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Cicloviagem: Juiz de Fora x Petrópolis x Rio de Janeiro – 25 a 27/12

Bem, como começar esse relato, afinal esse pedal não teve um começo bem definido. Eu e Renata estávamos conversando via msn, quando bateu um estalo em ambos e decidimos marcar um pedal logo após o Natal.

Em 4 dias definimos roteiro, traçamos rota, fizemos um check-up nas bikes e compramos as passagens.

Às 16 horas, da quinta-feira de Natal partiríamos. Sabíamos o caminho, mas não sabíamos aonde dormiríamos, aonde seriam as paradas, nem nada. Apenas pedalaríamos sem nos preocuparmos com nada. Iríamos para onde e quando desse. Lugar para dormir, comer… Veríamos na hora. Nada definido!

Só sabíamos de uma coisa. Que não sabíamos de nada! Queríamos pedalar assim. Sem preocupações, sem horários, sem regras. Apenas pedalar! Segundo Kahlil Gilbran, “se dissipas o medo, o assento do temor repousa em teu coração e não nas mãos do que é temido”

Saímos de Laranjeiras, às 13h30min e fomos pedalando até a Rodoviária Novo Rio. Chegamos muito cedo. Às 14 horas estávamos lá. Ainda teríamos duas horas de espera até o ônibus partir.

Como não tínhamos almoçado, Renata decidiu comer um salgadinho de rodoviária (quanta coragem!!!), felizmente não foi dessa vez que ela contraiu uma salmonelose ou então poderia atrapalhar nosso pedal tendo que ir ao banheiro a cada kilômetro. Optei por um pãozinho de queijo, talvez menos ofensivo.

 

 

Nem saímos do Rio e já começa o primeiro furo. Não de pneu, mas nosso mesmo. Estávamos esperando o ônibus da empresa Útil e nada dele chegar. Quando demos conta, o nosso ônibus era da outra empresa, a Brisas. Ônibus prestes a partir. Só faltava a gente! Colocamos as bicicletas no bagageiro e entramos no ônibus. Partiu!
O ônibus pega a Linha Vermelha, parece que o céu ia cair. Chovia aos cântaros. Ventos fortíssimos.

Confesso que tal condição climática me assustou um pouco. Tínhamos visto todos os detalhes para a viagem, menos o clima!

Só resta relaxar e curtir a viagem. Literalmente dormir até Juiz de Fora. Duas horas e meia depois e estávamos na cidade mineira.

Pausa para um pão de queijo, em terras mineiras, e um capuccino.

Hora de pegar a bicicleta e procurar um lugar para dormir. Odômetro zerado na rodoviária.

Saindo da rodoviária que fica na Av. Brasil, descemos direto até a Av. Rio Branco e depois a Av. Independência. Nessa avenida há alguns hotéis. Alguns carinhos, meio luxuosos. Um pouco além do que queríamos, afinal queríamos gastar o mínimo possível. Pedalamos 11,84km até encontrarmos o New York Motel. Ele fica logo após um posto Esso e ao lado de mais 2 outros motéis. Era o mais barato. Ele já fica um pouco afastado do centro da cidade. Não há nenhum lugar próximo para comer, mas também não precisa sair dele. Os preços das refeições e produtos são bem convidativos, talvez até mais em conta que qualquer lugar na cidade. Comemos um espaguete ao alho e óleo (R$ 6,99), uma coca-cola (R$2,20) e um suco de laranja (R$2,20). O atendimento é muito bom. São bem atenciosos. E o quarto custa R$40,00. Mas é o básico para uma noite de sono. Bem pequeno. Espaço para a cama de solteiro e para a bicicleta. Tem chuveiro quente!

 

 

No dia seguinte, saímos às 6 horas e fomos procurar um lugar para o café da manhã. Nem começamos a pedalar direito, mais um probleminha. Renata esquece o celular no quarto. Sorte que estávamos bem pertos, talvez nem um kilômetro de distância.

Pedalamos 23,14km até a primeira parada. Uma lanchonete de estrada chamada Viagem. O negócio é tocado por um casal e seu filho. Fazem um pão na chapa delicioso e atendem muito bem. Como bons mineiros, adoram conversar. Café preto (R$0,80), pão na chapa (R$1,50) e misto quente (R$2,00). O local tem um banheiro bem limpo e com chuveiro.

