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A primeira escalada da Face Norte do Eiger

A histórica primeira ascensão da Face Norte do Eiger, também se junta à história da fabricante de equipamentos alemã Deuter. O alpinista Anderl Heckmair, que liderou esta primeira escalada, utilizava uma mochila Deuter.


Este evento dramático, desempenhado ao longo de quatro dias em julho de 1938 (22 a 24) nas montanhas da Suíça, marcou o ápice da corrida para escalar as grandes faces norte dos Alpes.Reinhold Messner comentou que a rota de Heckmair não é apenas uma das maiores escaladas de todos os tempos, mas “até mesmo uma obra de arte” em sua expressão de seriedade “e auto-realização lúdica” no coração do montanhismo.

Foto: Fritz Kasparek e Heinrich Harrer na montanha durante a primeira subida do Eiger North Face. Fonte: spiegel.de – Arquivo Heckmair-Auffermann
O Eiger é uma montanha notável nos Alpes Bernese, que se eleva à altitude de 3.970 metros. É o pico mais oriental da crista que se extende até o Mönch, de 4.107 metros, e atravessa o passo Jungfraujoch até o Jungfrau, com 4.158 metros.
O pico é mencionado em registros que datam do século 13, mas não há indicação clara de como exatamente o pico ganhou seu nome. As três montanhas da cordilheira são comumente referidas como a Virgem (em alemão: Jungfrau, literalmente “Jovem mulher” – traduzido como “Virgem” ou “Dama”), o Monk (Mönch) e o Ogro (Eiger). O nome foi ligado ao termo grego akros, que significa “afiado”, ou “pontiagudo”, mas mais comumente ao alemão Eigen, que significa “característico”.

Nordwand

A Nordwand, tradução alemã para “face norte”, é a espetacular face norte (ou, mais precisamente, a noroeste) do Eiger (também conhecida como Eigernordwand, “Eiger North Face”). É uma das seis grandes faces norte dos Alpes, elevando-se a mais de 1.800 metrosacima do vale de Bernese Oberland.

Foto: Andreas Anderl Heckmair em ação na primeira subida da face norte do Eiger em julho de 1938. Fonte: spiegel.de – Arquivo Heckmair-Auffermann

A face de 1.800 metros pode ser imaginada pelos nomes de suas características gráficas: Hinterstoisser Traverse, Death Bivouac, White Spider, gretas na saída, além de três campos de gelo escarpados. Também é uma arena pública, os escaladores proporcionam um espetáculo para os “Eigerwatchers” (observadores do Eiger) com seus telescópios no balcão do hotel em Kleine Scheidegg.

A primeira tentativa na face norte foi feita em 1934 por Willy Beck, Kurt Löwinger e Georg Löwinger, alcançando 2.900 metros. No ano seguinte, uma nova tentativa foi realizada pelos alemães Karl Mehringer e Max Sedlmeyer. Infelizmente eles congelaram e morreram a 3.300 metros, em um local agora conhecido como “Bivaque da Morte” (Death Bivouac).

Um ano mais tarde, 1936, quatro alpinistas austríacos e alemães, Andreas Hinterstoisser, Toni Kurz, Willy Angerer e Edi Rainer, morreram na tentativa da face norte em severas condições climáticas durante a retirada do Death Bivouac, um drama que foi retratado no filme “The Beckoning Silence”, narrado pelo famoso montanhista britânico Joe Simpson.

Em 1938, o editor do Alpine Journal, Edward Lisle Strutt chamou a face norte do Eiger de “uma obsessão para os doentes mentais” e “a variante mais imbecil desde que o alpinismo começou”.

Anderl Heckmair era o homem ideal para a Nordwand. Ele tinha feito a primeira ascensão direta da face norte do Charmoz (3.445 m), duelou com o Grandes Jorasses, acima de Chamonix, e passou seis semanas em 1937, escondendo-se em torno do pé do Eiger trabalhando fora da rota, isto porque os suíços tinham proibido a escalada na face depois de seis mortes.

Andreas “Anderl” Heckmair e Ludwig “Wiggerl” Vörg se encontraram com Fritz Kasparek e Heinrich Harrer no segundo campo de gelo. Os austríacos, tendo partiu em 21 de julho de 1938, já havia passado uma noite na rota e se espantaram ao ver que os alemães “correram” atrás deles, tendo sido ajudados pelas cordas fixas que o grupo anterior havia deixado por toda a Hinterstoisser Traverse. Aqui reside a chave do sucesso. Heckmair e Vörg tinham imaginado que a Nordwand era predominantemente uma escalada no gelo, e por isso foram equipados em conformidade, e não para uma rota de rocha como os outros supunham que fosse.

Os dois alemães também utilizaram crampons de 12 pontas pela primeira vez, um dos itens que revolucionaram a escalada em gelo e neve íngreme. Em vez de cortar laboriosamente cada passo com um piolet no gelo, eles poderiam simplesmente chutar o seu caminho para cima, as duas pontas frontais do crampon mordem a inclinação para fixar imediata. Os crampons de 12 pontas faziam parte do novo equipamento e Heckmair e Vörg tinham recebido da Sporthaus Schuster, em Munique.

