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ABADALADA – Nova via de escalada na Zona Sul do Rio

ABadalada.

Em alguns países Católicos a badalada de um sino serve para avisar aos fieis que a hora de rezar por Deus chegou, na Holanda o badalar de um sino serve também para localizar o gado e aqui no Morro dos Cabritos as badaladas do sino da Igreja São Benedito indica a hora que você deve descer da escalada antes que frite a moleira no sol de meio-dia.
ABadalada também é o nome da via que terminei de conquistar com Xaropinho (Gideão Mello) no dia 17 de setembro de 2011 e que vou relatar aqui nesse post.

Deixei a moto no mecânico e andava perdido pelas ruas do Bairro Peixoto só de olho naquela face que sempre me atraíra. Subi e descia a Rua Santa Clara até perceber que o melhor ponto de vista que teria da montanha seria a partir da pracinha chamada de Vereador Rocha Leão. Ali fiquei namorando uma linha, até encanar em procurar saber como ia fazer pra chegar à base da parede. Voltei em direção a Santa Clara e via uma escadaria que sabia que daria no meio da Comunidade, mas eu com essa cara de “Alemão” não ia me atrever…..
Eu ainda meio hipnotizado pela parede escuto: “Coe maluco…. ta perdido ae??”
Era o Xaropinho descendo as escadas. Troquei uns bons minutos de papo com ele e no final já estávamos combinando abrir uma linha, só ainda não sabíamos qual.
Poucos dias depois nos encontramos na Praça Ver. Rocha Leão de onde pude mostrar a linha que queria abrir e pensamos qual a melhor maneira de chegar à base.

Parede onde abrimos ABadalada e onde Xaropinho vem abrindo algumas vias.

Devido ao sol que bate na parede, combinamos no fim do dia e por isso, esse não foi um dia de conquista muito longo, mas posso afirmar que produtivo. Abrimos toda a trilha que percorria por uma vegetação de encosta e muito Arranha Gato. Ainda batemos mais 3 chapas e demos o dia por finalizado, deixando a primeira fendinha para a próxima investida.

Segunda chapa da via.

A segunda investida de conquista na via o Xaropinho estava tirando umas fotos do HighLine que tinha montado na mesma montanha e não pode ir. Nesse dia eu estava com Rodrigo (Sampaio Primo). Rapidamente tinha passado as três primeiras chapas que deve dar um 4º e entrei na tão “namorada” fenda.
No mesmo momento chegava o casal, Xarope e Stephany que fizeram umas fotos alucinantes a partir de um costão.

Passando a primeira fenda bati uma chapa em um lance mais em pé que também não dá mais que um 4º, acessei a segunda fenda e bati a primeira parada.

Já sabendo que em pouco tempo a luz ia cair demos o segundo dia por encerrado.
Antes da nossa terceira investida o Xaropinho tinha acessado com a Stephany o vara mato que nossa via iria passar por outro caminho mais fácil e tinha feito uma “limpa” e deixou também uma corda fixa da P1 até a base.
A corda fixa nos ajudou a ganhar tempo em nossa terceira investida, dessa vez tínhamos combinado na parte da manhã. Jumariamos até P1 e remanejamos a posição da P1, buscando uma linha mais limpa e reiniciamos o trabalho.
Xarope conquistou esse trecho, que foi “esticado”, mas bem fácil e logo entrou no vara-mato onde batemos a segunda parada.
Já com a P2 batida reiniciei a conquista por uma bela fendinha que em seu domínio me pareceu dar um 5+ (pode ser que algumas pessoas de um 6º), nessa fendinha protegi com um 0.5 (Camalot) e após dominar a fenda, bati uma chapeleta para evitar a queda de base. Toquei mais alguns metros e bati uma segunda chapeleta passando as honras para o Xarope que bateu mais duas proteções chegando a um platô que dá acesso à canaleta que vinha mirando desde o “asfalto”.
Ele gritou: “Arthur….. vou te deixar onde você queria.”
E a empolgação batia.

