
Aline, batendo a última chapeleta na mão depois de 2 furadeiras queimadas
As meninas do Paraná estão dando um exemplo de determinação! Elas realizaram esse projeto tão sonhado com o auxílio de uma pessoa mais experiente para orientá-las e ganhar mais experiência para o futuro. Seria muito fácil desistir do projeto por limitações diversas, mas é muito gratificante ver que isso não foi um impecilho!
Conversei com a Eliza Tratz, que foi uma das conquistadoras da Via, e abaixo você lê a respeito:
“A idéia de conquista de um via por meninas surgiu em Outubro de 2008 quando foi formada a “panelinha” Aline, Eliza e Fran. Durante esse tempo foi imaginado o local da via, o grau e o nome. Porém, o projeto só foi colocado em pratica no dia 23 de janeiro de 2009, quando Fabinho, conquistador de algumas vias do município comunicou que passaria os “betas” para a abertura da via.

O local escolhido: Setor Cascavel no distrito de Entre Rios, a 20 minutos de carro de Guarapuava no Paraná. Neste setor há um afloramento muito bonito de rochas vulcânicas ácidas, os riolitos. Essas rochas quase não apresentam aderências ou apresentam muito pouca. São lisas como sabão, o que dificulta um pouco a escalada. Diante desse afloramento de rochas, foi escolhida a via, com uma barriguinha em negativo, fendas e regletes. Como escalamos ainda há um tempo relativamente curto o primeiro passo foi montar o top da via. O início da via se deu na parada. Coisa de calouras, já que as grande conquistas acontecem de chapeleta em chapeleta.
Após a montagem da parada, malhamos a via em top rope, nessa hora muita ansiedade… Será que a via ficou fácil, difícil, viável? Para a felicidade do grupo é viável. E se seguida pela direita desconsiderando uma fenda, difícil. Durante a ascensão haviam muitas aranhas nas fendas, umas delas se jogou na testa de Eliza dando nome à via: Via das Aranhas. Um 7° grau com certeza. Considerando uma fenda lateral, um 6°.
Bem, hora de grampear a Via das Aranhas. A inserção das chapeletas foi complicada, essas rochas têm um grande percentual de sílica (quartzo) na sua composição o que a torna muito dura. Durante o processo foram queimadas duas furadeiras, atrasando a perfuração do local da última chapeleta. Mas o grupo não desanimou e Fabinho logo apareceu com um batedor de presente para as meninas. Presentinho de grego, já que esse instrumento arcaico é movido à força humana. Ao mesmo tempo em que o batedor é girado manualmente faz-se necessário martelar fortemente.
Muito suor, canseira e revezamento entre as meninas, quando na manhã do dia 02 de Fevereiro de 2008, Aline inseriu a chapeleta que faltava na via. Inaugurada a Via das Aranhas. Como acontece sempre quando essas menininhas se reúnem pra escalar, minutos depois da última chapeleta ser inserida, veio o tempo feio, chuva, tempestade… Será que São Pedro é machista?”

Recompensa de tanto trabalho: "Pequenas coisas que fazem o dia valer a pena" - Eliza
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Abraços da Yuri!