Barriga cheia, pé na estrada. A estrada estava uma delícia. O sol bem fraquinho, um friozinho agradabilíssimo e as nuvens baixas, criando um leve nevoeiro, davam um toque todo especial.

 

 

A estrada é ótima. Descidas suaves, acostamento largo, bem segura. Muito boa de pedalar. Tome cuidado apenas com os suprimentos (água e comida). Andam-se kilômetros até encontrar algo (lanchonete ou posto) e descobrimos da pior maneira. Em pouco kilômetros, cruzamos a divisa MG x RJ.

 

 

Depois do café, só viemos a encontrar um carinha, no meio da estrada (46,55km), que vende água de coco (R$2,50) em sua Kombi azul. O coco é estupidamente gelado. Também vende biscoito e doces.

Voltando à estrada, pedalamos alguns kilômetros e percebo que numa subida a minha bicicleta está um pouco mais pesada. Não posso estar cansado ainda. Pneu furado! Conserto a câmara, pedalo mais alguns kilômetros e outro furo. Grrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr!!! Vamos assim até a próxima parada. Lá a gente conserta, afinal só falta uma descida. Tô vendo um postinho lááááááá embaixo…

 

 

Paramos nos posto Ipirangão (61,94km). Reparo na câmara. Aproveitamos para almoçar, afinal o cheiro estava delicioso e a comida mineira estava convidativa. Não me lembro do preço do quilo. Mas o somatório de nossas, refeições, um refrigerante, 2 cafés expressos e 4 litros de água deu R$31,37.

 

 

Metade do caminho percorrido até Petrópolis. Até o momento, o pedal tinha sido bem tranqüilo. Maior parte de descidas. Agora tudo inverte. As subidas vão se tornando longas, um após a outra.

Lembram-se que eu disse anteriormente que descobrimos da pior maneira que não há nada para comprar no trajeto? Então agora começa o nosso pesadelo. Depois do almoço, não levamos nada para comer, só água. Ficamos de comprarmos algo mais a frente, porém não tinha nenhum lugar para comprar nada. O vento castigava tanto que nas descidas, se soltássemos o freio e parássemos de pedalar, a bicicleta ia tento sua velocidade reduzida.

50km sem ter nada para comer, subidinhas, vento contra constantemente, chuvinha… Provação! Força na peruca e vamos que vamos! Uma hora passa ou a gente desmaia na estrada rsrsrsrsrs. Era pedir força ao Dr. Fritz e ir em frente (piada interna).

Finalmente vemos do outro lado da rodovia, escondido em meio a casas e lojas, o Shopping Itaipava (109,77km). Onde tem shopping, tem comida!

 

 

Entramos na cidade e damos de cara com o Hortomercado Municipal de Petrópolis. Uma espécie de Cobal. Comida!!! Encontramos uma cocada com leite condensado (R$2,00) deliciosa. Quer dizer, não sei era a fome que tinha dado um toque especial ou ela era espetacular mesmo. Já dá para enganar a fome.

Quando pegamos as bicicletas para irmos ao Shopping, pneu furado! Dessa vez foi o da Renata. Bem, como o Shopping Itaipava ficava a uns 50m dali, vamos empurrando mesmo. Em frente ao shopping há uma loja de bicicletas (muito boa por sinal). Compramos uma câmara reserva. E fomos comer ainda mais. O remendo fica para depois.

Fome saciada e pneu remendando, hora de voltar à estrada. Último trecho da viagem até Petrópolis.
Como pedalávamos de maneira descontraída, sem regras, distâncias ou tempo. Com a possibilidade de mudar o roteiro a qualquer momento, foi o que fizemos. Decidimos deixar a BR040 de lado e continuamos nossa viagem por dentro.

Até o centro de Corrêas são 115,77km pedalados e até o centro de Petrópolis, na praça D. Pedro II são 127,20km.

A estradinha que liga Itaipava a Petrópolis é um pouco escura. Se for noite, não se esquecer de usar o pisca-pisca e o farol.

Na praça D. Pedro II, pegue a esquerda na Rua do Imperador e vá indo até a Igreja Nossa Senhora do Rosário (128,14km). Ao lado dela há uma estalagem, o Hotel Lindóia. O pernoite custa R$50,00. As bicicletas ficaram trancadas num quartinho que serve de estoque. Tudo tranqüilo, bem seguro.
Jantamos na Casa D’Angelos que fica na praça D. Pedro II. Rodízio de massas e sopa a R$14,99.