Ele me chamou desse platô e fiz uma pequena travessia fácil para esquerda por cima de umas bromélias, bati a chapa que seria a P3 e chamei meu parceiro.
Ficamos namorando a canaleta que se mostrava cega e linda.
Estávamos em cima da hora para as badaladas, mas mesmo assim me veio um estimulo de bater nem que fosse uma chapa dentro da canaleta e iniciar a quarta enfiada.
Iniciei meio torto a escalada, não sabia se entrava em “chaminé, em “tesoura”, ou de cabeça pra baixo na canaleta, mas fui lagarteando e cheguei a uma pequena fenda onde coloquei o 0.3 e praticamente colado o 0.5, dei mais algumas passadas utilizando a técnica “sobe pra não cair” e arrumei uma posição “boa” onde pude livrar uma das mãos para bater a primeira proteção da enfiada.

A furadeira cantou, a chapa entrou e deixamos e resto pra depois, antes que o sol maltratasse a gente mais do que deveria.

Nossa quarta investida era pra finalizar e rolava uma expectativa sobre a canaleta.
Com uma corda fixa até a P2 ganhamos tempo, repeti a terceira enfiada e vi que ainda tem muito o que quebrar. Subia com uma parte das tralhas pendurada em meu baudrier, outra parte ia com o Xaropinho na mochila.
Organizamos tudo na P3 para reiniciar os trabalhos, fui leve até a chapa repetindo o “lagarteio” de antes, de lá provei como seriam os próximos movimentos e percebi que essa chapa iria ser batida pendurado em um buraco de Cliff, chapa batida.
Novamente provei os movimentos do lance seguinte, desescalei e refiz o lance em buraco de Cliff batendo mais uma proteção.

Conquistando o lance de 7a.

O lance ficava interessante, mas faltava uns metros para dominar a barriga final.

Acreditava que esses metros iam ser fáceis, mas quebrei a cara e tive que fazer um movimento pagando pra ver, mas nada quebrou e eu dominei o platô, subi mais alguns metros e cheguei ao costão, bati nossa ultima proteção e demos a via como acabada.
Xarope veio de segunda pra confirmar se a via era um 6º ou um 7º. Ele deu sétimo, principalmente pelos movimentos serem “alongados” e a envergadura fazer total diferença.

Dominando o crux

Gastamos um tempo tirando fotos e andando por um costão até o cume. De cima podemos ver os últimos metros da Chaminé Cinqüentenário e avistamos o cabo de aço do final da via.
Iniciamos o rapel e antes das badaladas estávamos de volta ao chão e com a via devidamente terminada.

Final da via.

Grau sugerido da via: 4º VIIa E2/3 D1 – 160m.

Croqui

Essa via foi conquistada com as proteções fornecidas pela CUMES e será doada ao Clube Excursionista Rio de Janeiro.

Equipamento sugerido: 11 costuras, .3 ao 3 (Camalot) podendo repetir do .5 ao 1 e corda de 60 metros.
Os rapeis são feitos por chapeletas de argola.

Como Chegar: Existem duas maneiras de chegar, uma é subir a escadaria no final da Rua Santa Clara até a Rua Euclides da Rocha. Outra maneira e subir a Ladeira dos Tabajaras e seguir pela Rua Euclides da Rocha, no final da Euclides subir um costãozinho que logo chega a uma trilha ainda pouco batida, mas evidente.
O final da rua é onde os caminhões fazem o retorno, então não deixar carro ou moto no final da rua.

Arquivado em: Deuter, Escalada, Montanhismo Tags: arthur estevez, deuter, Escalada, Xaropinho

5 Comentários em "ABADALADA – Nova via de escalada na Zona Sul do Rio"

  1. Danilo disse:

    parabéns arthur!
    grande conquista!!

  2. Arthur Estevez disse:

    Show… Valeu Danilo…. A conquista não é muito grande, mas o prazer em estar lá foi… 🙂
    Grande Abraço.

  3. Dalheee Mano!! Mais uma via irada no Rio!!! Parabéns para você e Xaropinho!! Que venham outras!! Yeahh

    Abração

  4. Arthur Estevez disse:

    Valeu Dallorto………..
    Vamos que vamos……….
    Depois me passa as novas linhas do Pico Secreto pra gente fazer o update aqui no ADVZ.
    Bração.

  5. […] Arthur e Charopinho abriram uma nova via no Morro dos Cabritos. Para ler o relato da conquista entrar no link:  http://www.adventurezone.com.br/blog/a-badalada-nova-via-de-escalada-na-zona-sul-do-rio  […]

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