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Big Wall no Parque Nacional da Tijuca – Será que o Tempo Realmente Passa???

Salve Galera.
Dia 23 de novembro, junto do meu camarada Sergio Ricardo terminamos a conquista de um Mini-BigWall na parede mais negativa do João Antonio (Parque Nacional da Tijuca).

Pico João Antônio

Aí você pergunta: Que doideira é essa de Mini-BigWall Arthur? Rs.
Pois é… Apesar da via ser curta e não passar dos 200 metros, envolve todos os equipamentos e logística necessários para escalar um BigWall.
É uma linha ideal para quem está querendo iniciar no estilo de escalada, pois tudo é muito fácil. A aproximação não demora mais de 40 minutos de caminhada (com peso), a linha não é tão grande. A fuga, tampouco complicada se deixar a parede encordada, e a graduação é bem acessível.
Estamos falando da via “Será que o Tempo Realmente Passa” graduada por nós em A2+ 6+/7a E2/3 D5 – João Antonio, PNT.
Vinha namorando essa parede fazem alguns anos, desde quando eu fui com um amigo fazer o Paredão Marumbi (única via de escalada da montanha). Em 2010 cheguei a conversas com o Bernardo Collares (Pres. FEMERJ na época) de aplicarmos o “formulário modelo para conquistas de novas vias” que já vem sendo utilizado no PARNASO e PNI dentro do PNT.
Na época, o responsável técnico era o Bernardo Issa. Chegamos a dar andamento no formulário, mas devido à chuva e desencontros a escalada não foi possível.
Esse ano a vontade de escalar a parede voltou, mas dessa vez quem coordenou e foi interlocutor do processo foi o Delson Queiros (atual Pres. FEMERJ), tendo o Daniel Toffoli como responsável técnico do Parque.
Toda essa burocracia valeu a pena, pois foi possível dormir no Parque com autorização e abrimos a primeira via de escalada com a autorização e conhecimento do Parque Nacional da Tijuca.

Dia 12 de novembro estávamos no Bom Retiro, local que iniciamos nossa caminhada. Com a ajuda de 4 amigos (Claudio, Naiara, Michelle e Agostinho) levamos toda a carga em uma só viagem. O primeiro dia foi pouco produtivo e abrimos apenas uma enfiada de 15m.

Primeira enfiada

Acordando no segundo dia

O segundo dia foi um pouco mais produtivo, abrimos duas enfiadas de mais ou menos 30 metros cada. Tudo muito negativo, a probabilidade de chuva não nos assustava já que estávamos protegidos pelo imenso negativo, mas conforme íamos ganhando altura também íamos ficando mais expostos à chuva. Então decidimos deixar a parede encordada e voltar para casa.

Segunda Enfiada

O Portaledge é uma ótima idéia nessa negatividade

No dia seguinte (14/11/2011) organizamos nosso acampamento suspenso e embaixo de uma leve chuva voltamos para cidade deixando para traz todo nosso equipamento.

Essa foto ninguém tem... Visão do Pico da Tijuca

Dia 20 voltamos e dessa vez tivemos um contratempo com a autorização. Como não tínhamos nenhum papel provando nossa permissão de entrada no parque com pernoite e o Daniel Toffoli não foi encontrado no telefone, não foi possível ficar aquela noite no parque, mas mesmo assim decidimos ir ate a via e abrir mais alguns metros de parede. Foram poucos, 15 no máximo e que não perdeu a negatividade. Por vezes os pés ficavam completamente aéreos, como se estivéssemos em um teto.
Para não ter problema com o parque decidimos deixar a parede e sair pela portaria do Bom Retiro antes das 5 da tarde.

A negatividade da parede impressiona.

E muito. Se o rapel for feito da quarta enfiada até a base da escalada, da uma distância de mais de 30 metros.

