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Alteração na via De Tudo um Pouco – Tetos do Pão de Açúcar

Esse ano é o ano do artificial… Devido a uma lesão séria no cotovelo que me deixou escalando meia bomba desde julho de 2009, resolvi que 2010 era a hora de tirar a poeira dos estribos e dos cliffs. Para isso fui logo procurando a “máfia” das vias artificiais aqui do Rio, e um dos chefes dessa modalidade é o Arthur Estevez.

Assim que o Arthur chegou da temporada na Patagônia, fui logo passando as minhas más intenções, e fui muito bem recebido… Marcamos um projeto de big wall e fui convidado a repetir uma conquista dele nos tetos do Pão de Açúcar, a via De Tudo um Pouco. A repetição tinha dois objetivos: arrancar um grampo desnecessário na primeira enfiada e confirmar o grau da segunda, que poderia ser um A2+ ou A3.

A primeira data que marcamos deu água (literalmente), pois na véspera caiu um temporal com vento que deixou qualquer pedra no Rio inescalável (existe essa palavra? Bom, deu para entender, né?!), mas na segunda data deu tudo certo e partimos.

 Nos encontramos na entrada da pista 7:30 e tocamos Costão acima com as mochilas chumbo (ossos do ofício… escalada em artificial não tem jeito, é mochila chumbo mesmo e disposição). Chegamos na base da via 9:20 e começamos a nos preparar rapidamente.

 Já estava combinado que a primeira enfiada (A2) seria minha e a segunda, que com certeza é a mais complicada, ficaria para o Arthur, que tem anos luz a mais de experiência em artificial que eu.

Kiko guiando a primeira enfiada

 

 Entrei na enfiada bem desconfiado, pois a rocha estava escorregadia e a fenda (alucinante) cheia de limo e lama verde… Esquisito. Bom, fui progredindo com calma e bem ao lado do grampo (que seria retirado momentos depois), quebrei bastante a cabeça para passar por um pedaço da fenda bem complicado. Ela abria muito internamente, mas tinha a sua entrada mais estreita e afiada… nada encaixava bem, até que pedi um tricam grande ao Arthur… foi a peça!! Ficou perfeito, apesar de não ser exatamente a situação ideal para usar um tricam (como o próprio Arthur atestou depois), ficou firme e confortável. Mais um metro acima e a mesma situação… Dessa vez usei um camalot #1, de uma forma bem criativa: Não estava encaixado como friend e nem entalado como um nut, estava meio como uma “cunha”… não ia segura queda nenhuma, mas estava firme para progredir.

Arthur limpando a primeira enfiada

 

 Depois desses encaixes mais estranhos, a fenda fica bem mais estreita, pedindo peças cada vez menores. Terminei a enfiada em 2 horas e 40 minutos (deve ser algum recorde… mas de demora e não de velocidade), fiquei amarradão e fixei a corda para o Arthur subir limpando.

Arthur arrancando o grampo

 

 Na subida ele viu um furo de cliff que eu não tinha visto e muito menos usado, então ele chegou a conclusão que o furo era desnecessário e o tapou (primeira alteração da enfiada), logo acima ele parou e arrancou o grampo que não deveria estar ali (segunda alteração da enfiada), após arrancar o grampo ele chegou rapidamente a parada, dizendo que com certeza se tratava de um A2 ,mas um A2 “criativo”.

Almoço na parede

 

 Curtimos o visual, e almoçamos de verdade… nada de biscoito, cada um bateu um prato de Strogonoff de Frango, cedidos pela Liofoods. É uma sensação muito maneira almoçar bem pendurado na parede. Após o almoço eu sugeri ao Arthur que não era uma boa ele mandar a segunda enfiada… Já eram quase 14h, o tempo não estava firme (choveu na descida no Costão) e a enfiada que tinha pela frente era um pouco complicada… Uma horizontal em teto (pesadelo para qualquer um que vai limpar), com várias passagens em cliff e uso de algumas peças que nunca usei… Ele concordou que não era a hora e nos preparamos para descer.

A segunda enfiada…. ficou para depois

 

 Parte do objetivo foi conquistado, retirar o grampo da primeira enfiada, mas a confirmação do grau da via só na próxima repetição.

 Uma curiosidade: A lesão séria no meu cotovelo acabou curando bem antes do que imaginava e já em janeiro voltei a escalar mais forte… de qualquer forma, fica mantido o planejamento: 2010 é o ano do artificial!!!

 Valeu Arthur pelo convite (estou a disposição para outras!!) e obrigado Liofoods pela comida.

Boas escaladas
Por Kiko Araujo

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6 comentários

  1. Parabens pela materia, meninos.
    Ficou mto boa mesmo. Vou adorar percorrer essa via assim q for ao RJ.

    Mas jura q vcs gostam dessa comida empacotada com gosto de conservante?
    É igual comer ração em pasta pra cachorro.
    Fala serio ne?

    Bjs

    Enviado por Isabela

  2. Oi Isabela,
    valeu!
    bom, eu gosto e uso muito LIOFOODS… acho que vc deu azar quando experimentou… não tem conservantes, então não pode ter gosto de conservante… tenta outro sabor.
    abs!

    Enviado por Kiko Araujo

  3. Isabela, será que você não está confundindo com outro tipo de comida? A Liofoods além de não ter conservantes não é nem de perto parecida com rações humanas, nem em pasta é.
    É uma comida normal, feita de modo caseiro, congelada e a água é subtraída por processo de sublimação, diferente da desidratação, ou seja, a comida liofilizada mantém aroma, nutrientes e sabor.
    Faço muitas trips, tanto de escalada como de caminhada e posso afirmar com todas as letras que é a melhor comida para se levar em aventuras, leve, compacta e deliciosa.
    Abs;

    Enviado por André Padrenosso

  4. Show de bola, a via parece bem interessante, e a descrição emocionante! :)

    Enviado por Samanta Chu

  5. NA PRÓXIMA EU LEVO AS MOCHILAS….

    Enviado por DAVE MACKNIGHT

  6. Muito show Kiko! Parabéns aí pela empreitada!! Com certeza estava na companhia certa, Arthurzinho manda muito nos Bigs, tive o privilégio de estar com ele em um!! Kmonn e que venha outros!

    Enviado por Felipe Dallorto

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