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A importância de se fotografar na luz e época corretas

Olá pessoal, queria com essa postagem dizer algumas coisas sobre interpretação da luz natural. E isso vai bem além de fotografar cenas clássicas (e belas, sem dúvidas) como um nascer ou pôr do sol.
Com certeza todo mundo, fotógrafo ou não, já perdeu a conta de quantas vezes se emocionou com um fim de tarde multicolorido, seja na cidade, na praia ou montanha. E creio que todos que me leem aqui já fotografaram cenas assim, exaustivamente. Não há dúvidas que esse tema pode render ótimas fotos, mas minha ideia com essa postagem é mostrar a vocês outras ocasiões, menos óbvias, mas que também propiciam grandes capturas.

Tom Alves

Próximo de meio dia os raios solares incidem mais perpendiculares na superfície da água do mar, realçando melhor as cores. Soma-se a isso o uso do filtro polarizador circular (PLC), que elimina reflexos indesejados e aumenta contraste e saturação das cores.

Tom Alves

A luz das primeiras horas da manhã na Patagônia. Campo bem amarelo, época bem seca. Uso de filtro PLC.

A primeira e mais importante dica não poderia ser outra: aproveite sempre que possível, e aí eu digo, faça realmente o possível e o impossível para fotografar na luz que convencionalmente chamamos de “luz de ouro da fotografia”, ou a “hora mágica”. Trata-se da luz nas primeiras horas que o sol ilumina o dia e também nas últimas horas, até alguns minutos depois do pôr do sol. Os horários variam de latitude pra latitude, assim como durante as estações do ano. Quanto mais perto do equador, menor a diferença entre a duração entre os dias e as noites. E por conseqüência, as variações de intensidades luminosas entre as estações são menores. Assim, no nordeste do Brasil, em lugares como o Rio Grande do Norte, o sol se põe perto das 17:30, seja verão ou inverno. E nasce também muito cedo, geralmente antes das 5 horas. Mas no sul ou sudeste de nosso país isso varia bastante, até mesmo pelo horário de verão. Em geral, as 2 primeiras e as duas últimas horas de luz de cada dia são as mais bonitas. Pra ser mais rigoroso, a hora mágica, propriamente dita, é aquela meia hora antes e depois do nascer do sol e analogamente, meia hora antes e depois do pôr do sol. É onde podemos perceber uma nítida tonalidade dourada na paisagem, pois a luz tem uma alta temperatura nesse horário, que deixa as fotos com cores mais vivas e agradáveis, texturas mais perceptíveis e sombras suaves. Na grande maioria dos casos, é isso que um fotógrafo de paisagens procura. Luz quente e suave. Guarde isso.

Menino com revista

Retratos com a “luz dourada” dos fins de tarde.

Tom Alves

Retratos com a “luz dourada” dos fins de tarde.

Tom Alves

Retratos com a “luz dourada” dos fins de tarde.

Outra observação importante é que no inverno os períodos de luz considerada boa se dilatam um pouco. Ou seja, uma luz de 9 horas da manhã em pleno inverno no sudeste do Brasil é melhor que a mesma luz no verão.

Agora vamos a algumas exceções: nem sempre é possível tirar todo proveito dessa luz. Em alguns lugares montanhosos, de elevações abruptas, como os Andes ou os Southern Alps da Nova Zelândia, no horário da luz mágica as regiões de vales muitas vezes estão imersas em grandes sombras, pois montanhas muito altas já taparam o sol. Aí, provavelmente precisaremos fotografar em horários intermediários, onde haja luz incidente nas paisagens que gostaríamos de captar. Há outro caso onde fugimos completamente à luz dourada. Por exemplo, em momentos onde queremos captar as tonalidades de um mar azul, ou de um rio de águas cristalinas. Nesses casos, quanto mais perpendicular for a incidência da luz na superfície da água, mais cores captaremos em nossas fotos. Para esses casos, o uso de um filtro polarizador circular (PLC) é bem recomendável.

Tom Alves

Luz quente da manhã. Observe as sombras, muito inclinadas.

Tom Alves

Fim do Inverno no cerrado de Goiás. Paisagem seca, céu azul.

Há casos também em que a luz mais bela de uma paisagem pode estar camuflada na luz da lua. Seja no meio da noite, na sua calada, ou mesmo instantes antes de o dia nascer. Essas fotos são chamadas de noturnas e geralmente causam efeitos impressionantes. Bem, sobre fotografia noturna precisaremos de um capítulo a parte, em breve publicarei aqui algo sobre o tema. Aguardem!