Segunda-feira, dia 21, estávamos novamente na Administração para pegar a autorização e mais uma vez tivemos um contra tempo. Toda a equipe técnica estava em uma reunião importantíssima fora do parque para definir as diretrizes para o ano de 2012. Tivemos que esperar ate meio dia para as atendentes, que por sinal foram super solicitas e compreensivas com nosso problema, falarem com a Loreto (Dir. do Parque).
Na mesma hora que as meninas falaram com a Loreto, ela liberou e pela primeira vez recebemos um documento oficial do parque.
Documento que vou guardar com muito carinho, pois ele marca um novo momento do montanhismo Carioca dentro do PNT.
Com o “papel” e com a alma mais leve, finalmente podemos retomar nossa conquista. Decidimos que esse dia foi perdido e passamos o resto da tarde em nosso acampamento suspenso. No dia seguinte jumariamos os metros aéreos já conquistados e a parede perdia negatividade.
Até essa parte da parede (inicio da quarta enfiada), a via seguia por um sistema de fenda perfeito, muito negativo, mas perfeito, com boas colocações de peças passivas e ativas. Alguns poucos pítons foram batidos e nenhum furo de Cliff foi usado até então.
Ou seja. Como o Tartari falou em um filme antigo de escalada: “Se alguém bater grampo nessa fenda, não respondo pelos meus atos”.
E se alguém bater buraco de Cliff nessas via alem dos 3 que foram feitos…….. rs.
Bom, seguindo nosso relato. Uns 15 metros depois da P3 a parede perde negatividade, apesar de seguir bem vertical. A fenda perfeita acaba e temos que seguir por um sistema de fissuras curtas e pequenas onde me obriga a usar os Heads. No finalzinho dessa enfiada acabo saindo uns 2/3 metros em livre para entrar em um buraco onde bati a parada.
A quinta enfiada foi conquistada pelo Sergio em livre. Essa enfiada deu um 6+/7a em lances de “abaulencia” bem vertical e diria que bem exposto. Nosso camarada tomou um “pacote” considerável quando estava conquistando. Pelo menos uns 10 metros de vôo.

Sérgio conquistando em livre

A enfiada acabava em um teto, não dava pra saber direito o que tinha em cima desse teto, mas dava pra ver que o matagal final estava próximo. O Sergio tinha dado a escalada por terminada, mas eu insisti que não…. “a conquista acaba quando termina”. rs.
Com os trovões estrondando em minhas costas tentei “agilizar” ao máximo. Contornei o teto pela direta passando por uma fenda, em cima desse teto bati uma chapa e segui por um sistema de fenda por meio de uma vegetação mais forte. Essa enfiada final lembra muito as enfiadas finais da Presença da Laracna no Pico dos Quatro.

Dominando o Teto e indo pro fim da via.

Bati a ultima proteção da via, chamei o Sergio para parada final e andamos uns 60 metros para dentro do mato. Com um tempo incerto decidimos voltar e iniciar os rapeis.
A chuva castigou o Rio de Janeiro aquela noite e nós nem tomávamos conhecimentos, já que estávamos protegidos pela negatividade da parede.

Última chapa

No dia seguinte arrumávamos todo o equipamento para sair da parede. Ligamos para alguns amigos informando que tínhamos terminado a via e o Ducha se prontificou em resgatar a gente.
Montou uma “equipe de resgate” e foi lá ajudar com as tralhas. Pra nossa surpresa a pequena Nina (filha do Ducha que completa 1 ano agora) estava na equipe :).
E dia 24 demos nossa empreitada por encerrada.

Nosso Acampamento Suspenso

Como Chegar
É a mesma trilha que vai para o Paredão Marumbi e para o Bloco do Toninho, mas como a maioria das pessoas não sabe chegar lá, vou descrever o caminho: A partir do Bom Retiro deve pegar a Trilha para o Papagaio, uns 5 minutos depois da bifurcação Papagaio x Tijuca vai ter uma placa, nessa placa tem uma trilha secundaria, um pouco discreta, mas bem definida.
Essa trilha é conhecida como Trilha da Serrinha, mas você não vai seguir por ela muito tempo. Logo você chega a um tronco caído no meio da trilha e nesse troco a trilha bifurca. Você vai pular o tronco e seguir reto.
A trilha começa a descer, e você encontra outra bifurcação, nesse ponto você não deve continuar descendo, segue pra esquerda.
A partir dessa bifurcação tem umas marcações amarela e preta que devem ser seguidas e logo vai chegar no Bloco do Toninho.
Chegando no bloco do Toninho você vai contornar ele pela direita seguir por umas pedras ate encostar na parede do João Antonio. Se estiver certo vai encontrar uma seqüência de grampo, um projeto abandonado faz um tempo.
Segue subindo o Bambuzal para a direita, se a via ficar muito tempo sem repetição provavelmente o bambuzal vai ter que ser reaberto.
Contornando pela direita você chega novamente na parede do João Antonio. Dessa vez vai margear a parede para esquerda e em um ponto mais alto, vai encontrar uma corda fixa em uns grampos. Outro projeto inacabado.
Até esse ponto a caminhada não pode demorar mais que 40 minutos.
Vai subir uma rampa (costão de pedra) com um trepa-pedra ate chegar no Platô que montamos nossa acampamento suspenso. Encordar esse costão pode ser uma ótima idéia.
A via começa em um sistema de fenda que sai de uma caverna um pouco a baixo do platô que bivacamos.
Todas as paradas são duplas menos a ultima.