Face norte do Eiger

A reunião melhorou as possibilidades dos austríacos em uma face conhecida por tempestades e quedas de pedras, onde a velocidade é um fator que salva vidas. Kasparek usava o menos eficiente crampom de 10 pontas e Harrer só tinha botas cardadas (com pregos na sola). Heckmair assumiu a liderança e Harrer, que ficou como último homem na corda, recolheu os pitons de metal, sua mochila foi ficando cada vez mais pesada. Tal como aconteceu no Anschluss (Anschluss é uma palavra do idioma alemão que significa conexão ou anexação. É utilizada em História para referir-se à anexação político-militar da Áustria por parte da Alemanha em 1938.), os alemães foram os parceiros dominantes. No entanto, ironicamente, Harrer foi o nome que se tornou mais associado na mente dos britânicos com o Eiger através de seu relato clássico da subida, “Die Weisse Spinne” (The White Spider, 1959). Uma parte da face superior é chamada de “The White Spider” (A Aranha Branca), rachaduras preenchidas com neve irradiando de um campo de gelo se assemelham a patas de uma aranha. Harrer usou este nome para o título de seu livro sobre a sua escalada bem sucedida.

Apesar das dúvidas iniciais de Heckmair, os quatro formaram um grupo único, e permaneceram em sua maior parte unidos, inclusive quando uma tempestade os alcançou no alto da rota. Heckmair sofreu várias quedas, na pior delas, uma das pontas de seu crampon feriu o polegar direito de Vörg, e o quarteto também sobreviveu a repetidas avalanches. Chegaram ao cume em 24 de julho, onde eles apertaram as mãos, limparam o gelo de suas sobrancelhas, e seguiram para baixo com neve profunda para uma recepção extraordinária, em Kleine Scheidegg.

O quarteto

Somente oito anos depois, em 1947, é que ocorreu a segunda ascensão da face norte por Lionel Terray e Louis Lachenal.

Face Norte – Novos desafios

Posteriormente, a face foi escalada muitas vezes, e hoje é considerada como um formidável desafio mais por causa do aumento da queda de rochas e diminuição dos campos de gelo do que por causa de suas dificuldades técnicas, que não estão mais no mais alto nível de dificuldade do alpinismo moderno. No verão, a face fica muitas vezes intransponível devido à queda de rochas, e os escaladores estão cada vez mais preferindo escalá-la no inverno, quando a desintegração da face é reforçada pela presença de gelo duro.

Ao longo dos anos muitos importantes nomes do alpinismo passaram por esta magnífica parede, e os desafios se tornaram outros, como por exemplo a primeira ascensão em um dia apenas, feita em 1950 por Leo Forstenlechner e Erich Wascak, em apenas 18 horas. Nos dias 2 e 3 de Agosto de 1963 a face norte do Eiger teve sua primeira ascensão em solo por Michel Darbellay. Em 1964, a alemã Daisy Voog se tornou a primeira mulher a chegar ao cume através da face norte.

A redução no tempo de escalada começou a se tornar o novo desafio, e em 1974, o tirolês Reinhold Messner e Peter Habeler escalaram a face norte em 10 horas. Este recorde foi quebrado pelo guia suiço Ueli Bühler que realizou em solo a face em 8 horas e 30 minutos, em 1981. Dois anos depois, no dia 27 de julho de 1983, o austríaco Thomas Bubendorfer escala em solo sem utilizar corda em 4 horas e 50 minutos, quase metade do tempo Bühler. Em 24 de março de 2003, o italiano Christoph Hainz quebrou o recorde de Bubendorfer em 10 minutos, escalando a face em 4 horas e 40 minutos.

A partir de então, recordes não pararam de ser vencidos, em 21 de fevereiro de 2007, o alpinista suiço Ueli Steck quebrou o recorde de Christoph Hainz, subindo em solo a face norte em 3 horas e 54 minutos. Em 13 de Fevereiro Ueli Steck quebrou seu próprio recorde, solando a face norte no incrível tempo de 2 horas, 47 minutos e 33 seconds.

Na escalada em equipe hoveram novos recordes vencidos também, em 28 de Janeiro os alpinistas suiços Roger Schäli e Simon Anthamatten escalaram em 6 horas e 50 minutos a rota Heckmair, recorde que apenas um mês depois foi quebrado pelos suiços Daniel Arnold e Stephan Ruoss que escalaram a mesma rota em 6 horas e 10 minutos.

Indicação de leitura… o Eiger e outas aventuras

Desde 1935, pelo menos sessenta e quatro alpinistas morreram tentando a face norte, ganhando então o apelido de Mordwand, ou “Murder Wall” (parede assassina), um trocadilho com o nome real da face, que é Nordwand em alemão.

Quando Anderl Heckma irrealizou a primeira escalada da face Norte do Eiger, utilizou uma mochila Deuter Tauern, a mochila lendária da Deuter, que tinha sido lançada em 1930 e durante décadas permaneceu como um artigo clássico do equipamento dos alpinistas. Nos anos seguintes, foram utilizados equipamentos da Deuter em muitas outras expedições.

Referências:
– Reportagem do periódico britânico “The Independent”.
– Reportagem do periódico suiço “Jungfrau Zeitung”.
– Site pessoal de Anderl Heckmair.

Saiba Mais:
– Livro “The White Spider” de Heinrich Harrer.
– Livro “Sete Anos no Tibet” de Heinrich Harrer.
– Vídeo de Ueli Steck escalando em solo a face norte do Eiger: http://www.youtube.com/watch?v=eWCljD5_Rew

Por Beto Joly
Arquivado em: Deuter, Escalada, Montanhismo Tags: Escalada, Montanhismo

1 Comentário em "A primeira escalada da Face Norte do Eiger"

  1. Luiz disse:

    Vejo que vc gosta de adrenalina.

    Postei 4 filmes sobre escaladas e um sobre George Malory;
    todos c/legendas sincronizadas.
    vai que vc acha assim:

    youtube/ethanluiz

    estou uplando “North Face” O Eiger….
    deixe um coments…

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