Ag. Guillaumet pela via Fonrouge.
Ag. Guillaumet
Depois da nossa primeira empreitada bem sucedida, o tempo dava sinal de melhoras, mas mesmo assim, foram mais umas duas semanas de tempo instável e quem já teve na Patagônia, sabe que tempo instável não é boa idéia estar pendurado.
O jeito foi continuar indo para os setores de Escalada Esportiva. Chalten tem vários setores de Escalada Esportiva e Boulders. Platéia, “Do outro lado”, Vieja Hosteria Calamar e Vaca são alguns desses diversos setores que tem vias do 4º ao 8ª Francês.
Mas finalmente no dia 13 de fevereiro a ventana veio e dia 14 estávamos em Piedras Negras, acampamento base para boa parte das vias no Cordão do Fitz.
Na Altura de Piedra Del Fraile
Piedras Negras
Ao chegar em Pedras Negras tivemos algumas surpresas, encontramos o Seblen e Neto encafofados no Bivaque, a princípio fiquei preocupado pensando que tinha acontecido alguma coisa, pois eles deveriam estar bivacando no meio da Parede do Fitz, mas ao falar com eles vi que não era nada, os caras tinha desistido da escalada mesmo. O frio extremo os fizeram descer e pela noite chegavam Bernardo e Kika, que também desistiram da escalada e estavam com todo o equipamento de Bivaque molhado.
Junto com a dupla veio a noticia que o Serginho, Pira e Julio também desceram.
Eles estavam em uma via dura, de pura escalada em rocha e exposta ao vento, não era o momento certo pra estar na Afanassief.
“Voltei aqui pra me divertir e não pra passar frio.” Neto
Neto, Edney e Seblen – De fundo Guillaumet e Mermoz
Nossa idéia inicial era tentar a Agulha Mermoz pela via Los Argentinos, mas um grupo voltava com fotos não muito animadoras da via, boa parte da via estava congelada ou coberta pela neve.
Mudamos nosso foco pra Agulha Guillaumet e a via escolhida foi a Fonrouge. Qualquer via seria novidade e escolhemos a Fonrouge não por sua dificuldade e sim por saber que teria menos cordadas tentando a via. Por conta disso tivemos que assumir um 6b (Frances) no meio da parede.
Na manhã do dia 15, acordamos não muito cedo e ao sair da barraca, ainda estava escuro e podíamos ver luzes já bem adiantadas no Glaciar. Na verdade fomos expulsos da barraca pelo Berna e pela Kika que passaram a noite que nem pingüim, congelando dentro dos sacos de dormir molhados.
Já sem a preocupação de sermos os primeiros a entrar na parede, tomamos nosso café com calma, nos equipamos e já com os prematuros raios de Sol entramos no Glaciar que ficava cada vez mais íngreme e nos levava a base da Via.
Parte Baixa do Glaciar
Final do Nevê que passa dos seus 50º
Chegando à base e esbarramos com nosso primeiro problema: Uma cordada de três que estava bem pesada e ia muito lenta na nossa frente. Os caras estavam com todo o equipo de neve e de escalada em rocha, isso é o mesmo que cada um da cordada escalar com aproximadamente 10 quilos nas costas.
Felipe saindo do Nevê / Primeira enfiada
Eles perceberam que a gente tava mais leve, escalando bem mais rápido e pelas duas ou três primeiras cordadas estávamos no calcanhar deles até que deixaram a gente passar.
Depois de resolver o primeiro “problema” fomos em simultâneo até a base do nosso segundo problema: O 6b.
Eu já vinha perturbando o Felipe pra guiar essa enfiada e ele me presenteou com uma fenda perfeita.
Inicio do Diedro de 6b
Vinha ganhando altura horas em oposição, horas entalando a mão e sentido a ponta do dedo encostando-se ao gelo que se acumulava no fundo da fenda. Confesso que uma hora tive que segurar uma laca meio suspeita e cai num píton, mas logo coloquei a convicção de volta no lugar e continuei a escalada.
“O” Diedro
Em recompensa, o Felipe ganhou uma “horizontal” não muito difícil, mas a coisa mais linda de se ver. Assim seguimos umas duas enfiadas em simultâneo até a base de um diedro molhado e com verglas ali e aqui. Passando esse diedro seguimos novamente em simultâneo até o destrepe e a base da Canaleta final.
Coisa linda de se ver
O croqui indicava que da canaleta até o Nevê final eram duas enfiadas, mas decidimos ir em uma enfiada e deu certo.
Chegando ao Nevê, tinha uma galera descendo do Cume, eles tinha vindo pela Canal Amy(Escalada em neve e gelo). Perguntamos se era possível chegar ao cume só um par de botas e um de crampons, sendo que o segundo estaria de sapatilha. Eles falaram que sim, mas era bom o segundo ir encordado.
O nosso terceiro problema:
Lembra que escrevi lá em cima da cordada pesada??? Então, nossa estratégia foi de ir leve e arriscar o cume caso não desse para os dois passarem sem os crampons.
Crista carregada de neve e gelo
O Felipe foi na frente levando a corda e cavando os degraus e eu ia atrás de sapatilha mesmo, metendo o pé na neve e horas escalando na crista da montanha quando a rocha se mostrava.
Jogando com a neve e com a rocha
Felipe montou uma parada no colo e dividimos o Nevê em dois, a neve supostamente não deveria estar indo até o cume, mas foi. Em uma canaleta embaixo do último bloco da montanha paramos para tirar umas fotos, falar mais um pouco de besteira, comer alguma coisa e fazer a foto de cume ….
A parada no colo
Acesso pro Cume
O cume é um boulderzinho de aderência… o mesmo que subir num “ovo”. SHOW
Arthur no cume
Felipe no cume
E iniciamos a descida….
Rapel na canaleta que leva de volta ao destrepe
Um dos rapeis “confiáveis” da Patagônia. Esse até que tava bom
Durante o rapel encontramos o resto da galera que estava subindo. Primeiro foi o trio pesado, eles perguntavam se faltava muito, falei que não, e faltavam mais uns 80m de rocha e o resto do Nevê. Depois fiquei sabendo que eles não fizeram cume, talvez uma escolha errada com o peso.
Logo abaixo, depois do destrepe, estava uma dupla Norte Americana perguntando se dava pra ir pro cume sem equipo nenhum de neve. Bem, não falei que não dava, mas também não recomendei, principalmente pelo horário. “Eles estavam leves de mais….”. E iniciaram a descida logo atrás da gente.
Engarrafamento… E agora??? :/
Felipe Abrindo o Rapel e trabalhando as cordas.
Mais embaixo um trio argentino, uns figuras de Chalten gente boa, mas estavam com um outro Chaltelense que não escalava (Só em Chalten mesmo pra isso acontecer), e um deles não estava muito bem.
Eles já estavam rapelando e esse foi nosso quarto problema. Eram 3 rapelando, sendo que um deles era inexperiente. Resumo da ópera: Daria para ter feito cume e descido antes das 21 horas, mas devido a esse engarrafamento no rapel acabamos chegando pra lá de meia noite.
E essa é a historia do meu Primeiro Cume no Cordão do Torre.
Na mesma janela que eu estava abrindo o Cordão, um dia depois Nicolau fechava o Cordão atingindo o Cume do Fitzroy pela Super Canaleta. O primeiro Brasileiro a fechar o Cordão e o primeiro a fazer o Fitz pela Super Canaleta.
Valeu mais uma vez pela parceria Felipe…..
E toda a galera que deu força pra gente com infos, croquis etc.
Próximo Capitulo – Ag. de La S



























Parabéns galera!
Parabéns a todos!