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Cicloviagem Rio x Aparecida – 26 e 27/07/08 – 1º dia

Depois de anos enrolando e me enrolando, resolvi fazer minha primeira cicloviagem. Num documentário sobre a família Schürmann aonde a matriarca do clã, Heloísa Schürmann dizia que se quiseres realizar um projeto, o primeiro passo é marcar a data da partida e foi exatamente o que fiz.

Sempre me enganava, pois nunca me achava 100% pronto para tal, numa falsa esperança de que um dia eu estaria.

Enfim, marquei a data e disse a mim mesmo que dia 26 seria o dia D, iria sozinho ou acompanhado, com sol ou chuva, mas iria nesse dia. E nada, ou quase nada mudaria minha decisão.

 

Comentei sobre a viagem com o Leonardo que na mesma hora decidiu ir para o seu debut no meio. Várias outras pessoas também se interessaram, porém deram para trás. Vinicius (Vini) também se interessou e convenci o Vinícius Lima na véspera.

Com exceção do Vini, todo mundo passou a noite aqui em casa transformando-a num albergue para que pudéssemos sair o mais cedo possível.

03:30 da manhã, despertador dispara, hora de levantar. Corpo ainda pesado pelo sono, porém alma eufórica pelo novo.

Banhos tomados, estômagos forrados, hora de prender os últimos penduricalhos na bike e partir antes do sol nascer.

Saindo de Vaz Lobo, seguimos em direção a Irajá para pegarmos na Dutra e encontrar o Vini em São João de Meriti. Durante esses dois dias, nossas vidas estariam nessa estrada.

Enquanto pedalávamos, o sol ia se mostrando e iluminando o dia que nascia. Fomos num ritmo bem tranqüilo até passarmos pelo pedágio e fazermos nossa primeira parada para um café da manhã no posto Belvedere, logo depois de Seropédica.

 

Já dizia o jargão “barriga cheia, mão lavada, pé na estrada”, temos que seguir em frente…

Nesse momento a rodovia fica belíssima. Suas margens, durante essa época do ano, se encontram enfeitas por árvores completamente floridas que dão um toque especial na região.

Alguns kilometros pedalados e viria a tão temida Serra das Araras. Estigma esse desnecessário. Quem pedala, sabe, por exemplo, que a Vista Chinesa possui a mesma distância, porém por causa de seu aclive, se torna um pedal mais pesado. Mas retornado, eu, em minha santa ignorância, crente que após transpor esse obstáculo geográfico, tudo se tornaria fácil. Ledo engano! Depois vocês saberão o motivo.

 

Subimos cada um em seu ritmo. Vini disparou logo na frente, terminando a Serra em alguns minutos, eu e o Leonardo íamos num ritmo tranqüilo e Vinícius, que era o “café com leite” do pedal ia com um metro de língua para fora, triste por ter acabado o plano.

A fim de temperar a sua tristeza, eis que numa troca de marcha, sua corrente não agüenta e se parte. Como todo castigo para corno é pouco (que a namorada dele não ache que estamos duvidando de sua fidelidade), ele teve que realizar o conserto sozinho para aprender (como um bom calouro em seu trote) e literalmente a meter a mão na massa, quer dizer, na graxa.

 

Problema resolvido, hora de continuar a subir, afinal ainda faltava um bom trecho da serra.

Depois de mais uns bons minutos de pedal, pausa para respirar um pouco, beber uma água de coco e comer uma bananinha.

Mais alguns outros tantos minutos e eis que finalmente chegamos ao fim da Serra das Araras. Lá estava o Vini nos esperando há algum tempo.

Nesse momento, Vinícius “calouro” já pensava em desistir. Reclamava do cansaço e fome. Decidimos então pedalar por mais alguns kilometros até encontrar um local para o almoço.

Cruzamos por Ribeirão da Lajes, em Piraí e então chegamos a Barra Mansa. Encontramos um estabelecimento sozinho na estrada e que tinha um preço bastante convidativo.

O preço era bom, a refeição nem tanta. Mas como a fome tempera qualquer comida…

Bem, saímos satisfeitos, ou quase. A garçonete disse que o “PF” dava para duas pessoas, pois vinha com uma porção considerável. Eu e o Vini optamos por dividi-lo. Vi, ou melhor, senti no estômago que realmente dava para duas pessoas, desde que fossem duas mulheres anoréxicas. Completei o espaço restante com um sorvete de sobremesa.

