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Chalten 2010: Uma temporada fria, dura e que exigiu muita paciência

Foto: Gabriel Sanchez Ramirez

 

Faz um bom tempo que teve inicio essa historia. Já não lembro muito bem das datas, mas certamente lembro a ordem dos fatos e vou tentar contar em alguns capítulos nossa temporada de 2010 na Patagônia. Quando falo nossa temporada é porque realmente foi a temporada dos Brasileiros em Chalten, esse ano foram mais de 30 e não vou nem tentar citar os nomes pra não passar vergonha ao esquecer um deles.

A temporada teve inicio mais ou menos no dia 10 de dezembro ainda no ano de 2009, foram duas semanas de tempo lindo, muito sol e nada de vento, varias cordadas fizeram o Fitz e muitas outras se espalharam pelos cordões da região.

Eu chegava na cidade dia 22, ou seja, justamente quando as “ventanas” se fechavam e daí pra diante foram quase duas semanas de chuva e tempo ruim. Quando cheguei na cidade já estavam Kika, Bernardo, Serginho e Gabriel (que seria meu parceiro até o Felipe chegar), e pra minha surpresa o Neto, Álvaro e Nicolau já estavam batendo o cartão na cidade.

Capitulo 1 – Cerro Solo, A primeira tentativa

Trilha para o Camping de Agostini

 

Já uma semana na cidade e nada de ver as tão faladas Agulhas, Fitz e Torre. Mal podia ver o Cerro Solo, a montanha mais próxima da cidade e foi nela que nos atiramos assim que o tempo deu uma brechinha.

Nesse meio tempo chegou Boris, Seblen e no camping que eu estava conheci o Alex e junto o Will que tinha conhecido a muito tempo no Frey. Já não agüentávamos mais aquela situação de muita chuva e pouca escalada. Unimos forças e nos atiramos no Cerro Solo

Não vou me atrever em dizer que a montanha tava impossível de ser escalada, mas posso dizer com certeza que estava bem complicado, neve ate a cintura e por vezes ate o sovaco, uma orientação muito complicada, uma realidade completamente diferente do que aquela que tínhamos buscado nas informações.  

Caminha com o C. Solo no fundo

 

Solo carregado com muira neve.  Foto: Gabriel Sanchez Ramirez

 

Deveríamos cruzar o Rio Solo caminhar ate acabar a vegetação, escolher uma das canaletas de blocos soltos que margeia uma parede vermelha, chegar no glaciar subir pela morena e por vezes na neve em direção a parede negra, contorna essa parede e cume. Simples assim. Mas……. 🙂 O que encontramos foi muita neve desde o fim da vegetação, mal podíamos nos orientar com aquela neve toda e com a neve que insistia em cair quando saímos da barraca.

Camping de Agostine. Foto: Gabriel Sanchez Ramirez

 

 

Demoramos horas para atingir o glaciar e quando chegamos, uma neve que mal podíamos dar 3 passos sem afundar ate a cintura. Fomos revezando a dianteira no intuito de economizar energia ao “afofar” a neve, Will muito malando ao chegar perto do Glaciar, viu que era insanidade continuar e decidiu descer antes de chegar à neve e ficar preso a um bando de doido (é imprudente caminhar em glaciar desacompanhado).  

Neve que insistia em cair e se acumulava na vegetação. Foto: Gabriel Sanchez Ramirez

 

Parada para equipar e comer alguma coisa. Foto: Gabriel Sanchez Ramirez

 

Sol calientando o Torre

 

Amanhecendo o dia e ainda estávamos nas morenas. Podemos ver o quanto atrasados estávamos. Foto: Gabriel Sanchez Ramirez

 

 E assim continuamos, eu, Gabriel, Seblen, Boris e Alex encarando aquela neve fofa até o momento em que estávamos progredindo muito pouco e o sol já aquecia demasiado a neve deixando ela ainda mais fofa. Chegamos a um pendente de aproximadamente 70º, ou seja: neve fofa + inclinação acentuada + sol + peso = avalanche, e assim deixamos o pendente de lado a fomos buscar umas pedras pelo lado direito.  