Outra coisa muito importante também, e acho até que isso é o mais importante, é saber escolher as melhores épocas para se fotografar cada lugar. Por exemplo, se você viaja por Minas Gerais nos meses de inverno, especialmente nas regiões centro, norte, oeste e centro oeste do estado, verá mais de 90% dos dias azuis, sem chuva alguma. Cada pôr do sol é mais impressionante que o outro. Pode ser uma ótima época para se fotografar paisagens. No início da estação seca, mais ou menos em abril, pode haver algumas chuvas, mas os rios estão ainda com bom volume de água, o que pode ser muito interessante para as fotos de cachoeiras. Já no fim dessa estação, por volta de setembro, o cerrado está completamente amarelo em alguns lugares e bastante seco, ou mesmo queimado, em outros. Fumaça de queimadas também são comuns, comprometendo nitidez e visibilidade na paisagem. Já no nordeste do Brasil, no inverno chove e venta bastante. Você provavelmente não verá o mar tão belo quanto no verão.

Tom Alves

Outono na Patagônia. Um quadro impressionista a céu aberto.

Tom Alves

Um momento raro e de duração breve. Céu tempestuoso ao fundo, com grande dramaticidade e ao mesmo tempo, o sol iluminando a pastagem.

Já na Patagônia, o outono colore toda a paisagem de tons amarelos e vermelhos, como um quadro impressionista. Mas em contra partida, o número de dias de sol é bem menor que no verão. Além disso, faz mais frio e os ventos são costumeiramente fortes. Tudo tem seu preço. Há ainda muitas outras nuances, com relação a comportamento de vida selvagem, épocas e rotas migratórias de aves, ocorrência de floração nos diferentes biomas, etc. Esteja sempre atento, pesquise previamente e programe-se.

Bem, como conclusão, gostaria de salientar que disciplina e planejamento são as palavras chaves. Estar a postos no local a ser fotografado, no momento perfeito de luz, na época adequada a depender de seus interesses, é de vital importância. Desrespeitando essas premissas básicas da fotografia de paisagens, você muito provavelmente não conseguirá as fotos que planejava, se frustrará e certamente fará muitos mais cliques perdidos. Por experiência própria, eu já cometi esses erros diversas vezes e hoje em dia procuro evitá-los ao máximo.

Fotógrafo Tom Alves

A clássica luz dourada, por volta das 17 horas, no sertão Mineiro. Fim de Maio, época da floração das Paineiras Barrigudas.

Fotografia Outdoor Tom Alves

Mesma locação e dia da foto anterior, 40 minutos mais tarde. Alguns instantes após o pôr do sol, as nuvens mais altas refletem a luz do sol, criando momento de rara beleza. Importante o planejamento, pois o fenômeno dura poucos minutos.

E lembre-se: aquele incrível, florido e dourado campo de cerrado que você viu numa página dupla de sua revista de turismo predileta, provavelmente foi fotografado com planejamento prévio. Era uma primavera, às 6 da manhã, o tempo estava claro. Se você tentar a mesma foto ao meio dia e noutra época do ano, o resultado pode ser desastrosamente diferente. Portanto, caros fotógrafos de natureza, acordem cedo, fotografem até o meio da manhã, voltem no meio da tarde e, sobretudo, escolham os destinos de suas próximas viagens fotográficas de acordo com as especificidades de cada local. Fora isso, não há muito segredo.

Estrelas

Céu estrelado. Foto noturna com exposição de aproximadamente 10 minutos em noite de lua minguante, captando a via láctea.

Tom Alves

Momento captado logo após o por do sol. Usado filtro ND para conservação da luz na água da cascata.

Fotografia montanha

Primeiras luzes do dia, momentos antes do sol despontar no horizonte. Névoas ao fundo do vale são comuns nesse horário, pela alta humidade da noite.

Vulcão

Lua cheia se pondo no céu, bem no início da manhã. O sol ilumina e colore de vermelho o vulcão.

Montanhista

Contra Luz clássico, minutos após o pôr do sol. Foto tomada de baixo para cima, para ressaltar a silhueta do corpo humano.

Foto Noturna Tom Alves

Foto Noturna. As luzes que iluminam a montanha vem da lua cheia. Ao fundo, tons avermelhados anunciam o nascer do sol, que não tardaria a aparecer. E no céu, chuva de estrelas, conseguidas pela longa exposição da imagem.

Raiar do dia

Raiar do dia. Nesse tipo de foto é muito comum a presença de névoa.

Um grande abraço!

E caso você deseje acompanhar mais imagens, dicas fotográficas e agenda de workshops e expedições fotográficas, acesse e curta minha página no facebook!

