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Capitulo 4 – De la S

Capitulo 4

De la S

“Ufa….. já rolou uma escaladinha. Mas eu quero mais…”

Descemos de Piedra Negras e mais alguns dias de tempo ruim até a janela voltar a abrir. Quando o tempo voltou a aliviar eu já não tinha mais parceiro, o Felipe já tinha ido embora junto com a grande “Massa Carioca”.

O “tarado” do Seblen cismava com o Rampa Whillans e quase me convenceu de ir, já eu insistia que antes deveríamos ir na Amy (Guillaumet) pra ganhar um pouquinho mais de confiança na escalada mista. Com essa de um convencer o outro e a possibilidade dele escalar com a Kika, acabou que nada estava definido e a Gabi me “enquadrou” pra escalar.

Combinei com a Gabi de ir na Amy, mas não foi muito difícil de cair na pilha da Galera em ir na De la S. Seria uma Agulha diferente, no outro lado do vale e valeria muito a pena conhecer o caminho para Polacos.

E assim foi.

Decidimos as cordadas, eu ia escalar com a Gabi e a Kika com o Seblen.

Partimos os quatro juntos, eu já conhecia a trilha ate certo ponto, passando do glaciar dependíamos da Kika para facilitar a busca do caminho. Nossa idéia principal era dormir já quase na base da Ag. Saint-Exupéry (montanha vizinha a De la S), passando o principal Bivaque, o Bivaque dos Polacos.

Glaciar em direção a Polacos

 

Essa escolha encurtaria em pelo menos 1 uma hora nossa caminhada na manha seguinte se não fosse pelo fato da gente não achar o caminha a tempo de escurecer. Já sabendo que em Polacos não tinha água decidimos então ficar num Bivaque intermediário, que no final das contatas foi bem melhor que o Bive dos Polacos. Ali tínhamos proteção do vento, a caminhada seria menor e o mais importante, tínhamos água.

Gastamos o pouco de luz que nos restava para descobrir o caminho e não perder tempo na manhã seguinte

 

Ainda no Glaciar

 

Ainda na escuridão os despertadores acordavam a todos, confesso que deu preguiça de sair do saco de dormir, não pelo desconforto, mas pelo contrario, por uma situação atípica. Em uma situação de Bivaque quase não dormimos, sentimos frio, o chão é irregular, isso quando não dormimos sentados, as horas não passam e não vemos o momento de sair logo daquela tortura e iniciar a escalada.

Já essa madrugada foi bem confortável, um terreno plano e arenoso, arrisco dizer macio, o Glaciar quase não soprou seu vento frio e as estrelas pontilhavam o céu.

Em nossas atividades vespertinas, colocávamos as roupas de neve e tomávamos o café da manha, no caso, A Sopa da Manha. Víamos um cordada antecipando-se e logo atrás saímos, não demorou muito cruzamos a dupla, eram duas meninas.

Chegamos ao colo entre a Saint-Exupéry e a De la S, botei meu Crapon e iniciei a escalada em uma canaleta de neve e rocha, decidimos que iríamos subir todo o Nevê  desencordados. A canaleta se mostrava mais difícil que nos relatos que tinha lido e escutado, muitas vezes largava o Piolet pra dominar uns blocos ou fazer chaminé e em um desses momentos eu derrubei uma laca do tamanho de uma porta de geladeira com mais de um palmo de espessura, Gabi e Kika estavam embaixo de mim e milagrosamente a laca deslizou feito uma prancha pelo Nevê entre as duas meninas.

Na minha cabeça passou: “Pronto…. matei as meninas….”

Esse foi um grande susto mostrando que a escalada já tinha iniciado. Dominando a canaleta vi uma parada em pítons e joguei uma corda para as meninas que subiram com segurança de cima e o Seblen subia logo atrás.

Ali em cima percebi que tínhamos escolinho uma linha de rapel para subir, mas pela quantidade de neve essa era o único caminho possível. Continuamos a subir pelo Nevê, mas num terreno bem mais seguro apesar dos blocos apoiado sobre gelo e neve derretendo, por esse motivo tínhamos que chegar ao inicio da escalada antes do Sol bater mais forte na neve e deixar o terreno instável.

Chegando ao inicio da escalada a cordada mais rápida foi na frente, Kika e Seblen, os dois estariam revezando a guiada, atrás estávamos eu e Gabi, sendo que eu ia levando a ponta da corda.

A escalada inicia num face todo fendado e peças pequenas protegendo, chegando num mega platô temos que caminhar ate alcançar a aresta que nos leva ao cume.

 

Na base da Grande Aresta

 

O lugar é lindo a montanha é linda, mas a qualidade da rocha da De la S não é a das melhores, algumas proteções em lacas cantantes e suspeitas e assim seguia por toda essa aresta, até entrarmos em um diedro e uma canaleta que nos leva bem próximo ao cume.

 

A imagem retrata toda a escalada a partir do Grande Platô

 

De um platô partimos pra uma enfiada curta pro cume, lá já estava a Kika com o Rapel armado e descendo. Não perdemos tempo e tentamos manter o grupo de 4 sem uma cordada se distanciar muito uma da outra.

 

Aresta com as proteções e rocha meio suspeita

 

Gabi no Cume

 

No rapel cruzamos com a dupla de meninas que vinha atrás da gente e com mais duas cordadas que vinham do outro lado do vale.

 

Seblen mostrando suas habilidades com o rapel 😛

 

Chegando de volta ao nosso ponto de bivaque consegui convencer a galera em dormir mais aquela noite em Polacos (próximo a) e isso não foi difícil, tínhamos comida de sobra,a noite ia ser linda e a Kika sentia o tornozelo e eu o meu joelho.

Mais uma noite agradável de sono e no dia seguinte sem ter que acordar muito cedo e sem compromissos, voltamos a cidade de El Chalten.

O que mais nos impressionou na volta foi a mudança do Glaciar, na ida tínhamos passado por uma ponte de gelo fina porem consistente e passamos sem crampons, porem na volta eu e mais ninguém teve coragem de passar pela mesma ponte sem usar os crampons.

 

A ponte na ida com a passagem facilitada

 

Mais uma escalada… e mais uma cerveja………………………. Digo, pelo menos mais umas 30 cervejas…….

E agora????

Arquivado em: Deuter, Escalada, Lorpen, Montanhismo, Princeton Tec, Sea to Summit, Suum, Viagem

1 Comentário em "Capitulo 4 – De la S"

  1. carol disse:

    arrasou!!! tô adorando os relatos! fico imaginando se um dia estarei por lá também… quem sabe… daqui uns anos… 🙂

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