Nesse trecho da Dutra, o relevo volta a ser um pouco mais plano, sendo mais confortável o pedalar. Do lado direito da rodovia vamos margeando em diversos momentos o lago represado pela Light dando certa tranqüilidade ao local e certo ar bucólico.

Em Barra Mansa já reinicia um sobe-desce sem fim, cansativo, porém recompensado com uma vista lindíssima que só quem está numa bicicleta pode parar, observar, ouvir os sons, sentir os cheiros e realmente experimentar cada sensação do momento. Imagens dignas de calendários.

 

Numa dessas subidas e descidas é que aconteceu o maior problema da viagem. Vini ia bem à frente, logo seguido por mim, enquanto Vinícius e Léo iam atrás parando e fotografando. Numa das muitas descidas, os dois últimos se trombam, Léo perde o controle e cai amassando completamente sua roda dianteira e destruindo a câmara de ar. Felizmente, fisicamente ele só teve umas escoriações e uma dor pelo choque, porém emocionalmente abalado, pensa em desistir. Quase um fim para sua jornada.

Nesses momentos, o companheirismo fala mais alto. Hora de mover mundos e fundos para solucionar o problema.

Vini segue para a cidade mais próxima a fim de encontrar uma loja aonde pudéssemos comprar uma nova roda, eu tento em vão consertar a roda. Peço ajuda a Raquel, no Rio para encontrar na internet alguma loja de bicicleta em Resende e me passar por mensagem os contatos. Cria-se uma rede de suporte :)

Eis que Vini consegue um carinha que venderia a roda usada dele. Vinícius aciona o socorro da Dutra para levar o Léo com a bicicleta até o ponto, enquanto iríamos levando a roda quebrada para a troca.

O socorro deixa o Léo alguns kilometros depois, numa parada de ônibus entre Volta Redonda e Resende. A noite começa a cair enquanto tentamos resolver o problema.

Compramos a roda, pegamos as bicicletas e fomos ao encontro do Léo. O frio na estrada já estava cortante e o breu sobre nós. Hora de acender todos os piscas, faróis e qualquer utensílio que chamasse a atenção no escuro.

Encontramos o Léo na parada, tomamos um café para combater o frio lá fora, trocamos a roda e hora de correr. O tempo passava, o frio batia, a fome apertava, o cansaço chegava com tudo. Tínhamos que correr para Resende logo e arrumar um local para passarmos a noite.

Alguns cicloturistas, que já tinham feito essa viagem, nos indicaram um motel em frente ao Graal Resende e para lá que nós fomos.

Chegando lá, felicidade plena. Claro que o lugar não chegava a ter uma estrela se quer, mas já bastavam a cama com um cobertor e chuveiro quente. Tudo que precisávamos após um dia desses.

 

Banho tomado, nos encontramos no estacionamento do motel. Quando homens estão juntos, só sai besteira e o primeiro assunto foi: “Não tem filme pornô no motel!”

Ninguém falou do banho quente ou então aonde iríamos jantar, mas sim que não tinha filme “educativo” no motel. Como assim? Rimos e zombamos de nossa descoberta e fomos jantar.

Encontramos um lugar para jantar, uma comidinha a quilo. Bastante suspeita por sinal. Vinha com uma promoção, coma tudo e ganhe uma salmonelose! No way!

Vamos para o Graal!

Quem conhece, sabe que os preços lá não são nada convidativos. Porém, para nossa surpresa, tinha um rodízio de pizzas a R$13,99!!! Era lá que iríamos realizar nossa orgia gastronômica.

 

Quer dizer, tentaríamos.

Vini capotou após algumas fatias de pizza. Eu seguia pelo mesmo caminho.

Fome saciada, voltamos para o motel repor um pouco das energias e encarar o dia seguinte que começaria bem cedo.

Ah, ao chegar no quarto, o filme “educativo” estava passando… mas deixo o link para iniciar o relato do dia seguinte.

Hora de dormir!

por Gledson Silva

Arquivado em: Bike, Viagem

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