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12 Comentários em "A importância de se fotografar na luz e época corretas"

  1. william zancarli disse:

    Caro Tom… sou um eterno apaixonado por fotos, mas, infelizmente, um não-artista… vejo fotos maravilhosas, que me encantam em livros e revistas, mas não tenho olho apurado para capta-las… por isso vou clicando e escolhendo 2 em 50 fotos tiradas, mas é a minha paixão… atualmente tenho uma Canon T3i e estou me divertindo muito aprendendo com ela…espero ver tuas postagens mais vezes… obrigado pela oportunidade… meu facebook é william zancarli… abraços e, por favor, não deixe de dar essas dicas, nunca….

  2. Tom Alves disse:

    Oi William, muito obrigado pela mensagem. Te mandei um convite no FB. Em breve novas postagens sobre fotografia aqui nesse espaço. grande abraço!

  3. Cris Ghattas disse:

    Tom, adorei as fotos e as dicas!!! Vejo luz, vida e a sensibilidade artística nas suas imagens. Obrigada por compartilhar. Cris

  4. Waléria Amaral disse:

    Oi Tom, tornei-me admiradora de suas fotos depois de ver algumas no Facebook de Camila Fróis. Ela que conheci aqui em Recife junto com André Dibb. André é um amigo querido, que conhecemos quando ele veio ao Lajedo do Pai Mateus fotografar para Revista Aventura e Ação. O nosso grupo de Bike PróAventura participou nas suas fotos. Mas queria só registrar aqui o grande respeito que tenho pelo trabalho de todos vocês. Suas fotos são maravilhosas. E agradecer pelas dicas. Sou apenas uma curiosa da fotografia e amo fotografar. Já faço parte do seu Facebook. E quando vier à Recife, precisando de algo, é só avisar…Abraços…

  5. Tom Alves disse:

    Muito obrigado, Cris! O amor pela fotografia, viagens e riqueza humana certamente ajuda no resultado final do trabalho. um grande abraço!

  6. Tom Alves disse:

    Oi Waleria, joia? Camila e Dib são importantes amigos e parceiros. Dib foi uma de minhas primeiras grandes influencias. Através das imagens dele, me inspirei pude ingressar nessa carreira. Muito obrigado pelas palavras, viu ? E vou até te escrever depois, te pedindo alguma inf sobre o lajedo, o Cariri… farei uma reportagem sobre a Paraiba em breve, pra uma revista…bem, te conto por email… um grande abraço!

  7. Ana Karina Camargo disse:

    Olá Tom,

    Hoje um amigo postou no face uma matéria escrita por ti na Adventure Zone..Comecei a ler e a curiosidade me fez chegar até seu site, até então desconhecia.
    Cada foto que eu via era um sorriso estampado no rosto e a certeza que seu “casamento” deu super certo. Parabéns!!!
    Não sou fotografa, nem mesmo amadora..rs Mas uma apreciadora, que gosta de ver o que as pessoas conseguem captar nas suas câmeras e compartilham com o desconhecido…

    Grata por compartilhar!!!
    Abraços
    Ana karina

  8. Tom Alves disse:

    oi Ana, muito obrigado pela presença aqui e pelas amáveis palavras! Sinta-se a vontade por aqui ou facebook! abraços!!!

  9. Ricardo Miranda disse:

    Olá Tom! Parabéns pela excelente matéria, muito prática e fácil de ser entendida, o que nem sempre acontece. E parabéns também pelas lindas fotos!Gosto muito de fotografia, mas, especialmente, de fotografar a natureza. O meu problema é que não sou muito bom em fazer isso, às vezes, tenho dificuldades de entender e quando entendo, a minha dificuldade é me lembrar de como aplicar o que aprendi. Estou aperfeiçoando-me aos poucos, já consigo perceber a melhora na qualidade de minhas fotografias, mas, esta matéria que você escreveu e, do modo como escreveu, vai me ajudar muito. Estou esperando pelas próximas! Um abraço, Ricardo.

  10. Tom Alves disse:

    Opa! Obrigado pelo comentário, Ricardo! Em breve postarei novidades aqui! um abraço e continue sempre estudando e praticando a fotografia! Só assim conseguimos perceber melhora contínua.

  11. Alvaro Manuel disse:

    Excelente material para consulta. Estou viajando agora, e vou tentar por em prática o que aprendi. Parabéns, Tom, e nos brinde com mais lições.

  12. […] aos nossos olhos. Em um de meus posts anteriores, o tema luz natural é abordado. Clique aqui para […]

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