas mais aderentes, costuras mais leves, proteções mais confiáveis, a cabeça do escalador mudou, novos conquistadores surgiram, conseqüentemente surgiram novas linhas com novos desafios.

Mas ainda acredito que um dos principais fatores é a quantidade de escaladores. Quantos mais escaladores temos em uma via, mais movimentos surgirão para fazer um crux.

  • Qual é o point no RS que faz a sua cabeça e porque?

Acredito que todo o point tenha sua peculiaridade. Escolher um entre todos é uma tarefa difícil.

Refletindo um pouco, acredito que o setor Ouro de Tolo, em Monte Belo do Sul, hoje, faça mais a minha cabeça. Isso se da pelo fato de que novas vias estão sendo abertas, vários graus e estilos, e acho que esse lugar vai influenciar a minha escalada para melhor, pois precisarei aprender novos movimentos, e adquirir novas técnicas para novas cadenas.

  • Vc acaba de voltar de uma viagem a Europa… fale um pouco sobre essa experiência… o que mais te impressionou?

Fui para participar do Campeonato Juvenil, mas realizei um sonho que era escalar em paredes gringas. Tudo lá é diferente, a rocha, o estilo de escalada, a base dos setores, as paradas, as proteções, a ética local.

Ví coisas como o nome na base das vias, que por lá é uma coisa normal, para poder identificar as vias em um setor. As antigas vias com agarras feitas, onde eram cavadas para baixar o grau, ou para fazer um movimento mais bonito.

É impressionante a qualidade e a quantidade de vias dos setores de escalada da Itália, que foi onde mais fiquei. E onde mais escalei na viagem.

Mas o que realmente me impressionou, foi a importância que a prefeitura de Arco da para a escalada. Claro que não é de graça, se não fosse pela escalada, a cidade não seria o que é hoje. Conversando com o Andres, ele contou que a prefeitura negocia com os proprietários para não fecharem as terras para os escaladores, se necessário é negociado um valor pago para manter a área aberta para a escalada. Além de investir no muro do famoso Rock Master, fazendo um novo prédio para melhor acomodar os atletas. Ainda por cima, foi providenciada a regrampeação do setor Massone (falésia mais conhecida de Arco, onde tem a via Underground).

  •   Soube que vc entrou na mítica Action Direct… Fala sobre a via… é uma via lendária… Sonho de qualquer escalador esportivo e vc teve a oportunidade de entrar na danada… Como foi?

Verdade!

Tive o grande prazer de entrar na via que a muito tempo tinha vontade de conhecer. Foi um prazer entrar numa via de tal grandeza. A via não é como li em reportagens e observei em vídeos. “Ela é muito mais do que isso, ela é espetacular.” A linha da via é uma mistura de técnica, força, resistência, explosão e concentração. Jamais imaginei que teria a oportunidade de escalar tal linha. Seu negativo extremamente forte, com seus mono e bidedos que chegam a deixá-lo hipnotizado pela imponência da via.

Infelizmente não consegui progredir muito na via, em função de que estava cansado de toda a viagem e do campeonato, não tendo a oportunidade de chegar muito longe, mas isso só me deixou mais motivado a voltar e tentar uma possível cadena. Analisei os lances e acredito que num futuro próximo tenha condições de encadená-la!

  • Quais seus objetivos na escalada para 2011?

Pretendo participar do Campeonato Mundial de escalada, tanto o Juvenil, em Imst (AUT), como o adulto, em Arco (ITA). Além de consolidar o grau 9c e tentar encadenar algum 10. Conquistar muitas novas vias no setor Ouro de Tolo e encadenar a maioria delas, se não todas.

  • Vc pode apontar novos talentos no seu estado que devem aparecer em breve no cenário nacional?

Não faz muito tempo, conheci Pedro Nicoloso, de Santa Maria. Ele está muito forte e com sede de cadenas e títulos.

  • Viver profissionalmente de escalada no Brasil ainda é muito difícil… Como vc enxerga a possibilidade de  ter que trabalhar para continuar escalando?

Realmente, hoje o esporte está crescendo, mas não chegou ao ponto de podermos viver do esporte, embora conquistas estão sendo feitas dia a dia. Acabo de começar a trabalhar na área da minha faculdade (turismo). Felizmente meu trabalho me possibilita ter tempo para treinar e escalar e participar de campeonatos. Acredito que o fato de ter que trabalhar afasta os escaladores de uma melhor performace. Uma vez que todos precisamos nos alimentar, ter um teto para morar, pagar nossas contas, sair para escalar. Tudo isso tem um custo. E isso muitas vezes impossibilita de você ir a um campeonato. Acho que esse é um fator, pela ausência????? de escaladores em campeonatos. Acontece que para você viajar, precisa de dinheiro, que só se consegue trabalhando, mas dai vc perde tempo que poderia estar treinando, e acaba caindo o rendimento.

  • Bom, um recado para a nova geração.

Escale, escale e escale. Independente do grau, do dia, da temperatura, da resina, da rocha. Escale para si, para se completar, como se a escalada fosse ARTE, mas não se engane, ela é arte sim. Cuide dos setores em que escala. Eles podem ser fechados e vc não poderá mais escalar neles. O mais importante, faça com paixão, primeiro escale a rota mais bonita, depois a mais difícil.

Arquivado em: Escalada, Montanhismo

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1 Comentário em "Entrevista com Bruno Milani – Talento da Nova Geração do RS"

  1. Bruno disse:

    Salbe Kikoo..

    Valeu pela oportunidade da entrevista…
    pretendo publicar uma chamada no meu blog da entrevita…

    ficou show…

    abraço

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