Will e Boris na crista de uma das Canaletas.  Foto: Gabriel Sanchez Ramirez

 

Quando eu falo que a neve estava no sovaco não era brincadeira não

 

Final da Canaleta proximo ao Glaciar. Fitz sempre “fumando”.  Foto: Gabriel Sanchez Ramirez

 

Nosso objetivo nevado. Foto: Gabriel Sanchez Ramirez

 

  Ali o Seblen e Boris desanimaram e iniciaram a descida, junto foi o Alex muito contrariado. Tomei a ponta da corda e o Gabriel me fez a segurança, que só valia pra eu não sair rolando glaciar abaixo, pois não tínhamos proteção e muito menos onde proteger naquela neve solta e blocos soltos, escalei uns blocos bem verticais com muita neve usando a técnica do Dry Tooling, ou seja, escalar entalando a ponta da piqueta nas fissuras da rocha e apoiando os dentes do Crampon nas agarrinhas.  

 Já exaustos de “afofar” a neve e progredir quase nada. Foto: Gabriel Sanchez Ramirez

 

Fugindo da neve e buscando um caminho pelas pedras. Foto: Gabriel Sanchez Ramirez

 

  Dominado os blocos cheguei numa crista e chamei o Gabriel ate um ponto onde pude fazer uma “parada” com um cordelete grande, um azelha simples de um lado e um azelha de 8 do outro, entalando as pontas do cordelete em duas fissuras bem suspeitas, tive ajuda da piqueta pra entalar os nos.

  Nossa parada “movel”.  Foto: Gabriel Sanchez Ramirez

 

 Quando o Gabriel chegou na parada fizemos uma reflexão, já estávamos com o horário avançado, a montanha muito carregada de neve que escondia as gretas e os perigos da montanha e assim decidimos descer também. Sabe aquela historia das advertências no ensino fundamental??? Você toma a primeira, a segunda, a terceira e na quarta é expulsão?? Então antes da gente ser “expulso” da montanha decidimos descer.  

 

 Até onde fomos.  Foto: Gabriel Sanchez Ramirez

 

Gabriel com o Cordão do Torre e do Fitz.  Foto: Gabriel Sanchez Ramirez

 

O Rapel meio tenso com suspeita da parada e depois foi só diversão, vinha descendo com calma um pé após o outro até que vejo o Gabriel se jogando do meu lado passando a milhão em auto-detenção, não perdi tempo e me atirei montanha abaixo junto e rapidamente alcançamos os outros companheiros.

Rapelando o trepa pedra. Foto: Gabriel Sanchez Ramirez

 

 Saindo do Glaciar. Foto: Gabriel Sanchez Ramirez

 

Sem muita preocupação descia a morena com pouco cuidado querendo chegar logo ao camping e isso foi uma imprudência, no fim do rio já sentia o joelho, ao chegar em Agostini (o acampamento) meu joelho já incomodava, na manha seguinte decidimos conhecer o Glaciar Torre e sem muita intenção chegar a  Niponino.  

Triste por não ter feito cume. Feliz por estar aprendendo com essas montanhas. Que lugar… Foto: Gabriel Sanchez Ramirez
 

Imagina um bloco desses vindo no meio do sou peito. E nao rolou um só não 🙂 É so desviar… Foto: Gabriel Sanchez Ramirez
 

 

  Voltando na Tirolesa. Foto: Gabriel Sanchez Ramirez
 

 Não pude voltar sem mancar, os companheiros de montanha tiveram que carregar minhas coisas de volta a Agostini e tive que passar mais uma noite bem incomoda no acampamento. Na manhã seguinte tínhamos que voltar a cidade e ainda bem que estava com amigos que voltaram com minha carga e voltei com minha cargueira quase vazia.  

 Glaciar Adela / Torre. Foto: Gabriel Sanchez Ramirez

 

 Puuuula…. Foto: Gabriel Sanchez Ramirez

 

Resumo da historia, não escalamos a montanha não chegamos a Niponino e ainda arrebentei meu joelho tendo mais dois meses de escalada pela frente.

Belo inicio não????

Confiram os próximos capítulos.

Por Arthur Estevez

Arquivado em: Deuter, Escalada, Lorpen, Montanhismo, Princeton Tec, Sea to Summit, Suum, Viagem

6 Comentários em "Chalten 2010: Uma temporada fria, dura e que exigiu muita paciência"

  1. Vânia Stolze disse:

    Belo é pouco, Arthurzim!
    Parabéns pro seu joelho!
    Beijo

  2. Gledson disse:

    Me manda um e-mail ([email protected]) para trocarmos umas idéias de mec da bikes.

    Abçs

  3. Rob disse:

    Seguinte Arthur. Fantástico relato, mas que saudades do Rio hein? Neve até o suvado, heheheh fresquinha com certeza..

    Valeu. Parabéns ! O joelho sobreviveu…

  4. magnificas fotografias

  5. Realmente maravillosas!!!! TQM

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