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Caminho de Santiago – Os Pireneus – Parte 2

Caminho está bem sinalizado, embora muitas vezes a sinalização esteja pintada no asfalto, o que me fez acreditar que deve ser meio complicado no inverno, com a neve, conseguir visualizar as flechas amarelas.

Sinalização quase apagando no asfalto
Sinalização quase apagando no asfalto
Um lugar onde as pessoas se perdiam muito – quando o pessoal carimba as nossas credenciais em Saint Jean, dá um mapa onde está bem assinalado este trecho, recomendando ir para a direita – está agora sinalizado à direita com um cruzeiro, cheio de pedras empilhadas.

Saindo da estrada se pega uma trilha à direita. Logo depois encontra um abrigo de pastor, assinalado com uma placa do Caminho, é muito  lindo. É mesmo emocionante, aquele abrigo precário de pedras, voltado para a imensidão daquelas montanhas…

Abrigo de Pastores
Abrigo de Pastores

A partir daí, anda-se por longo trecho descendo entre bosques, mas com cercas dos dois lados. Deve facilitar também para não se perder no período do inverno.

O Caminho
O caminho ladeado bor bosques e cercas

Neste trecho tem uma cruz lembrando o peregrino brasileiro que morreu lá no inverno passado, Antonio. Tem um grande marco, lembrando os mais de 700 km até Santiago, e depois, a fonte de Roldan.

Cruz do peregrino Antônio
Cruz do peregrino Antônio

Quilometragem para Santiago
Quilometragem para Santiago

Ainda tínhamos mais de um litro de água e não enchemos as outras duas garrafas. Insensatez. Resultado: apesar de estar fresco e à partir desse trecho pegarmos uma chuva não muito forte, ficamos com sede depois de passar o collado Leopoder. Não há nenhuma construção atéRoncesvalles. Só árvores e algumas ovelhas. Sorte que os dois paulistas, Reche e Paulo, tinham parado um pouco e esperaram a gente e nos deram água.

O trecho até o Leopoder, o local mais alto neste trecho dos Pireneus, é pela estrada e cheio de subidas e curvas. Aquela história, depois de uma curva, sempre uma subida.

Decidimos, já na descida, ir por Ibañeta e não pelo bosque, para ver melhor o local da batalha onde os cavaleiros de Carlos Magno foram emboscados.

Os pueblos vistos do alto dos Pireneus
Os pueblos vistos do alto dos Pireneus

Existe ali, no local de um antigo mosteiro, uma capela muito moderna, como uma cabana alpina, e ao lado, um marco de pedra bruta, em homenagem ao herói da batalha de Roncesvalles, em 778, o cavaleiro Roldán, personagem principal da Chanson de Roland, canção de gesta francesa famosa nos tempos medievais.

Muitas vezes as nuvens ficam abaixo de nós ou a neblina vem caminhando para envolver a gente – é muito como estar dentro de um cartão postal.

Acima das nuvens
Acima das nuvens

Depois da capela, se entra por um lindo bosque até chegar à Colegiatta de Roncesvalles, mosteiro do século IX, um dos pontos altos da hospitalidade do Caminho.

A chegada é muito bonita e apesar de chegarmos pelas 6 horas, eu estava febril e não fui ver o silo nem o xadrez de Carlos Magno.

Fomos à missa, na igreja linda, mas o padre falava muito monocordiamente e não foi muito emocionante como o povo sempre fala. Provavelmente mais culpa do meu estado febril do que do padre.

Começou a serie de bençãos peregrinas, que iriam se tornar freqüentes em todo o Caminho, uma mais emocionante que a outra, além das belas vésperas beneditinas em LeonRabanal eSamos

No segundo Caminho, vi na colegiatta perto do claustro, o tumulo de Sancho VII, o Forte e sua esposa. Ele é o herói da batalha de Navas de Tolosa, onde os muçulmanos foram vencidos em 1212 e as cadeias que os prenderam estão sobre o tumulo e hoje fazem parte do escudo da Navarra.

Ainda no pequeno pueblo se pode ver o Silo de Carlos Magno, desde a Idade Media usado como cemitério de peregrinos, e hoje o cemitério do povoado. É até assustador ver tantos crânios amontoados no subsolo.

O museu  abriga peças muito interessantes, como o chamado xadrez de Carlos Magno, armaduras, imagens, jóias, etc.

Há ainda a pequena igreja românica de Santiago, toda em pedra e a igreja da Colegiatta, em estilo gótico e com uma belíssima Virgem vestida de prata. Existem ainda um hostal, um albergue da juventude, dois restaurantes e o albergue de peregrinos,  no local do antigo hospital, com capacidade para quase 200 pessoas e que é gerido por uma associação alemã.

Como se vê, foi muito bom e embora de mochila, mais pesada que o bom  senso recomendava, foi muito lindo e não foi o bicho papão que  imaginávamos.

O pessoal que subiu 3 dias antes de nós, teve uma experiência completamente diferente: tempestade com raios, trovões e muito vento…

No nosso dia vimos que iria chover no final da tarde, o que realmente aconteceu, mas foi uma chuva refrescante e como boa nordestina, eu adoro andar debaixo de chuva – desde que não seja muito forte, com raios e trovões…


Resumindo:

1. Vale começar o caminho pelos Pireneus. É lindo demais. Mas lembrar que é muito importante saber a previsão do tempo. Uma tempestade lá em cima é um começo de caminho muito apavorante.


2. Vale parar em Untto. O local é lindo, a paisagem maravilhosa, a gente vê Saint JeanSaint Michel… a comida é ótima e a gente  começa devagar. Ou em Orisson, outra alternativa que se tem agora, mais no meio do trajeto Saint Jean Pied-de-Port – Roncesvalles, onde existia na antiguidade um priorado ligado a Colegiatta de Roncesvalles, e que abrigava peregrinos.

Clinete Lacativa

Arquivado em: Deuter, Trekking, Viagem Tags: Trekking, Viagem

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