Cicloturismo – Rio x Conservatória
Tais como crianças com brinquedos novos, tudo o que precisávamos era de uma viagem para estrearmos nossos novos alforjes. Não deu outra! Seria nesse feriado mesmo!
Conservatória, terra das Serestas. Foto: Gledson Silva
Pesquisa daqui, pesquisa dali… busca no Google, Google Maps, Bikely, Map My Ride… até que decidimos. Conservatória! A Cidade das Serestas!
A semana que antecede a viagem sempre é voltada para a preparação logística. Revisão nas bicicletas, vestuário, alimentação. Reduzir volume e peso é essencial. E realmente precisávamos reduzir, pois pela primeira vez estariamos levando uma barraca de camping. Seria também a primeira vez que estariamos com um kit de primeiros socorros. Finalmente tomamos vergonha na cara e montamos um, já que nas outras viagens não levamos nada. Tudo pronto, era só esperar o dia da viagem.
Como de praxe, era para termos saido cedo para a estrada, porém uma preguiça avassaladora acabou fazendo com que saíssemos tardes, começando a pedalar aproximadamente as 7:30. Fato este que viria a ter seus prós e contras.
Já na Dutra, fomos num ritmo tranquilo. Renata ainda estava debutando com os alforjes, logo seriam necessários alguns kilômetros de adaptação. Para melhorar, quer dizer, piorar, alguns trechos iniciais estavam sem acostamento, frizados e com muitos cascalhos.
Esses trechos, dignos de MTB, se estenderam por uns 10km, até mais ou menos a entrada de Nova Iguaçu, quando então a viagem começa a ficar mais tranquila. Sim, apesar do feriado, estava bem tranquila, até mesmo por causa do horário de saída. O fluxo maior já tinha passado.
Alguns kilômetros depois, um encontro inusitado. Uma criação de avestruz. Como a curiosidade pelo animal foi maior, não pudemos de ir lá ver um exemplar que passeava tranquilamente próximo a cerca. Tal como nos desenhos, ele é super curioso. Mais que nós!
Finalmente a primeira parada oficial. Posto Belvedere, localizado alguns kilômetros após o pedágio, já em Seropédica. Momento para beber e comer um pouco. Como vinha tudo tranquilo, na hora de voltar ao pedal, me deparo com um pneu furado que felizmente não esvaziava enquanto eu pedalava, porém ao parar, realizou sua função. Estava crendo demais na sorte por não ter tido nenhum furo. Pior foi o material perfurante. Um mísero metal, tão fino quanto um fio de cabelo e tão maleável quanto, mas tão forte que soube cumprir bem a sua missão.
Foi então que nos demos conta que tinhamos feito 1/3 do percurso e estávamos atrasados. Aumentamos um pouco a velocidade de cruzeiro que passou a variar de 20 a 25km/h.
Serra das Araras. Foto: Gledson Silva
Chegamos na Serra das Araras com sol a pino, maltratando. Eu que já sou fraco nas subidas, me senti pior ainda. Tendo que fazer algumas paradas para engolir novamente o coração, que parecia ter vida própria e queria fugir do mediastino. Hã?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!
Depois de muitas bufadas, xingamentos e pragas, finalmente o topo da Serra. Ela nem é tão braba assim, sabemos que na cidade do Rio temos piores (Vista Chinesa, Canoas…), mas sob um sol que mais parecia 3, no melhor estilo Caverna do Dragão e com peso na garupa, tudo piora.
Para refresco, vem uma descida suave até Piraí.
Chegando em Piraí, pausa para o almoço. Logo na entrada da cidade, do lado esquerdo, depois da delegacia tem um restaurante. Mas são pratos a base de peixe e caríssimos. Como vegetarianos, fomos procurar outro lugar.
Voltando para a Dutra, andando mais uns 500m em direção a São Paulo, tem um posto com um restaurante que oferece comida a kilo e PF (prato feito). Chegando lá, já tinham guardado toda a comida, mas os atendentes foram extremamente solícitos e nos prepararam 2 pratos e que pratos!!!
Voltamos para a entrada de Piraí e seguimos em direção a Barra do Piraí.
A estrada é meio estranha. Sem muita iluminação e um acostamento estreito. Pegamos já no entardecer e quando a noite caiu, os faróis foram insuficientes (as pilhas estavam fracas) e o meu com defeito, precisando de gambiarra para se manter ligado. Chegamos em Barra do Piraí as 19:00. Iamos dar continuidade até Conservatória, mas por indicações de um taxista, resolvemos passar a noite ali mesmo.
