0
  
     

24 horas em Amsterdam – PARTE 2

A CASA DE ANNE FRANK

Esta é minha quarta vez em Amsterdam, e a cada visita a cidade me revela uma nova faceta, uma nova estação e novos conhecimentos. A arte é democrática e a cultura também.

Eu e Hannah

 

Da última vez que estive na cidade visitei a casa de Anne Frank e comprei um livro que contava os últimos sete meses de vida dela nos campos de concentração, mas não havia lido seu diário ainda. Desta vez, li dias antes de embarcar para ca e a proximidade emocional que senti daquela menina sensível com furinho no queixo, me fez chorar. Um choro incontrolável. Olho para Hannah ao meu lado e noto suas lágrimas escorrendo por seu rosto de pele branquinha, tipicamente européia.

Anne Frank viveu com sua família (pai, mãe e irmã) e mais quatro pessoas, escondida em um anexo atrás do armazém de seu pai por mais de dois anos, até serem entregues aos nazis e então, levados aos campos de concentração. O único sobrevivente foi seu pai, Otto Frank, que retornou ao esconderijo e achou o diário que Anne escreveu durante seus dias escuros, tristes e tomados pelo medo. Mas a grande descoberta dele e do mundo, após a publicação do diário em 85 idiomas, foi que Anne era uma garota feliz, cheia de sonhos e vontade de viver, sem contar a profundidade emocional e criativa, inimagináveis até mesmo por seus parentes mais próximos. Na saída do museu, podemos ver um relato de Frank, em vídeo. A conclusão dele é que: “muitos pais não conhecem realmente seus filhos”.

Anne Frank amava quando Biep e Mep (pessoas que os ajudaram durante o período no anexo) levavam pra ela revistas de astros de cinema. Ela os recortava e decorava as paredes de seu quarto. As figuras ainda estão coladas ali e essa visão tão íntima de seu cotidiano entrou fundo no meu coração. Foi como se eu estivesse tendo a oportunidade de conhecer seus amigos imaginários e assim, estar ainda mais perto dela. A tristeza é grande pra mim, estando permeável ao ambiente onde tantas emoções foram narradas com tamanha riqueza de detalhes!

Saímos do museu e nos sentamos em um café para falarmos um pouco a respeito. Os olhos das três estavam vermelhos, não podíamos evitar. Revelávamos o pesar que estávamos calando até aquele momento.

Eu quis saber um pouco mais sobre os pontos de vista da Hannah, alemã, 26 anos. Ela nos disse a importância de estar ali, humanizando a história vivida tão intensamente há duas gerações antes da dela, em sua própria família. Contou-nos que há muitos idosos alcoólatras na Alemanha, que vivem bebendo suas magoas, dores e perdas. Por uma vida inteira.

Seus pais falam sobre esse momento tão duro com freqüência, já que seu avo resistiu a um campo de prisioneiros. Soubemos também que na Alemanha, os homens podem escolher quais ações militares desejam exercer. Seu pai, nos anos 70, trabalhou em um orfanato de crianças órfãs da guerra.

“Hoje em dia, as fronteiras são menos importantes na Europa. Todos somos iguais e só a língua é diferente”- me diz ela. Aproveito a deixa e pergunto se hoje em dia ainda é perceptível algum tipo de racismo remanescente daquela época e ela nos diz que não, mas que a “culpa coletiva do povo alemão” ainda persiste. “Como é possível o ser humano ser tão cruel?”- emociona-se. “E pensar que situações assim ainda acontecem em muitas partes do mundo…”.

Hannah e Isis

 

Concordo. Me calo pensativa.

Isis ao meu lado, balança a cabeça, atrás da filmadora de onde capta tudo com cuidado.

Finalizamos nosso intercambio cultural sobre o Holocausto com minha última pergunta pras minhas duas amigas:

– O que significa PAZ pra vocês?

Hannah: “I think the most important thing is a reflection about yourself. Don’t judge. Missunderstanding. And of course: Humam Rights!” **

Isis: “No caso de Anne Frank o que mais me chocou foi que apesar de ela estar presa, enclausurada, manteve os pensamentos jovens, a vontade de viver como andar de bicicleta… Manteve a força de vida apesar de estar ali.” Emendou: “Paz no contexto da A. F., significa que não importa por qual adversidade estejamos passando, a paz tem que estar dentro de você”.

Finalizo este post reflexivo com um pedacinho do MANIFESTO 2000 (UNESCO)

CARTA POR UM MUNDO SEM VIOLENCIA

A violência é uma doença passível de prevenção

“Nenhum estado ou indivíduo pode estar seguro em meio a um mundo sem segurança. Os valores de não violência na intenção, no pensamento e na ação se transformaram de opção em necessidade. Esses valores encontram expressão na sua aplicação entre estados, grupos e indivíduos.”

É isso ai galera! A PAZ está na moda!

Beijo grande e até já, com a noite de Amsterdam!!

** “Eu acho que o mais importante é a reflexão sobre si mesmo. Não julgue. Compreenda. E claro: os direitos humanos!”

 

Arquivado em: Viagem

Deixe o seu comentário!

Comentar!

© 2020 Adventure Zone. Todos os direitos reservados. XHTML / CSS Válidos.
Design: Equipe Adventure Zone.