No dia seguinte São Pedro nos pregou uma peça. Chuva o dia todo! Mais uma vez mudamos nossos planos. Nosso objetivo era subir até Araras, em direção ao Vale das Videiras, cortando a Rota 22 e então sair em Paty dos Alferes, Miguel Pereira, pernoitar e então descer para o Rio. Optamos por passear em Petrópolis e ir para o Rio de Janeiro.

 

 

Passamos por pontos turísticos tradicionais. Museu Imperial, Catedral, Casa dos Sete Erros, Casa da Princesa Isabel, Casa de Santos Dumont, Relógio das Flores e Palácio de Cristal. Tentamos entrar com as bikes no Museu, mas fomos barrados. Não há bicicletário ou qualquer lugar seguro para prendê-las. Nem passear pelo jardim empurrando-as ou ir ao bistrô era possível. Decepção! Não sabemos se o problema é a falta de informação dos seguranças ou política da administradora, mas enfim, frustrante!

 

 

Pegamos a saída de Petrópolis pelo Quitandinha. Na estrada vem uma subidinha sem acostamento. Aconselho descer da bicicleta e ir empurrando pela canaleta. A saída pelo Bingem é mais segura e melhor. Optem por essa opção.

A descida de Petrópolis foi um pouco tensa. Chuva, nevoeiro e carros descendo a toda. Tudo deu certo. Em pouco tempo chegamos em Xerém. Mais algumas pedaladas e chegamos na Washington Luís. Lama para tudo quanto é lado. Ficamos sujos da cabeça aos pés. Conhecem o programa “Dirty Jobs” da Discovery??? Estávamos mais para o apresentador do programa que cicloturistas. Acho que tinha lama até na minha cueca.

Últimos kilômetros até minha casa. Esses kilômetros finais são sempre os piores. Parece que nunca vai terminar, a bicicleta parece ter o peso dobrado e as pernas não aceitam mais qualquer comando.
Optamos ir por dentro, para que Renata conhecesse um Rio esquecido pelos poderes públicos, sem ciclovias ou extensão das novelas de Manoel Carlos. Além de fugir do trânsito caótico que estava a Washington Luís e av. Brasil.

Saindo de Caxias, cruzamos Vigário Geral (sim, o bairro onde teve a chacina e hoje sedia um dos maiores e melhores projetos sociais do Brasil, o AfroReggae), Parada de Lucas (que está sempre presente nos noticiários policiais), Jardim América, Cordovil, Irajá e finalmente Vaz Lobo. Ufa! Chegamos! 200,75km pedalados!
“As vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido.” – Fernando Pessoa.

Cicloabraços,

Gledson Silva
Twitter: @ciclorganico

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8 Comentários em "Cicloviagem: Juiz de Fora x Petrópolis x Rio de Janeiro – 25 a 27/12"

  1. Ricardo Lauton disse:

    Parabens pelo passeio, admiro esta coragem, rs… Estou morando no RJ, e na busca de adeptos de cicloturismo encontrei este site.. Abraços…

  2. Marcia disse:

    Bem, acho que deve ser muito bom fazer isso, mas não ando com o menor preparo físico. E a bunda, então? Deve ficar uma pizza. Fora o desconforto, eu ia amar.

  3. Fran disse:

    Poxa que puxa fiquei cansada só de ler. Parabéns amigo!!! Coragem é o teu forte!!!

  4. Foi uma cicloviagem deliciosa!
    Esse ano fui novamente no caminho inverso, e num único dia pela Estrada Real.
    Fotos: http://www.facebook.com/re.loureiro?v=photos#!/album.php?aid=19895&id=100000488635361&ref=pb

    Namastê!

  5. Ruvanbike disse:

    Legal este esquema de ir de ônibus e voltar de bike. Pena que as fotos são tão pequenas.

  6. Nayara disse:

    mtoooo massa…. admiravél…..

    Que venham mtas viagens dessas pela frente…..

    bjooo

  7. rosilene de frança disse:

    Adorei essa aventura de “cicle irei pela primeira vez a trilha no “dedo de Deus”caminhada .. acho que vou amar ! adorei o relato bem detalhado … valeu amigos …Rosi

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