Foto: Gledson Silva
Na cidade não há muitas opções para passar a noite. Há 3 hotéis. Um fica em frente a linha do trem. Não quiseram deixar guardar a bicicleta no quarto, teria que ficar num estacionamento particular próximo. O outro fica no centro da cidade, mas o valor é surreal. E o terceiro.. bem, esse é um misto de hotel/motel/estalagem. O preço é ótimo, tem cama e chuveiro quente, e o atendimento é ótimo! Parece que te conhecem há seculos. Só faltam convidar para um café. As bicicletas ficam presas num quartinho, com cadeado e grade. Bem seguro. Tem até sistema de câmera. Esse é mais escondido. Fica próximo ao primeiro hotel mencionado, numa rua perpendicular a essa rua da linha de trem. Se você tiver sono leve, prepare-se, pois ouvirá trens passarem a noite toda. Também tome cuidado com a porta do banheiro. É tão baixa que creio ter dado pelo menos umas 3 testadas nela.
Depois do banho tomado e tudo guardado, hora de jantar.
Existe um restaurante oriental (Rei) que vende macarronada (hã?!?!?!?!?!). Se você pedir a macarronada, prepare-se, pois vem uma travessa! Dá para 4 pessoas facilmente. É bem gostoso e o melhor, barato!
Na manhã seguinte, acordamos cedo e tomamos café numa padaria próxima a rodoviária e partimos para o restante do percurso.
Depois que cruzar o centro da cidade e a ponte, prepare-se para a ladeira do Belvedere, temida por todos da região. Ela nem é muito longa, mas o seu aclive assusta qualquer um. Pirambeira das boas!
Cruzando ela, já sai na estrada que leva a Ipiabas e a Conservatória.
Cuidado triplicado na estrada, pois não tem acostamento, os veículos passam voando, caso pegue a noite, não há qualquer iluminação, nem nada perto, só mato. E caso pegue de dia, pegue bem cedo ou no fim da tarde, pois é um sol danado e sem sombra. Só restando uma casinha de ônibus para se proteger.
E de Ipiabas para Conservatória, prepare as pernas, pulmões e corações (sim, pois você precisará de vários!!!). É um sobe e desce sem fim, porém com mais subidas que descidas, e que subidas! Daquelas sem fim! Quem conhece sabe o que estou falando. Sobe, sobe, sobe e sobe mais um pouco. Quando acha que acabou, vem mais uma subida!
Parece até um eletrocardiograma! Ou seria realmente o comportamento do coração que não parava de subir com o esforço????
Passada a sequência de subidas e quase torrar no sol, Conservatória de aproxima.
Finalmente!!!
Iamos ficar acampados, porém o camping ficava há aproximadamente 2km do centro, então fomos ver algumas pousadas nos arredores. Todas caras!
Como quem tem boca vai a Roma ou então consegue sempre se virar nos 30, conhecemos D. Vera, uma senhora que possui uma pensão/dormitório. Estava passando por uma reforma, mas era tudo o que precisávamos. E o preço era quase igual ao do camping. Era ali mesmo que ficariamos!
Roda musical. Foto: Gledson Silva
Passamos a noite no centro da cidade, curtindo a serestas e as rodas de amigos que se encontram para tocarem e se divertirem.
Em Conservatória fizemos uma terrível descoberta. Só existe um horário de ônibus para o Rio e não vende passagem de ônibus na rodoviária da cidade. Tem que ser comprada antes. Poderiamos comprar direto no ônibus, mas a probabilidade de se conseguir passagens era quase nula. Só tinhamos duas opções. Ou acordariamos cedo e enfretariamos as subidas voltando para Barra do Piraí ou jogávamos com a sorte comprando a passagem no ônibus.
Escolhemos a primeira opção!
Mas antes vamos tentar uma loucura. Vamos tentar embarcar com as bicicletas no primeiro ônibus comum (com roleta) que parte para Barra do Piraí. Se não der certo, a gente já parte pedalando.
Não sei se foi a conversa, a sorte ou ambos. Deu certo!
Colocamos as bicicletas dentro do ônibus e fomos para Barra do Piraí e lá compramos as passagens colocando as bicicletas dentro do bagageiro.
Isso sim é transporte intermodal!!!
“Devemos ter a natureza como guia. É ela que a razão contempla e consulta. Viver feliz e viver segundo a natureza são a mesma coisa.”
Sêneca ( Séc. 1 A.C. )
Por Gledson Silva







Legal, Gledson! Boas dicas! Estamos pensando em dar uma esticada até essa região lá pelos dias 17/18 de abril, partindo de Petópolis. Vai rolar o Festival Café, Cachaça e Chorinho do Vale do Café.
Abraços!
Enviado por cinthia
Muito bom, Renata! Parabéns! Muito legal mesmo!
Enviado por Ivan Rolim
Sou morador de Ipiabas e adoro MTB. Acabei de ler sua aventura. Se quiser voltar um dia minha casa estará à disposição de vcs. Temos várias trilhas
Enviado por Mário Garcia Duarte