Equipamento Recomendado
Ferramentas de BigWall / Artificial
1 – Jogo de Camalo do .1 ao 6
2 – Jogo de Camalo do .1 ao 5
1 – Jogo de Camalo do .4 ao 5
1 – Jogo TCU Metolius
Repetir 00 e 0 TCU Metolius
Dois jogos de Nut – repetir os pequenos
ChunboHeads e AlumínioHead variados.
1 – knifblade pequeno
1 – lost arow médio
1 – Universal Médio
(recomento variar os pítons, pode ajudar sua criatividade)
2 – Cliff Hoock
2 – Cliff Hanger
2 – Tallon
Corda Para fixar as primeiras enfiadas.
Porta Ledg – Ajuda muito nas 3 primeiras enfiadas

*Ratificando, só tem furos de Cliff na quarta enfiada e são poucos.

Devemos agradecer algumas pessoas que deram uma força nessa escalada;
A galera que levou as tralhas: Claudio, Michelle, Naiara e Agostinho;
A galera que viabilizou a parte burocrática: Delson, Toffoli e toda equipe do PNT;
A galera que foi resgatar: Ducha, Pinta, Carol, Guillher, Ivan e a pequena Nina;
A galera que emprestou uns equipos: Rodrigo Valle, Edney e o Dallorto.

O Croqui ocuparia muito espaço no post. Quem estiver interessado em repetir a via pode entra em contato que mando por email.
Mais informações da via: [email protected]

Essa é mais uma via patrocinada pela Cumes e doada ao CERJ (Clube Excursionista Rio de Janeiro).

www.cumes.com.br

Arquivado em: Escalada, Montanhismo Tags: arthur estevez, Big Wall, PNT, Será que o Tempo Realmente Passa

10 Comentários em "Big Wall no Parque Nacional da Tijuca – Será que o Tempo Realmente Passa???"

  1. Ester Capela disse:

    Parabéns, Arthurzinho e todo o pessoal que contribuiu de alguma forma para essa nova conquista e esse novo momento de ‘relacionamento’ entre o PARNA TIJUCA e os amantes da escalada no Rio de Janeiro! Realmente é um momento a ser comemorado! Parabéns à todos!

  2. Arthur Estevez disse:

    Valeu Ester…………….
    A Ester também foi uma pessoa que ajudou muito na nossa primeira exploração para chegar na base da parede.
    Valeu pela força ESTER… 🙂

  3. Flávio Sidney disse:

    Parabens a todos envolvidos na empreitada! Olhando as fotos a via parece ser show, aluciante, fendas espetaculares, fizeram um ótimo trabalho… Quando puder quero conhecer!!! É isso ai, as conquistas não podem parar.
    Valew, abs.

  4. Arthur Estevez disse:

    Show … é isso ae Flavio … Viazinha bem legal … pra todos os públicos….. Gostosinho de mais para os “cascudos” e uma boa escola pra galera que ta querendo se meter nos BIG. Tem de tudo 😉 Cliff de agarra…. heads… micro friends… pítons…. coisa grande….. uma lance nervoso de nuts suspeitos…. escalada em livre….
    E o melhor de tudo é a facilidade de aproximação e logística….
    Show cara… grande abraço.

  5. Davi Marski disse:

    Pôxa… muito legal, parabéns !!!

  6. Afonso disse:

    Parabéns amigos pela conquista, sensacional. valeu mesmo!!!

  7. joao batista correa disse:

    E Arthur. Segundo alguns fisicos,o universso expande,e o tempo retrai,( movimento atual),entao aproveite que o tempo vai sempre menor.

  8. Césinha disse:

    Parabéns Arthur! Realmente muiito show esse big.., qdo voltar ao Rio, gostaria muito de repeti-la. Inté,
    Césinha.

  9. Arthur Estevez disse:

    Opa….. SHOW…. se precisar qualquer ajuda na logistica so falar 🙂

  10. Rafael Villaça disse:

    Valeu Arturzim!!
    Parabéns!
    O CERJ agradece este belo “presente”!
    Quem sabe uma cordada do clube tenta repetir a via ano que vem? Pelo menos até a P4, porque lance de 7º exposto…. uiii….

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